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quinta-feira, 27 de agosto de 2026Edição nº 17

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Onde a política faz sentido

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Editorial

De Enéas a Cury, o Descompasso Entre a Intelectualidade e as Urnas no Brasil

A comparação entre a trajetória de Enéas Carneiro nos anos 1990 e a candidatura de Augusto Cury em 2026 expõe um padrão cruel da nossa democracia: a incapacidade do sistema de massas em absorver diagnósticos complexos, preferindo relegar a erudição ao ostracismo ou à caricatura.

Albertino Blima27 de agosto de 20262 min de leitura
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O Intelectual Marginalizado e a História como Juíza.

A crônica política brasileira guarda um espaço melancólico para o que podemos definir como o "candidato deslocado do seu tempo". São figuras cuja envergadura intelectual e capacidade de diagnóstico chocam-se, não com a falta de problemas reais no país, mas com a incapacidade do sistema eleitoral de massas em decodificar a complexidade. A trajetória do médico e matemático Enéas Carneiro nos anos 1990 é o exemplo mais bem-acabado desse fenômeno.

Fundador do PRONA, Enéas dispunha de parcos segundos na TV para articular teses densas sobre soberania, geopolítica e exploração mineral. A resposta do ecossistema político-midiático da época foi letal: a caricaturização. Rotulado como uma figura excêntrica e folclórica por sua veemência e léxico rebuscado, foi alijado dos debates centrais. Hoje, contudo, a história opera uma revisão amarga. Seus discursos viralizam na internet como diagnósticos cirúrgicos e premonitórios sobre os gargalos do Brasil, enquanto uma fatia expressiva da sociedade reconhece, tardiamente, a genialidade desperdiçada pelas urnas.

O Novo Ciclo: Augusto Cury e o Desafio da Saúde Mental.

Três décadas depois, em pleno 2026, o psiquiatra e escritor Augusto Cury reencarna essa assimetria estrutural sob uma nova roupagem. Se o projeto de Enéas era ancorado no nacionalismo técnico e nas ciências exatas, a plataforma de Cury mira a reconstrução humanística do Estado, elegendo a saúde mental e a inteligência emocional como pilares.

Apesar da urgência inegável do tema — em um país assolado por índices alarmantes de ansiedade, depressão e colapso educacional pós-pandemia —, o obstáculo que Cury enfrenta é essencialmente o mesmo de seu predecessor: a incompatibilidade comunicacional. Sua erudição colide de frente com um eleitorado treinado pelas redes sociais a reagir exclusivamente a gatilhos emocionais, lacrações e promessas binárias. A exigência de reflexão abstrata, proposta por Cury, é um corpo estranho na engrenagem de uma campanha movida a rage bait (isca de raiva) e polarização estética.

A Tragédia das Democracias Hiperpolarizadas.

O paralelo entre Enéas e Cury não reside na concordância ideológica, mas no diagnóstico sobre a saúde do nosso debate público. Ambos expõem a tragédia das democracias hiperpolarizadas: o descompasso crônico entre o desejo teórico do eleitor por "pessoas preparadas" e o seu comportamento prático diante da urna eletrônica.

No calor da disputa, a lealdade a tribos partidárias e a sedução por soluções simplistas continuam a massacrar qualquer tentativa de profundidade programática. O risco que se desenha em 2026 é nítido: assim como ocorreu no passado, a postulação de Augusto Cury pode não ser lembrada por sua viabilidade executiva, mas figurar nos anais da nossa história política como mais um capítulo lúcido que foi impiedosamente esmagado pela urgência e pela superficialidade do pragmatismo eleitoral.

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Renan Santos, o Partido Missão e o Teste do Populismo Algorítmico em 2026

A migração do principal estrategista de bastidores do MBL para a linha de frente da disputa presidencial consolida a aposta em uma "direita heterodoxa", onde a ortodoxia liberal cede espaço ao marketing de provocação e ao cálculo algorítmico.

Albertino Blima27 de agosto de 20263 min de leitura
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Da Operação de Bastidor à Linha de Frente.

O tabuleiro eleitoral de 2026 formaliza um movimento que, há poucos anos, parecia improvável na dinâmica da nova direita brasileira: a ascensão de Renan Santos à condição de pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão. Cofundador, arquiteto tático e cérebro logístico do Movimento Brasil Livre (MBL), o ex-estudante de Direito da USP construiu sua envergadura operando exclusivamente nos bastidores. Sem jamais ter exercido um mandato eletivo, sua transição para a vitrine majoritária representa não apenas um teste de viabilidade eleitoral, mas a consagração de um modelo político fundamentado na métrica das redes sociais.

A Guinada para a "Direita Pragmática".

A leitura de cenários revela que a plataforma de Santos em 2026 decreta o divórcio definitivo do MBL de suas raízes originais. O liberalismo econômico purista e de viés austríaco que marcou a gênese do movimento em 2015 foi arquivado. Em seu lugar, emerge o que analistas classificam como uma "direita pragmática e heterodoxa".

Nesta nova engenharia, a ojeriza à intervenção estatal foi flexibilizada para acomodar propostas de impacto faraônico e contornos centralizadores, a exemplo do plano de "desfavelização" do país em 30 anos e da drástica fusão massiva de municípios deficitários. Trata-se de uma estratégia que sacrifica a pureza doutrinária no altar da viabilidade prática, oferecendo ao eleitor de centro-direita um Estado que não encolhe passivamente, mas que opera como um trator reformista.

Populismo de Choque e a Moeda da Atenção.

No entanto, é na comunicação que reside o núcleo duro da pré-campanha do Partido Missão. Renan Santos domina, como poucos no Brasil, a gramática dos algoritmos e das plataformas de vídeos curtos. Para furar o bloqueio imposto pelas candidaturas tradicionais e suas bilionárias estruturas partidárias, o estrategista recorre ao "marketing de atenção" através de uma metodologia clara: o Rage Bait (isca de raiva).

A defesa contundente do Direito Penal do Inimigo contra facções criminosas, a construção escalonada de presídios de segurança máxima e a controversa revisão de direitos políticos para beneficiários de auxílios sociais não são apenas propostas governamentais; são armas de engajamento. O objetivo primário dessas teses intencionalmente polêmicas é sequestrar a pauta, gerar controvérsia instantânea e obrigar o sistema político (e a imprensa) a orbitar em torno de sua narrativa. Na economia da atenção, a polarização não é um acidente, é o combustível da máquina de formar quadros.

Conclusão: O Paradoxo da Centralização Institucional.

Sob a ótica institucional, a candidatura de Renan Santos expõe um paradoxo fascinante. Ao mesmo tempo em que o Partido Missão nasce sob a promessa de romper com feudos personalistas, profissionalizando a direita e estabelecendo processos impessoais de formação de líderes, a sua estrutura decisória e ideológica orbitam com gravidade esmagadora em torno de um único homem.

A centralização imposta por Santos garantiu a sobrevivência e a reinvenção do MBL em meio às severas crises da última década. Contudo, em uma eleição presidencial, a dinâmica é implacável. O pleito de 2026 servirá como o laboratório definitivo para responder a uma questão central da ciência política contemporânea: até que ponto a inteligência de rede, o populismo de choque e o domínio absoluto do algoritmo conseguem, de fato, substituir a capilaridade das antigas máquinas partidárias na disputa pelo Poder Executivo?

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Coluna

O Embate entre o Espetáculo Algorítmico e o Populismo Fiscal em 2026

A corrida presidencial consolida a substituição de projetos estruturais de Estado pelo pragmatismo eleitoral. Entre táticas de viralização digital e injeções de caixa na véspera do pleito, o eleitor torna-se refém de promessas cíclicas e de curto prazo.

Albertino Blima27 de agosto de 20263 min de leitura
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A Ditadura do Algoritmo e a Performance Viral.

A dinâmica eleitoral de 2026 evidencia um esgotamento metodológico no debate público brasileiro. Na economia da atenção, a racionalidade cedeu lugar à estética do entretenimento. A estratégia adotada pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a utilizar coreografias ao som do "funk do 01", ilustra de forma clara essa guinada em direção ao engajamento digital.

De acordo com especialistas em marketing político, essa tática busca uma "humanização artificial". Espelhada em fenômenos eleitorais internacionais recentes, o objetivo é quebrar a sisudez institucional e tentar reduzir a rejeição do candidato, especialmente entre o eleitorado jovem e de centro. Nesse ecossistema, o debate técnico perde relevância. A coreografia atua como um "Cavalo de Troia" cognitivo: a meta não é convencer pela lógica de um plano de governo, mas monopolizar o tempo de tela e fixar a marca do político no subconsciente popular por meio da viralização.

A Reciclagem Fiscal e o Ciclo Político-Eleitoral.

No outro pólo da disputa, a máquina pública é frequentemente mobilizada para consolidar o que a literatura econômica define como ciclo político-eleitoral. A estratégia de manutenção de poder gerida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou, em ano de campanha, a implementação de medidas com forte apelo de massa e injeção fiscal direta, a exemplo de programas como o "Gás do Povo", o "Luz do Povo" e articulações para ampliação da isenção do Imposto de Renda.

Essas políticas garantem um alívio financeiro imediato e geram robustos dividendos eleitorais. Contudo, elas perpetuam uma ilusão administrativa. Ao focar em subvenções emergenciais em vez de reformas que ataquem a raiz estrutural da estagnação econômica e da desigualdade, assegura-se que a vulnerabilidade material da população persista. Assim, o mesmo problema sobrevive intacto para ser reciclado como promessa de campanha na eleição seguinte.

A Ilusão da Força e o Populismo Penal.

A adoção de respostas simplistas para problemas complexos estende-se, inevitavelmente, à pauta da segurança pública. O plano "Brasil Sem Medo", lançado na plataforma de Flávio Bolsonaro sob o jargão de "menos verbo e mais verba", resvala no que sociólogos e juristas classificam rigorosamente como populismo penal.

A proposta concentra-se na promessa de construção de presídios de segurança máxima e aumento de repasses, oferecendo uma resposta punitivista de fácil assimilação para um eleitorado legitimamente amedrontado pelo avanço do crime. Contudo, a ausência de metodologia salta aos olhos: trata-se de um projeto desprovido de indicadores de metas, que ignora o aprimoramento investigativo e deixa lacunas sobre estratégias complexas de sufocamento da engenharia financeira do crime organizado. Na prática, substitui-se a inteligência de Estado pela retórica de palanque.

O Preço da Política de Curto Prazo.

A constatação de que o eleitorado consome a superficialidade não decorre de uma limitação intelectual intrínseca do povo, mas da vulnerabilidade de uma sociedade esgotada por crises sucessivas. O "espetáculo" virtual e o socorro financeiro de última hora funcionam como mecanismos práticos de sedução e alívio imediato para quem tem pressa de sobreviver.

O verdadeiro gargalo democrático reside em um sistema partidário que recompensa nas urnas a performance e ignora o planejamento. O embate de 2026 não é um choque entre diferentes visões de longo prazo, mas um duelo de metodologias populistas: de um lado, a tentativa de anestesiar o eleitor por meio da estética de redes sociais e promessas punitivas; do outro, a busca por fidelização pela distribuição temporária de recursos estatais. Enquanto o Brasil preferir o pragmatismo da eleição seguinte ao planejamento da próxima geração, as crises crônicas do país continuarão sem data para acabar.

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Augusto Cury e a Asfixia do Discurso Intelectual no Tabuleiro de 2026

A oficialização da candidatura do psiquiatra e escritor pelo Avante e o recente atrito nos bastidores do debate na Band expõem as barreiras estruturais que reduzem a tração de propostas humanistas e técnicas perante a engrenagem do marketing de confronto.

Albertino Blima27 de agosto de 20263 min de leitura
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A Inserção de uma Tese Humanista no Cenário Eleitoral.

A oficialização da candidatura do psiquiatra e escritor Augusto Cury à Presidência da República, chancelada pelo Avante, introduz um vetor atípico na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026. Ao articular um plano de governo centrado na inteligência emocional, no amparo a mais de 32 milhões de neurodivergentes e no combate ao colapso da saúde mental, Cury tenta pautar o debate público a partir de métricas pedagógicas e científicas.

Entretanto, o choque de realidade não tardou a se manifestar. O recente episódio na porta dos estúdios da TV Bandeirantes — no qual o candidato chegou a anunciar que não participaria do primeiro confronto televised por considerar o formato um "teatro" esvaziado pela ausência dos polos dominantes, recuando minutos depois — sintetiza o desconforto histórico de perfis acadêmicos e teóricos diante do pragmatismo bruto da política de massas.

A Muralha da Polarização e a Lógica do Voto Útil.

A ciência política ensina que o eleitorado imerso em ambientes hiperpolarizados não consome programas de governo por sua densidade teórica, mas por sua funcionalidade tática. No atual ecossistema brasileiro, a decisão nas urnas é amplamente ditada pela rejeição: vota-se no agente capaz de neutralizar o adversário considerado intolerável.

Nesse cenário de antagonismo binário, projetos de apaziguamento social ou de "terapia coletiva" enfrentam uma barreira cognitiva intransponível. A tentativa de posicionar a saúde mental e a reforma educacional como eixos centrais da nação esbarra na urgência do eleitorado por respostas imediatas sobre renda, inflação e segurança. O discurso pedagógico, por mais nobre e necessário que se apresente, soa abstrato para uma população esmagada por demandas materiais prementes.

A Comunicação de Massa e a Sedução do Espetáculo.

Outro obstáculo reside na tradução do léxico. A eficácia da comunicação eleitoral não decorre do rigor acadêmico ou do requinte literário, mas da capacidade de sintetizar sentimentos complexos em conceitos simples e diretos. Quando a erudição não é traduzida em arquétipos populares, a mensagem corre o risco de ser percebida como distanciamento elitista.

Paralelamente, a política contemporânea foi assimilada pela lógica da economia da atenção e do entretenimento. As redes sociais e as arenas de debate recompensam gatilhos emocionais, lacrações e narrativas messiânicas em detrimento do planejamento de longo prazo. Candidatos que recusam a performance do ataque pessoal e da simplificação populista perdem tração algorítmica e espaço de tela, vendo suas propostas sufocadas pelo ruído dos extremos.

O Papel Pedagógico e os Limites do Poder.

Sob a ótica analítica, a postulação de Augusto Cury cumpre uma função institucional relevante ao forçar a inclusão de temas cronicamente negligenciados — como a depressão infantil, a prevenção ao suicídio e a gestão emocional nas escolas — na agenda dos demais concorrentes.

Todavia, sob a lente fria da estratégia eleitoral, a viabilidade de sua candidatura permanece severamente limitada. O percurso de Cury em 2026 não evidencia uma falha de formulação teórica, mas reflete o estágio atual da democracia de massas no país: um sistema que continua a premiar a espetacularização e o confronto direto, deixando escasso espaço para reflexões profundas sobre o futuro da mente e do Estado brasileiro.

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Marconi Santana Rompe as Fronteiras do Pajeú e Consolida Projeto Estadual

Ato político de casa cheia em Arcoverde expõe a musculatura do ex-prefeito de Flores, cuja estratégia de pulverização regional desafia a lógica dos redutos fechados e redefine a disputa proporcional pela Alepe em 2026.

Albertino Blima27 de agosto de 20262 min de leitura
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O Sinal de Arcoverde e a Conexão no Portal do Sertão

A mobilização liderada por Marconi Santana (PSD) em Arcoverde, na noite desta quarta-feira, ultrapassou o mero apelo ritual das agendas de pré-campanha. Ao lotar o espaço de eventos e reunir quadros estratégicos da política local — como Sizenando, Nino da Boa Vista, Aroldo, Janaína e Rebeca —, o ex-prefeito de Flores emitiu uma demonstração prática de tração eleitoral no chamado "Portal do Sertão".

A capacidade de transferir prestígio do Pajeú para o Agreste Moxotó sinaliza que a postulação de Marconi à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) deixou de ser um projeto meramente municipalista. Na política sertaneja, onde a territorialidade costuma delimitar os teto de votos de lideranças locais, a presença ostensiva de público e aliados em Arcoverde estabelece um divisor de águas na pré-candidatura do social-democrata.

A Engenharia Proporcional: O Risco do Reduto Único

Na dinâmica do sistema proporcional, a dependência excessiva de um único colégio eleitoral representa uma vulnerabilidade crônica. Candidatos hiperfocados em seus municípios de origem costumam ficar reféns de flutuações locais, cisões operadas por prefeitos da base ou rivalidades paroquiais. A cartografia eleitoral que Marconi vem desenhando para 2026 adota a premissa oposta: a descentralização tática.

Analistas políticos observam que o crescimento de sua pré-candidatura apoia-se em uma teia que conecta diferentes microrregiões do estado:

  • Sertão do Pajeú e São Francisco: Mantendo a âncora histórica e o respaldo do trabalho consolidado na governança regional (Cimpajeú);

  • Agreste e Zona da Mata: Absorvendo dissidências, lideranças comunitárias e ex-gestores que buscam um interlocutor com perfil técnico no Legislativo;

  • Região Metropolitana do Recife (RMR): Penetbrando em focos urbanos de menor visibilidade, mas de forte densidade proporcional.

Perspectivas: O Teste das Urnas e o Tabuleiro de 2026

A pulverização de apoios em geografias tão distintas concede à pré-candidatura de Marconi Santana uma resiliência que poucos quadros do PSD ostentam na atual fase da disputa. Ao pulverizar sua presença, a campanha mitiga riscos de perda de densidade e passa a operar com múltiplos motores de atração de votos.

O tamanho exato dessa construção matemática e política será revelado com a abertura das urnas em outubro. No entanto, na fase em que a política se alimenta de percepção de poder e capacidade de articulação, a travessia de Marconi por Pernambuco consolida seu nome entre os favoritos na corrida pelas vagas do PSD na Alepe, demonstrando que sua candidatura não é apenas regional, mas de abrangência estadual.

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Política

O Dever Institucional Face aos "Fantasmas" de Afogados da Ingazeira

A verbalização de antigas suspeitas pelo presidente da Câmara Municipal expõe a fragilidade da máquina pública local. Para além da retórica política e do calor eleitoral, o cenário exige a intervenção imediata do MPPE e do TCE-PE em defesa dos cofres e da ética administrativa.

Albertino Blima27 de agosto de 20263 min de leitura
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O Eco de um Boato Institucionalizado.

O recente embate protagonizado pelo vereador e presidente da Câmara Municipal de Afogados da Ingazeira, Vicente Zuza (Vicentinho), durante o programa "Debate das Dez" da Rádio Pajeú, transcendeu a mera disputa paroquial. Ao classificar seus detratores como "babões da prefeitura" e aconselhá-los a "dar expediente", o chefe do Legislativo não criou um fato novo, mas conferiu peso institucional a um rumor persistente.

A suposta existência de "funcionários fantasmas" na folha de pagamento do município já era um tema amplamente dissecado em grupos de WhatsApp, explorado pela oposição e, inclusive, objeto de negativa pública anterior por parte do vice-prefeito. No entanto, quando a denúncia velada parte do presidente do Poder Legislativo — impulsionada pelo rompimento político e seu apoio a nomes fora da base, como Mendonça Filho —, o assunto deixa a planície das especulações virtuais e exige tratamento de Estado.

A Falácia da Prevaricação e a Retórica Política.

Diante da repercussão nos blogs locais, como as análises pertinentes de Nill Júnior e do Blog do Finfa entre os dias 24 e 25 de agosto, levantou-se a hipótese de que Vicentinho estaria cometendo o crime de prevaricação ao não formalizar a denúncia. Do ponto de vista estritamente técnico e dogmático, essa tipificação é juridicamente frágil e improcedente.

O Direito Penal, operando como ultima ratio, exige materialidade e dolo específico. A fala acalorada em uma entrevista possui claros contornos de retórica política. A prevaricação (art. 319 do Código Penal) demandaria a comprovação de que o parlamentar possuía provas materiais do crime de peculato e, intencionalmente, retardou sua apuração para satisfazer interesse pessoal.

Além disso, a Constituição Federal, em seu art. 29, VIII, assegura a inviolabilidade dos vereadores por suas palavras no exercício do mandato. Portanto, transformar a fala de Vicentinho em crime de prevaricação é ignorar a teoria do crime e confundir disfunção político-administrativa com ilícito penal. O vereador publicizou uma suspeita; o foco, agora, deve ser o alvo dessa suspeita, e não o mensageiro.

A Convocação dos Órgãos de Controle.

O afastamento da tese de prevaricação não exime o caso de medidas formais. A declaração em rádio funciona como uma robusta notitia criminis. Se o Legislativo, por inércia ou conveniência eleitoral, falha em seu dever primário de requerer folhas de ponto e relatórios de produtividade, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) devem atuar de ofício.

O Poder Executivo de Afogados da Ingazeira tem a obrigação moral e legal de se antecipar e abrir sua caixa-preta. A transparência não pode ser um conceito abstrato; ela se materializa na demonstração inequívoca de que cada centavo pago em comissões ou contratos temporários corresponde a um serviço efetivamente prestado à população. A inação dos órgãos de controle, neste momento, seria uma chancela tácita ao compadrio.

O Preço da Imoralidade Administrativa.

No âmago dessa crise institucional repousa uma reflexão profunda sobre o aspecto da moralidade pública. A figura do "funcionário fantasma" é a mais cruel das corrupções silenciosas. Ela não apenas drena recursos que deveriam ser investidos em postos de saúde, escolas e infraestrutura, mas também subverte a essência do Estado, transformando a folha de pagamento em moeda de troca para a manutenção de feudos políticos.

Quando o dinheiro do contribuinte financia a ociosidade disfarçada de militância, toda a sociedade sangra. O episódio em Afogados da Ingazeira é um teste de fogo para as instituições republicanas locais. Ou o sistema de freios e contrapesos funciona para expurgar essas práticas, ou aceitaremos passivamente que a administração pública seja reduzida a um balcão de negócios onde o trabalho é opcional, mas o salário — pago com o suor da população — é garantido.

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Coluna

O Escândalo Amisadai e o Efeito Bumerangue na Disputa pelo Governo de Pernambuco

Denúncia sobre suposto "gabinete do ódio" gera exoneração no Governo do Estado, mas a ofensiva da oposição para desgastar o Palácio do Campo das Princesas sofre um revés: a internet ressuscita o passado digital sombrio do PSB, nivelando os danos na corrida eleitoral.

Albertino Blima27 de agosto de 20263 min de leitura
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A Anatomia da Crise e a Resposta Institucional.

A política pernambucana foi sacudida nesta semana por uma reportagem da TV Record que trouxe à luz as engrenagens do que seria uma rede de disseminação de notícias falsas com o objetivo de "desidratar" adversários políticos, notadamente o atual prefeito do Recife e candidato ao governo, João Campos (PSB). No centro do escândalo está Amisadai Andrade da Silva, servidor cedido que ocupava o cargo comissionado de Superintendente de Operações da Arena de Pernambuco.

A investigação jornalística, ancorada em apurações da Polícia Federal, apontou vínculos de Amisadai com a empresa Portal Comunicação e Marketing LTDA, responsável por páginas com milhares de seguidores e supostamente beneficiada por contratos de publicidade estadual. É imperativo registrar, sob a ótica republicana, que a estruturação de milícias digitais para difamação é uma prática criminosa e nefasta, que deve ser rigorosamente investigada, combatida e expurgada da política.

A resposta administrativa do Executivo foi imediata. A governadora Raquel Lyra (PSD) assinou a exoneração do servidor logo após a veiculação do caso. Em nota oficial, o Governo de Pernambuco ressaltou que todos os seus contratos de publicidade obedecem a processos licitatórios legais e critérios técnicos. No campo jurídico, a defesa de Amisadai negou veementemente a autoria das publicações difamatórias posteriores ao ano de 2024, afirmando não responder mais pela empresa no período citado.

O Erro de Cálculo e o Passado Requentado.

Como é praxe em períodos eleitorais, o episódio foi rapidamente encampado pela campanha de João Campos. O candidato socialista mobilizou suas redes sociais gravando vídeos com tom de indignação, tentando capitalizar politicamente o escândalo para desgastar a imagem de Raquel Lyra e consolidar a narrativa de vítima de um sistema oculto.

Contudo, na era da informação, o passado não prescreve. A estratégia do PSB revelou-se um clássico caso em que "o tiro saiu pela culatra". Ao alçar a pauta das milícias digitais ao topo do debate público, a campanha socialista inadvertidamente despertou a memória da internet. Em poucas horas, internautas, influenciadores e adversários políticos resgataram antigas matérias denunciando o chamado "gabinete do ódio do PSB" — uma estrutura semelhante que operou em gestões passadas, envolvendo ex-secretários estaduais e figuras de alto escalão vinculadas ao partido, e que havia caído no esquecimento popular.

O Impacto nas Campanhas e o Saldo da Narrativa.

Do ponto de vista da análise política e estratégica, o saldo do episódio é um desgaste mútuo. Para o Palácio do Campo das Princesas, o abalo ocorreu na quebra momentânea do discurso de nova política, exigindo de Raquel Lyra uma manobra rápida de controle de danos (a exoneração) para estancar a crise.

Para João Campos, no entanto, o prejuízo analítico pode ser mais profundo. A tentativa de monopolizar a virtude moral na internet falhou ao esbarrar no histórico de seu próprio grupo político. Ao requentar a discussão sobre fake news, o PSB colocou o seu próprio telhado de vidro à mostra, permitindo que a base adversária rebatesse as críticas com acusações de hipocrisia.

O eleitor pernambucano, calejado, assiste a uma guerra de narrativas onde a lama jogada no adversário mancha também as próprias mãos. O impacto imediato para as eleições de 2026 é um nivelamento por baixo das campanhas no ambiente digital, obrigando os comandos estratégicos de ambos os lados a recalcular rotas. Fica evidente que, na atual conjuntura, apostar no desgaste alheio sem analisar as vulnerabilidades do próprio histórico é um erro primário que o ecossistema digital não perdoa.

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Terremoto Político no Pajeú: Sete Vereadores da Base Governista de Afogados Ignoram Alinhamento Histórico e Decidem Apoiar Mendonça Filho para o Senado

Em articulação liderada por Vicentinho Zuza, parlamentares do grupo de Sandrinho Palmeira rompem com a lógica ideológica tradicional da esquerda no município, provocando reconfigurações e unindo até históricos desafetos no mesmo palanque.

Albertino Blima24 de agosto de 20262 min de leitura
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O cenário político no Sertão do Pajeú foi sacudido por uma movimentação de bastidores de fortes proporções. Em decisão antecipada pelo blog Corujão do Pepeu, sete vereadores que compõem a base de sustentação do prefeito Sandrinho Palmeira (PSB) em Afogados da Ingazeira selaram apoio oficial à pré-candidatura de Mendonça Filho (PL) ao Senado Federal nas eleições de 2026.

A articulação ganhou contornos definitivos durante agenda na capital pernambucana. O presidente da Câmara Municipal de Afogados da Ingazeira, Vicentinho Zuza, esteve no Recife para se reunir pessoalmente com Mendonça Filho e ratificar a aliança. A adesão não veio de forma isolada: um grupo expressivo de parlamentares governistas decidiu marchar junto na mesma direção.

O Grupo de Apoiadores.

Uniram-se na declaração de apoio ao candidato do PL os seguintes vereadores:

  • Vicentinho Zuza (Presidente da Câmara)

  • Douglas Eletricista

  • Cancão

  • Cícero Miguel

  • Gal Mariano

  • Simone da Feira

  • Mário Martins

A Força da Chegada de Mendonça na Disputa Majoritária.

A decisão do grupo sertanejo ocorre em um momento estratégico no tabuleiro estadual. Após reorganizações internas na direita pernambucana, a postulação de Mendonça Filho ao Senado ganhou tração, posicionando-o competitivamente na busca por uma das duas cadeiras em disputa. Ex-governador, ex-ministro da Educação e atual deputado federal, Mendonça unificou setores da direita e consolidou forte presença no interior, transformando-se em uma alternativa real frente aos nomes governistas e consolidados da capital. Sua entrada firme na disputa no Pajeú demonstra a capacidade de capilarização de sua campanha na região.

Fissura na Base e o Pragmatismo que Atropela a Ideologia.

A adesão causa espanto no meio político por dois fatores centrais. O primeiro é o nítido sinal de afastamento da base parlamentar em relação à orientação do prefeito Sandrinho Palmeira. Naturalmente, esperava-se que os vereadores situacionistas alinhassem seus discursos e bases com candidaturas da frente de esquerda/centro-esquerda — predominantemente associadas a nomes como Marília Arraes e Humberto Costa. A debandada de mais da metade da bancada governista para o palanque de Mendonça expõe uma fragilidade na coordenação política municipal.

O segundo ponto de estranhamento é o abismo ideológico. Trata-se de parlamentares com histórico de discursos alinhados ao campo progressista, abraçando a candidatura de um expoente da direita e figura historicamente ligada ao conservadorismo e ao bolsonarismo.

O Inusitado Encontro no Mesmo Palanque.

Outro desdobramento emblemático é a convivência compulsória que a eleição vai impor no cenário local. Mendonça Filho já contava com o apoio prévio do vereador Edson dos Cosméticos, representante da extrema-direita na Câmara e protagonista de intensos e constantes confrontos ideológicos contra parlamentares como Mário Martins. Agora, opositores ferrenhos no plenário local se veem forçados a dividir o mesmo palanque majoritário.

Esse fenômeno evidencia como o pragmatismo eleitoral do municipalismo frequentemente sobrepõe barreiras ideológicas e rivalidades pessoais. Em busca de pontes com o poder federal e viabilidade regional, a doutrina partidária cede espaço à conveniência de sobrevivência política local.

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Marconi Santana consolida expansão política na Região Metropolitana em ato ao lado de Raquel Lyra em Nova Descoberta

Ex-prefeito de Flores por quatro mandatos, Marconi Santana demonstra força eleitoral na Zona Norte do Recife, mobilizando eleitores e reafirmando alinhamento estratégico com a governadora na disputa estadual.

Albertino Blima24 de agosto de 20262 min de leitura
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A Força da Articulação na Zona Norte.

A caminhada política realizada neste domingo (23) no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, marcou um momento de forte demonstração de capilaridade eleitoral para o candidato a deputado estadual Marconi Santana. Ao lado da governadora Raquel Lyra, o ato reuniu uma multidão de moradores e lideranças comunitárias que entoaram o número 55155, consolidando uma presença territorial expressiva fora de sua base histórica no Sertão.

O evento evidenciou que a estratégia de expansão da campanha para a Região Metropolitana do Recife (RMR) tem gerado resultados concretos. Em uma das comunidades com maior peso político da capital pernambucana, a recepção calorosa reforçou o reconhecimento ao trabalho político prévio de Marconi Santana.

Gestão Consolidada e Nova Fase na Assembleia.

Reconhecido por sua trajetória de quatro mandatos à frente da Prefeitura de Flores e pela liderança em órgãos de representação municipalista no interior, Marconi traz para a disputa estadual uma bagagem administrativa marcada por entregas estruturais em áreas como saúde, educação e infraestrutura hídrica.

Essa experiência de gestão tem servido de alicerce para dialogar diretamente com os eleitores da capital e da RMR. No ato em Nova Descoberta, levantamentos preliminares de lideranças locais apontam que o candidato se posiciona como um dos nomes de referência na preferência do eleitorado daquela região, reflexo de articulações consistentes e de uma campanha focada na proximidade com o cidadão.

Alinhamento Político e Perspectivas Eleitorais.

O evento deste domingo também serviu para ratificar o compromisso político com a reeleição da governadora Raquel Lyra, de quem Marconi é apoiador declarado. A parceria estreita entre os palanques reforça um projeto administrativo focado na continuidade de parcerias institucionais entre o Governo do Estado e os municípios pernambucanos.

A leitura objetiva deixada pelo ato em Nova Descoberta é a de que a campanha de Marconi Santana transcende os limites regionais do Sertão do Pajeú, projetando-se com solidez no cenário metropolitano e ampliando sua representatividade no debate político estadual.

Confira as fotos do evento no Instagram do Portal Pólis.

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Coluna

A indignação entrou de férias? Pedido de impeachment acende alerta sobre dinheiro público em Pernambuco

Deputados protocolaram pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause e a secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti, citando suspeitas de possíveis irregularidades e conflito de interesses. Mais do que disputa política, o caso levanta uma pergunta que deveria interessar a todos: o dinheiro público está sendo usado corretamente?

Jurandir Junior24 de agosto de 20263 min de leitura
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Fala, Junior!

“Quando o dinheiro é público, a pergunta também deve ser pública: para onde ele foi?”

Tem coisa que deveria fazer barulho. E muito. Mas, aparentemente, em tempos de política acelerada, até a indignação resolveu tirar férias.

Nesta quinta-feira (20), os deputados estaduais Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes protocolaram, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.

Calma. Pedido de impeachment não é condenação. É um pedido que precisa ser analisado, apurado e, sobretudo, submetido ao devido processo. E é justamente aí que mora a parte mais importante dessa história.

Segundo os parlamentares, existem suspeitas de possíveis crimes de responsabilidade, atos que poderiam causar prejuízo ao patrimônio público e irregularidades na aplicação de recursos.

O ponto mais delicado da representação envolve a relação entre Priscila Krause e a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, unidade que, conforme apontado pelos deputados, tem como principal sócio e administrador Jorge Branco, marido da vice-governadora.

E aí aparece aquela pergunta que ninguém deveria ter medo de fazer: houve conflito de interesses?

Os deputados afirmam que, durante o período em que Priscila esteve à frente do Governo de Pernambuco de forma interina, foram autorizados cerca de R$ 200 milhões em orçamento, recursos que, segundo a denúncia, também poderiam alcançar a unidade de saúde ligada ao marido dela.

Se há dinheiro público envolvido, a discussão não deveria ser transformada imediatamente em torcida organizada.

Não é “sou contra Priscila”.
Não é “sou a favor de Priscila”.
Não é “meu deputado está dizendo, então é verdade”.
E também não é “meu grupo político está sendo acusado, então é perseguição”.

É dinheiro público.

E dinheiro público tem uma característica curiosa: não pertence ao governo, ao deputado, ao secretário, ao partido ou ao grupo político da vez. Pertence à sociedade.

Por isso, qualquer indício razoável de possível mau uso dos recursos públicos merece investigação. Não para condenar antecipadamente ninguém, mas justamente para descobrir se houve irregularidade — ou se a acusação não se sustenta.

O problema é que parece que estamos perdendo a capacidade de nos indignar.

Antigamente, bastava aparecer a suspeita de uma verba pública mal explicada para surgir uma multidão perguntando: “Como assim?”

Hoje, dependendo de quem está no alvo, uma parte comemora e outra parte passa pano.

E aí temos um problema maior do que qualquer disputa política: a transformação da fiscalização em torcida.

Se a denúncia é contra o adversário, exigimos investigação, CPI, impeachment, auditoria, Ministério Público, Tribunal de Contas e, se deixar, até o FBI.

Se a suspeita envolve alguém de quem gostamos, de repente descobrimos uma palavra muito confortável: “contexto”.

Ora, contexto é importante. Mas contexto não substitui investigação.

Priscila Krause tem todo o direito de apresentar sua versão, assim como a Secretaria de Saúde e os demais envolvidos. E devem ter espaço para isso. A ausência de uma manifestação até o momento também não pode ser transformada automaticamente em admissão de culpa.

Mas existe uma regra simples que deveria valer para todos os lados: suspeita se investiga; prova se analisa; culpa se estabelece dentro da lei.

É assim que uma democracia madura funciona.

O que não podemos aceitar é que o cidadão fique assistindo à disputa política como quem acompanha uma partida de futebol, enquanto a pergunta fundamental desaparece no meio da arquibancada: o dinheiro público foi aplicado corretamente?

Se foi, ótimo. Que a investigação esclareça e coloque os pingos nos is.

Se não foi, que os responsáveis sejam responsabilizados, independentemente do partido, do cargo ou da amizade política.

Porque governante não recebe dinheiro público como prêmio. Recebe a responsabilidade de administrá-lo.

E talvez esteja na hora de recuperar uma coisa que a política brasileira parece ter perdido no caminho: a capacidade de indignação seletivamente zero.

Que a indignação não tenha CPF, partido, ideologia ou candidato preferido.

Porque quando o dinheiro é público, a fiscalização também precisa ser.

No fim das contas, a política pode até dividir opiniões. Mas o dinheiro do povo deveria unir todos em uma única pergunta: foi usado corretamente?


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Coluna

O Microfone Aceita Tudo: A Conta da Ilusão de João Campos

No palanque da Mustardinha, o prefeito veste a capa de "solucionador supremo", promete milagres para Pernambuco e ignora que arrumar a casa de verdade exige mais calo nas mãos e menos espetáculo. Prometer hospital, escola e passe de mágica no microfone é fácil; o difícil é encarar a poeira, ajustar as contas e fazer a reconstrução pesada de um Estado longe dos holofotes e das redes sociais.

Jurandir Junior24 de agosto de 20262 min de leitura
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Fala, Junior!

“Como diz a sabedoria popular: de boas intenções e promessas de palanque, o inferno e o arquivo morto do Tribunal de Contas estão cheios.”

A noite de quarta-feira na Mustardinha teve clima de lançamento de filme de super-herói. O protagonista? João Campos, que subiu ao palanque vestindo a capa de "O Grande Solucionador". Em um discurso inflamado, o socialista mirou na gestão estadual e soltou o verbo, afirmando que o pessoal do Estado só sabe reclamar das dificuldades e dar desculpas. Ele, por outro lado — um verdadeiro espartano —, garantiu que assumiu a prefeitura no caos da pandemia e "não reclamou da vida".

É fascinante a ótica de palanque, não é mesmo? É muito fácil bater no peito, posar de intocável e dizer que faz e acontece quando se tem uma máquina municipal relativamente domada e um marketing que faria inveja aos estúdios de Hollywood. Agora, herdar a chave de um Estado inteiro, com uma bagunça estrutural e financeira daquelas de fazer qualquer contador chorar no banho, é uma missão que exige um pouco mais de calo nas mãos e menos gel no cabelo. Arrumar a casa, tapar os buracos do passado e equilibrar as contas sem fazer barulho não rende dancinha nas redes sociais, mas é exatamente o que impede que o teto desabe na nossa cabeça lá na frente.

Mas João não parou por aí. Ele lançou a sua frase de ouro: “Se quem está no governo hoje acha as coisas difíceis, pode deixar que eu vou resolver”. Pronto, minha gente! O mistério de Pernambuco acabou. É só entregar a caneta para o rapaz que ele levanta hospital, UPA, escola técnica e, quem sabe, até uma base de lançamento de foguetes da NASA num passe de mágica. Essa mania de tratar a administração de um Estado complexo como se fosse a sindicância de um condomínio beira-mar é um clássico das eleições.

E para completar a liga da justiça pernambucana, Marília Arraes também pegou o microfone. A candidata ao Senado fez questão de avisar que está "pronta, madura e preparada". Lembrou a todos que é a única mulher na disputa (um ponto super válido, diga-se de passagem) e tratou de fazer o tradicional combo de campanha: colou sua imagem na de Lula e afagou João Campos. Afinal, na política, a gente sabe que ninguém solta a mão de ninguém quando acha que o vento está soprando a favor.

No fim das contas, a caminhada na Mustardinha entregou exatamente o que se espera dessa época do ano: um mundo de fantasias onde a gestão pública é um mar de rosas e todos os problemas se resolvem com um estalar de dedos e um sorriso no rosto.

“O microfone aceita qualquer milagre, mas é o trabalho silencioso nos bastidores e a paciência de consertar os alicerces quebrados que revelam quem tem pulso para governar a realidade.”

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Editorial

A Ilusão da Polarização e o Cativeiro Institucional: Como a Conivência Eleitoral Entregou o Brasil ao Centrão

Enquanto a militância se desgasta em uma guerra cultural estéril e tolera escândalos de corrupção sob o manto da conveniência partidária, o Centrão consolida o controle definitivo sobre o orçamento e os rumos da República.

Albertino Blima20 de agosto de 20263 min de leitura
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A anestesia moral da polarização política

O cenário político brasileiro atravessa um de seus momentos mais degradantes, caracterizado não apenas pela sofisticação dos esquemas de cooptação do aparelho estatal, mas, sobretudo, pela anestesia moral da sociedade. O verdadeiro motor da impunidade contemporânea reside na escolha deliberada do eleitor em fechar os olhos para os desvios cometidos por seus aliados de estimação. A indignação se tornou seletiva: acusa-se o adversário com virulência, enquanto se justifica o aliado com malabarismos retóricos.

Essa dinâmica de autoengano transparece na reação pública frente às recentes denúncias de corrupção, desvios em órgãos públicos e articulações financeiras heterodoxas envolvendo figuras de proa do cenário nacional. De um lado, contorna-se o escândalo sob a justificativa de que a oposição representaria um mal maior; do outro, relativiza-se o ilícito alegando que as instituições continuam a funcionar. Trata-se de uma falsa equivalência ética em que a ausência de punição efetiva e a leniência dos seguidores perpetuam a sangria dos cofres públicos.

O mito do 'DNA corrupto' e a evolução histórica do desvio

Para justificar a passividade, recorre-se com frequência ao mito conformista de que a corrupção seria um traço intrínseco à identidade cultural brasileira. A historiografia política, contudo, desmente essa premissa. O patrimonialismo e o peculato de grande escala não são marcas biológicas da nação, mas fruto de falhas institucionais e ausência de punição sistemática. Até meados do século XX, desvios de recursos públicos eram exceções ruidosas que escandalizavam a opinião pública.

O salto quantitativo e estrutural da corrupção no país ocorreu em momentos específicos da história recente: no ímpeto desenvolvimentista da construção de Brasília, que isolou centros decisórios em estatais, e, posteriormente, durante o regime militar, quando grandes obras de infraestrutura e a censura sufocaram a fiscalização pública, consolidando a promiscuidade entre o poder estatal e grandes empreiteiras. A lição histórica é clara: a corrupção floresce onde a certeza da punição é substituída pela garantia da impunidade.

A hegemonia do Centrão e o esvaziamento do projeto de país

O desdobramento mais severo desse processo de cegueira ideológica é o sequestro da governabilidade pelo fisiologismo. O desgaste e a fraqueza estrutural dos sucessivos governos federais nas últimas décadas permitiram que o chamado Centrão deixasse de ser um mero balcão de negócios para se tornar o detentor real do poder político e orçamentário no Brasil.

Longe de representarem projetos nacionais de desenvolvimento, reformas estruturais ou visões de longo prazo, as oligarquias regionais operam sob a lógica da manutenção do poder local, do controle de emendas e da perpetuação de currais eleitorais. Enquanto a militância de esquerda e de direita trava embates ideológicos nas redes sociais e nas ruas, a estrutura orçamentária do país é gerida por atores que não dependem do debate de ideias para se perpetuar.

A urgência da ruptura com o autoengano

Seja qual for o resultado dos próximos pleitos presidenciais, a margem de manobra do Poder Executivo encontra-se drasticamente reduzida. A alternância de nomes no Palácio do Planalto oferece apenas uma alteração cosmética na vitrine do poder, enquanto as engrenagens decisórias permanecem sob o domínio das mesmas forças fisiológicas.

Superar a crise institucional brasileira exige romper com a armadilha do ressentimento mútuo e com o conformismo cultural. A reconstrução da integridade pública depende da restauração de um padrão ético universal, no qual a cobrança por transparência e a exigência de punição não dependam da filiação partidária do acusado. Enquanto a sociedade aceitar o roubo sob o pretexto de combater um inimigo comum, o Brasil continuará refém de um sistema desenhado para se autoimunizar.

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Marconi Santana e Izabel Urquiza: A Engenharia Política por Trás da Nova Dobradinha em Olinda

Ex-prefeito de Flores consolida candidatura estadual pelo PSD e firma aliança estratégica com a liderança olindense para a Câmara Federal, traçando uma ponte eleitoral entre o Sertão e a Região Metropolitana.

Albertino Blima20 de agosto de 20262 min de leitura
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A Arquitetura da Aliança Territorial

A recente articulação entre Marconi Santana e Izabel Urquiza revela uma leitura pragmática do xadrez político pernambucano para as eleições de 2026. Ao oficializar o apoio mútuo, a dobradinha une duas frentes que necessitam de expansão territorial para garantir competitividade em seus respectivos pleitos.

A confirmação de Marconi Santana (PSD) como candidato à Assembleia Legislativa, registrada no levantamento do UOL Notícias, marca o momento de transcender seu capital político original. Ex-prefeito de Flores por quatro mandatos, com um histórico de vitórias no Sertão acompanhado pelo G1 Caruaru e Região, Marconi compreende que uma cadeira na Alepe exige pulverização de votos. A chegada em Olinda, portanto, não é ocasional; é a busca calculada por um reduto urbano de peso.

O Capital Político em Olinda

Do outro lado da mesa, Izabel Urquiza consolida seu projeto rumo a Brasília. Figurante na lista de postulantes à Câmara Federal de GZH, Izabel agrega à aliança a vitalidade de um recall eleitoral significativo na cidade histórica, tendo recebido mais de 51 mil votos no último pleito municipal.

Para Izabel, a parceria com Marconi preenche uma lacuna fundamental: a interiorização. Enquanto ela domina a cartografia eleitoral de redutos olindenses como Jardim Fragoso e Cidade Tabajara, o ex-prefeito de Flores traz na bagagem a capilaridade de lideranças espalhadas por outras regiões do estado. É uma troca de expertises e bases de apoio onde o Sertão do Pajeú e o Litoral se encontram em um projeto comum.

Identidade Visual e o Alinhamento ao Palácio

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A oficialização da campanha de Marconi Santana nas ruas, apresentando o número 55155, sinaliza também o alinhamento orgânico com a base governista. O mote "Pelo povo, por Pernambuco" e a vinculação direta à legenda da governadora Raquel Lyra (PSD) indicam que a estrutura de campanha não visa apenas a eleição parlamentar, mas também o fortalecimento de um bloco partidário governista robusto.

Esta dobradinha em Olinda traduz a realidade das campanhas proporcionais contemporâneas: a vitória depende de redes de apoio descentralizadas. Ao unir a experiência administrativa de quem governou o interior com o peso do voto urbano e histórico, a parceria Santana-Urquiza demonstra que, no jogo legislativo de 2026, isolamento é sinônimo de derrota, e a colaboração regional cruzada é a principal moeda de troca.

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Justiça e Segurança

Abuso de Poder em Jogo: O Cerco se Fecha contra Sandrinho Palmeira e Daniel Valadares no TRE-PE

A iminência do julgamento no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) coloca a chapa majoritária de Afogados da Ingazeira contra as cordas, após condenação por um escandaloso esquema de caixa dois e uso da máquina pública para compra de apoio eleitoral através de distribuição de combustíveis.

Albertino Blima20 de agosto de 20263 min de leitura
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A política pernambucana acompanha com atenção os desdobramentos de um caso emblemático que pode reconfigurar o cenário administrativo no Sertão do Pajeú. O processo que resultou na cassação, em primeira instância, do prefeito de Afogados da Ingazeira, Sandrinho Palmeira, e do seu vice, Daniel Valadares, avança a passos largos. A recente movimentação processual, noticiada pelo Blog Juliana Lima, indicando que os autos encontram-se para "conferência de relatório, voto e ementa", sinaliza que a inserção na pauta de julgamento do TRE-PE é iminente.

O Flagrante e a Anatomia do Esquema "MJSL"

Para compreender a gravidade do caso que agora chega à instância superior, é preciso resgatar os fatos que balizaram a dura sentença proferida pelo juiz eleitoral José Anastácio Guimarães Figueiredo Correia, corroborada posteriormente na rejeição dos embargos de declaração pela juíza Daniela Rocha Gomes. A condenação não derivou de meras ilações, mas de um flagrante policial contundente que descortinou as engrenagens de uma campanha viciada.

Conforme amplamente divulgado pelo G1 - Caruaru e Região e pelo portal Causos e Causas, o pivô do escândalo foi o então secretário de Finanças e coordenador da campanha majoritária, Jandyson Henrique Xavier Oliveira. A dois dias da eleição municipal de 2024, Jandyson foi interceptado pela Polícia Militar portando R$ 35 mil em espécie e mais de R$ 240 mil materializados em notas fiscais, cupons e autorizações de abastecimento. A investigação apontou que grande parte dessa documentação estava vinculada à sigla oculta "MJSL", um código utilizado para identificar os beneficiários da campanha de Sandrinho.

A sentença de primeira instância foi taxativa ao descrever uma fraude operada em três eixos:

  1. Uso Descarado da Máquina Pública: Carros particulares da militância eram supostamente abastecidos sob a custa e nomenclatura da própria Prefeitura de Afogados da Ingazeira.

  2. Logística Paralela Inescrupulosa: Através da sigla "MJSL", veículos eram autorizados a abastecer burlando os limites impostos pela legislação eleitoral para participação em carreatas.

  3. Caixa Dois Desenfreado: A utilização de recursos não declarados na prestação oficial de contas para irrigar o esquema de combustíveis e captar votos.

O Peso da Má Escolha e o Julgamento Iminente

A defesa de Sandrinho Palmeira e Daniel Valadares tem se ancorado no argumento de que ambos não tinham conhecimento das atividades operadas pelo coordenador de campanha, sustentando que a aprovação das contas eleitorais com trânsito em julgado provaria a lisura da chapa. No entanto, a justiça de primeira instância não foi conivente com a tese de ignorância.

Ao analisar o mérito, o judiciário enquadrou o prefeito Sandrinho Palmeira nas figuras jurídicas da culpa in eligendo (má escolha) e culpa in vigilando (falha em fiscalizar). Ao centralizar o controle da frota municipal e o caixa financeiro da campanha na mesma figura (Jandyson Henrique), a gestão assumiu, na visão da magistratura, o risco deliberado dessa simbiose nefasta. A justiça classificou como "ingênua" a alegação de desconhecimento diante da "repetição programada e organizada do esquema".

Agora, o destino da chapa repousa nas mãos dos desembargadores eleitorais. A inclusão do processo em pauta no TRE-PE ganha ainda mais peso diante do parecer emitido no último mês de julho pelo Ministério Público Federal (MPF), que, através da Procuradoria Regional Eleitoral, manifestou-se pela manutenção integral da cassação e da inelegibilidade de 8 anos para os envolvidos. O julgamento que se aproxima não definirá apenas o futuro político de Sandrinho e Daniel, mas também o rigor da Justiça frente às velhas práticas de cooptação eleitoral financiadas pelas sombras.

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Justiça e Segurança

O Preço da Impunidade: CNJ Investiga Juiz que Arquivou Ação Contra a Gestão João Campos e Teve Filho Nomeado

A decisão do Conselho Nacional de Justiça de investigar a conduta do magistrado Rildo Vieira escancara as engrenagens de uma suposta e perniciosa troca de favores no Recife, acendendo um alerta vermelho sobre as relações umbilicais entre o Executivo municipal e o Judiciário.

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A recente determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) coloca sob os holofotes uma das dinâmicas mais nocivas à República: a suspeita de cooptação mútua entre poderes. De acordo com o Afogados On-Line, a Corregedoria Nacional de Justiça ordenou que o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) apure as condutas do juiz Rildo Vieira da Silva. O magistrado, titular da Vara Regional de Crimes Contra o Patrimônio Público do Recife, é alvo de escrutínio por um encadeamento de fatos que, vistos em perspectiva histórica, desenham um roteiro clássico de patrimonialismo institucional.

O Arquivamento Relâmpago e a Nomeação Providencial

A cronologia dos acontecimentos desafia a presunção de mera coincidência. No final de 2025, a Justiça pernambucana deparou-se com o avanço da Operação Barriga de Aluguel, uma robusta investigação do Ministério Público que apontava fraudes e desvios milionários na Prefeitura do Recife, com contratos que ultrapassavam a cifra de R$ 100 milhões, voltados à manutenção predial. De acordo com informações levantadas pelo G1 - Globo, poucas horas após assumir o processo, o juiz Rildo Vieira determinou a anulação dos atos da operação, blindando a gestão municipal de consequências legais iminentes.

O ato judicial já seria motivo de estranheza pela sua celeridade incomum, mas o quadro se agravou substancialmente semanas depois. Cerca de um mês após o arquivamento, o prefeito João Campos nomeou o advogado Lucas Vieira Silva — filho do juiz em questão e de uma procuradora do Ministério Público de Contas — para o prestigioso cargo de procurador do Recife. O herdeiro saltou da 63ª posição no concurso público para o primeiro lugar das vagas reservadas a Pessoas com Deficiência (PCD), apresentando um laudo de autismo de forma extemporânea, contrariando até mesmo os pareceres técnicos de três procuradoras de carreira. Apenas após forte pressão da sociedade, o prefeito recuou e cancelou a nomeação.

O Risco Democrático e a Arrogância do Poder

O que este episódio revela não é apenas um deslize administrativo, mas um indicativo de relações espúrias que ameaçam o alicerce democrático. Quando o chefe do Executivo municipal demonstra ter laços tão estreitos com membros do Judiciário a ponto de, sob a sua caneta, despachar nomeações que beneficiam diretamente o magistrado que outrora o aliviou de investigações criminais, o Estado de Direito é colocado em xeque.

A atuação de João Campos neste caso expõe uma face sombria da política nacional: a crença na intocabilidade. Um político não pode se sentir acima da lei, operando a máquina pública como se fosse um apêndice de seus interesses privados e alianças de conveniência. A tentativa de abafar o caso no âmbito legislativo foi evidente. De acordo com a Revista Veja, os pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foram sumariamente engavetados. Além disso, o G1 - Globo noticia que recursos e pedidos de impeachment sequer prosperaram na Câmara Municipal do Recife, revelando um escudo protetor que asfixia a fiscalização.

A Necessidade Implacável de Respostas

A intervenção do CNJ, motivada por representação formal e sob a liderança do ministro Mauro Campbell Marques, é um respiro de moralidade. O órgão exigiu respostas que o magistrado se esquivou de dar, recusando-se a refutar a quebra de transparência e o descumprimento do Código de Ética da Magistratura.

Para a sobrevivência da República, não há margem para conchavos de gabinete. É inadmissível que investigações de desvios milionários do dinheiro do contribuinte sejam ceifadas no nascedouro e que as benesses do poder sejam distribuídas como moeda de troca. A investigação precisa ser exaustiva. As instituições não podem ser reféns da vaidade de gestores que, embriagados pelo poder, acreditam que tudo podem. A transparência não é uma concessão, é uma imposição da lei, e a Justiça deve, acima de tudo, ser implacável com aqueles que juraram defendê-la.

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QUEM ARRUMA A CASA TAMBÉM PRECISA EXPLICAR A BAGUNÇA

QUEM ARRUMA A CASA TAMBÉM PRECISA EXPLICAR A BAGUNÇA, Em sua primeira grande caminhada da campanha no Recife, Raquel Lyra levou às ruas mais do que bandeiras e pedidos de voto: levou uma narrativa para defender sua gestão. Ao falar em “ordem na casa”, a governadora cutucou o palanque adversário e colocou a comparação entre governos no centro da disputa. Agora, terá que mostrar ao eleitor se a arrumação anunciada também aparece nos resultados.

Jurandir Junior19 de agosto de 20264 min de leitura
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FALA, JUNIOR!

QUEM ARRUMA A CASA TAMBÉM PRECISA EXPLICAR A BAGUNÇA

“Casa arrumada não precisa de placa na porta dizendo que está limpa.”

Mas, em ano eleitoral, até a vassoura ganha discurso, a faxina vira promessa e cada cômodo da casa passa a ter um padrinho político.

Foi nesse clima que Raquel Lyra chegou a Jardim São Paulo, no Recife, para sua primeira grande caminhada da campanha. E não chegou exatamente para distribuir sorrisos e apertos de mão.

Chegou com uma mensagem.

Ou melhor: com uma provocação.

“Precisou chegar uma mulher no governo pra colocar ordem na casa”, disse a governadora.

Ora, ora...

A frase certamente não foi escolhida por acaso.

Quando um político fala em “colocar ordem na casa”, está dizendo duas coisas ao mesmo tempo: que encontrou problemas e que acredita ter feito alguma coisa para resolvê-los.

A primeira parte interessa à oposição.

A segunda interessa a quem está no governo.

E é justamente aí que a eleição começa a ficar divertida.

Porque agora teremos dois grupos contando a mesma história com finais completamente diferentes.

De um lado, quem está no governo vai dizer:

“Olha o que fizemos.”

Do outro, quem está fora vai responder:

“Olha o que ainda falta fazer.”

E o eleitor, que não é bobo nem dorme de sapato, vai precisar decidir qual das duas versões chega mais perto da realidade.

Raquel parece ter escolhido não ficar esperando a oposição contar a história de sua administração.

E talvez seja uma decisão bastante lógica.

Quem governa e deixa o adversário narrar sozinho o que aconteceu durante seu mandato corre o risco de perder a eleição antes mesmo de começar a campanha.

A governadora, portanto, está fazendo o contrário: vai para a rua, conversa com eleitor, apresenta sua versão e coloca a gestão no centro da disputa.

É uma estratégia simples.

E, justamente por isso, pode ser eficiente.

Mas há uma ressalva.

Se a campanha vai falar de “ordem na casa”, será preciso abrir os armários.

Mostrar números.

Mostrar obras.

Mostrar resultados.

Mostrar o que mudou.

Porque dizer que organizou é fácil.

Difícil é apresentar a conta da organização.

E é aí que Raquel terá uma vantagem e, ao mesmo tempo, uma obrigação.

Vantagem porque está no comando do Estado e pode apresentar aquilo que seu governo entregou.

Obrigação porque, estando no governo, também será cobrada pelo que não entregou.

Política não vem com botão de “modo conveniente”.

Não dá para escolher apenas a parte bonita da gestão.

O eleitor também vai perguntar sobre aquilo que ficou pelo caminho.

E isso vale para Raquel, para a oposição e para qualquer candidato que apareça com uma solução milagrosa para Pernambuco.

Aliás, candidato que promete resolver tudo em quatro anos merece uma pergunta:

“E onde estava escondido esse botão mágico durante os últimos cem anos?”

Porque, na política, parece que todo problema tem solução.

Curiosamente, quase sempre a solução aparece três meses antes da eleição.

Mas voltemos à governadora.

Ao dizer que foi necessária a chegada de uma mulher para “colocar ordem na casa”, Raquel também está construindo uma imagem de firmeza.

Não é apenas uma frase sobre gênero.

É uma marca política.

A ideia é apresentar uma governadora que teria recebido uma máquina pública cheia de desafios e escolhido enfrentar a burocracia, organizar prioridades e tocar a gestão.

Se essa imagem vai convencer o eleitor, só as urnas poderão responder.

Mas uma coisa já ficou evidente:

Raquel não pretende disputar a eleição apenas no terreno da promessa.

Vai tentar disputar no terreno da comparação.

E isso muda bastante o jogo.

Porque promessa é sempre bonita.

Resultado é que dá trabalho.

E, quando o candidato pode dizer “eu fiz”, o adversário precisa encontrar uma resposta melhor do que simplesmente “não fez”.

É aí que a oposição terá seu desafio.

Não basta dizer que está tudo errado.

Será preciso explicar o que faria diferente e como faria.

Caso contrário, a crítica vira barulho de campanha.

E barulho de campanha Pernambuco já conhece de sobra.

Enquanto isso, Raquel vai fazendo aquilo que qualquer candidato à reeleição precisa fazer: colocar a própria gestão na vitrine.

Primeiro, na rua.

Depois, nos debates.

E, agora, também diante de quem entende de tecnologia e inovação.

Nesta quarta-feira (19), a governadora participa de uma sabatina do ecossistema de inovação do Porto Digital, discutindo propostas para tecnologia e inovação em Pernambuco.

Mais tarde, segue para Paulista, onde participa da Caminhada 55, em Paratibe.

Da tecnologia à caminhada.

Do debate técnico ao aperto de mão.

Da proposta para o futuro ao eleitor que está na calçada.

É assim que uma eleição vai tomando forma.

E talvez a frase mais importante dessa história não seja nem a da “mulher que colocou ordem na casa”.

Talvez seja outra:

quem está dentro da casa conhece melhor os cômodos — mas também será o primeiro a ser cobrado quando alguma coisa estiver fora do lugar.

Raquel sabe disso.

A oposição também.

E o eleitor, mais ainda.

No fim, ninguém vai votar porque ouviu que a casa está arrumada.

Vai votar se acreditar que ela está mesmo.

E essa diferença, aparentemente pequena, pode valer uma eleição inteira.

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Política

DEBATE SEM OS DOIS: QUANDO O MEDO DO PALCO FALA MAIS ALTO QUE A VONTADE DE GOVERNAR

Lula e Flávio Bolsonaro decidiram não participar do debate da Band, e a ausência dos dois levanta uma pergunta incômoda: estratégia eleitoral ou receio de encarar adversários e perguntas difíceis?

Jurandir Junior18 de agosto de 20265 min de leitura
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“Quem não deve, não teme”, diz o velho ditado. Mas, na política brasileira, parece que o ditado ganhou uma pequena atualização: quem tem muito a perder, pensa duas vezes antes de subir ao palco.

E é justamente aí que começa a história do debate presidencial da Band, marcado para o próximo domingo, dia 23.

Lula não deve comparecer. Flávio Bolsonaro também não. Um olha para o cenário e calcula os riscos. O outro olha para a ausência do adversário e diz, em resumo: “Se ele não vai, eu também não vou.”

Pronto. Temos um debate presidencial com uma pequena questão de matemática: dois candidatos fora, vários candidatos dentro e uma pergunta enorme na cabeça do eleitor: afinal, quem está fugindo de quem?

A estratégia de Lula é compreensível do ponto de vista eleitoral. O presidente é o principal alvo da maioria dos adversários e, em um debate com vários candidatos, pode virar uma espécie de “caixa eletrônico de críticas”: todo mundo chega, faz uma pergunta, dá uma pancada, olha para a câmera e tenta transformar os segundos de televisão em vídeo para as redes sociais.

É o famoso “bater no grande para aparecer”.

Mas existe um problema nessa estratégia.

Quem ocupa o cargo de presidente não é apenas candidato. É também o principal responsável pelas decisões tomadas no país. E, quando o eleitor quer ouvir explicações, não adianta simplesmente escolher os palcos mais confortáveis.

Debate não é sessão de massagem eleitoral.

É confronto.

É pergunta incômoda.

É aquele momento em que o candidato precisa explicar aquilo que o marqueteiro preferia deixar escondido atrás de uma música emocionante e uma imagem bonita de campanha.

Lula, portanto, pode até ter uma justificativa estratégica para faltar. Mas o eleitor também tem o direito de perguntar: se o presidente está seguro do caminho que está seguindo, por que não enfrentar os adversários justamente quando todos estão reunidos no mesmo lugar?

Agora vamos ao outro lado da mesa.

Flávio Bolsonaro decidiu colocar sua participação praticamente no mesmo pacote da presença de Lula. Sem Lula, não teria sentido ir.

E aqui também existe uma lógica política.

Flávio sabe que, sem Lula no palco, poderia virar o alvo principal dos demais candidatos. Ou seja: o candidato que espera enfrentar o principal adversário poderia acabar passando boa parte da noite respondendo aos ataques de quem está tentando justamente roubar uma fatia do eleitorado.

Mas há uma contradição interessante.

Se Flávio quer chegar ao segundo turno, precisa disputar espaço. E debate é justamente isso: espaço.

Não adianta querer o segundo turno e, ao mesmo tempo, escolher cuidadosamente os momentos em que se está disposto a conversar com o eleitor.

Porque candidato não pode escolher apenas a pergunta que gosta.

Se pudesse, debate seria maravilhoso.

O jornalista perguntaria:

— “Qual é sua proposta para o Brasil?”

O candidato responderia:

— “Minha proposta é excelente.”

A plateia aplaudiria.

E todos iriam para casa felizes.

Só que política não funciona assim.

O eleitor também quer saber aquilo que incomoda.

Quer saber sobre economia, segurança, saúde, educação, impostos, corrupção, gastos públicos, emprego, programas sociais e, principalmente, como o candidato pretende fazer aquilo que promete.

É aí que o debate deixa de ser espetáculo e vira prestação de contas.

E há ainda outra questão que merece atenção: a própria composição do debate.

As campanhas questionam os critérios usados pela Band para definir os convidados, inclusive pela presença de nomes que não aparecem no centro da disputa eleitoral. A crítica merece ser discutida, porque as regras de participação precisam ser claras e compreensíveis para o público.

Mas também seria conveniente que candidatos não transformassem qualquer discordância sobre as regras em uma desculpa permanente para ficar longe do microfone.

Afinal, se a regra não agrada, discute-se a regra.

Se o adversário não aparece, enfrenta-se quem apareceu.

Se existem candidatos considerados menores, deixa-se que o eleitor decida o tamanho deles.

Porque existe uma ironia nessa história toda: os candidatos podem estar tentando evitar o debate, mas talvez estejam justamente ajudando a torná-lo mais importante.

A ausência de Lula muda o jogo.

A ausência de Flávio muda o jogo novamente.

E, de repente, quem estava atrás nas pesquisas pode ganhar o holofote que não teria com os dois protagonistas no centro do palco.

Na política, às vezes, o tiro sai pela culatra.

Você evita um confronto para não dar munição ao adversário e acaba entregando munição justamente para os adversários que estavam procurando uma oportunidade.

No fim das contas, Lula tem seus motivos.

Flávio também.

Mas o eleitor tem os seus.

E talvez o principal deles seja bastante simples:

quem quer comandar o Brasil precisa estar preparado para responder pelo Brasil.

Não basta aparecer quando a pergunta é conveniente.

Não basta falar para quem já concorda.

Não basta escolher o palco.

Porque governar é justamente o contrário: é lidar com perguntas que não foram combinadas, problemas que não estavam no roteiro e situações que ninguém conseguiu prever.

Debate é apenas uma pequena amostra disso.

E, se os dois principais nomes da disputa decidirem mesmo ficar fora, o palco continuará montado.

As cadeiras estarão ocupadas.

Os microfones estarão ligados.

As câmeras estarão gravando.

Só vai faltar uma coisa:

os dois protagonistas.

E aí fica a pergunta que ninguém consegue evitar:

se Lula e Flávio querem convencer o eleitor de que estão preparados para enfrentar os problemas do Brasil, por que estão tão preocupados em enfrentar um ao outro diante das câmeras?

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Política

Raquel Lyra abre campanha com adesivaço e mobilização do Litoral ao Sertão

Raquel Lyra inicia oficialmente a campanha à reeleição com adesivaço no Recife e agenda que segue por Caruaru e Petrolina, reunindo apoiadores em uma mobilização que atravessa diferentes regiões de Pernambuco.

Jurandir Junior16 de agosto de 20261 min de leitura
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A campanha de reeleição da governadora Raquel Lyra começou neste domingo (16) com clima de mobilização e participação de apoiadores no Recife. O primeiro grande ato aconteceu na Zona Sul da capital, onde lideranças e militantes se reuniram para dar início às atividades da coligação Pernambuco de Coração.

O movimento começou com um adesivaço no comitê da Zona Sul, reunindo pessoas que participaram da abertura oficial da campanha. A expectativa era de que Raquel chegasse ao local ainda pela manhã para acompanhar de perto o início da programação.

Depois do primeiro compromisso no Recife, a agenda seguiu para a Zona Norte da capital. A programação também incluiu atividades em Caruaru e Petrolina, ampliando o alcance da abertura de campanha para diferentes regiões do Estado.

Com uma agenda que passa pelo Recife e chega ao Agreste e ao Sertão, o primeiro dia busca dar um tom de mobilização estadual à campanha, reunindo apoiadores em diferentes pontos de Pernambuco.

A movimentação deste domingo marca, assim, o pontapé inicial de uma caminhada eleitoral que pretende percorrer o Estado e colocar a governadora em contato direto com diferentes regiões e públicos ao longo dos próximos meses.

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Editorial

A Degradação da Diplomacia: O Preço Institucional da Política de Fricção

A escalada retórica entre líderes de Brasil, Argentina e Estados Unidos subverte a liturgia do Estado em favor do engajamento eleitoral, colocando em risco relações comerciais, institucionais e diplomáticas.

Albertino Blima11 de agosto de 20263 min de leitura
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O Fim das Fronteiras entre Estado e Palanque

A condução da política externa contemporânea enfrenta um grave curto-circuito provocado pela fusão entre as responsabilidades de Estado e o ativismo de campanha. Onde outrora imperava a diplomacia formal, os canais institucionais e o decoro, observa-se a contaminação das relações entre as nações por uma postura hostil e ideologizada, típica de disputas eleitorais. O Brasil encontra-se atualmente no epicentro desta tempestade, espremido entre as investidas diplomáticas e comerciais dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, e as provocações do presidente argentino, Javier Milei.

A ofensa pública tornou-se ferramenta política. O episódio em que o deputado republicano Carlos Gimenez, da Flórida, chama o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "porco" e divulga uma montagem em que o brasileiro aparece preso sob o domínio americano — agressões que encontraram eco no compartilhamento do próprio presidente da Argentina — ilustra a degradação do debate e a adoção de um comportamento comparável ao "bullying de quinta série". Em contrapartida, a diplomacia não tem sido amaciada pelo lado brasileiro: o próprio mandatário optou por subir o tom ao classificar recentemente o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como um "latino-americano frustrado", acusando-o de agir contra os interesses de toda a região.

O Reflexo nas Urnas e o Custo Real

A transformação da política externa em uma praça de guerra atende a cálculos eleitorais evidentes e imediatos. A hostilidade externa estimula as alas mais radicais. Segundo dados de levantamento da Genial/Quaest, as investidas de Javier Milei contra Lula fortalecem o atual presidente junto à sua base, com 34% dos eleitores indicando que o apoio do líder argentino ao senador Flávio Bolsonaro (PL) os aproxima do voto petista na disputa pela Presidência da República.

No entanto, há um custo severo na conta deste espetáculo ideológico. O recente tarifaço imposto pela Casa Branca, aplicando alíquotas de até 37,5% sobre produtos do setor produtivo nacional, evidencia que a fricção política já afeta seriamente a balança comercial e o desenvolvimento econômico. A busca do Itamaraty por reparações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a aproximação estratégica com a China — consolidada em diálogo de alto nível com o presidente Xi Jinping para garantir apoio multilateral — são reflexos diretos de uma crise que abandonou o campo da retórica e atingiu diretamente o pilar econômico brasileiro.

A Instrumentalização das Embaixadas

O aparelhamento das relações estatais atinge seu ápice na atual paralisação diplomática com Washington. A opção do Itamaraty de manter em análise reservada o agrément para Daniel Perez — aliado intrínseco de Marco Rubio escolhido por Trump para assumir a embaixada no Brasil antes das eleições — gerou uma retaliação inédita: a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Trata-se de um tipo de chantagem diplomática que expõe o ambiente deteriorado e o assalto da arrogância sobre a normalidade democrática.

Tese: Soberania Exige Maturidade, não Desqualificação

O Portal Pólis entende que a defesa intransigente da soberania nacional é uma obrigação institucional indiscutível, principalmente diante do ranço inato do brasileiro em não aceitar a interferência ou o julgamento de estrangeiros sobre seu governo interno. Contudo, proteger o país não significa aderir a uma gincana global de mau cheiro.

Parafraseando um velho ditado de bastidores: quando se decide brigar com um gambá, mesmo que se vença a disputa, não se sai ileso do odor. O Brasil possui tamanho e peso geopolítico suficientes para que seus representantes não se rebaixem à arrogância alheia. É imperativo que o governo federal blinde o Itamaraty e retome a lógica de que o relacionamento entre Estados demanda sobriedade. Bater palmas para comportamentos erráticos em nome de dividendos eleitorais custa muito caro ao futuro institucional do país.

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Justiça e Segurança

Entre a Celebração Simbólica e o Rigor da Lei: O Judiciário Frente à Efetividade das Garantias

Enquanto o ecossistema jurídico paralisa suas atividades no 11 de agosto para marcar a história do ensino do Direito no país, episódios de descumprimento de ordens judiciais reacendem o debate sobre a distância entre a liturgia institucional e a execução concreta das decisões de proteção.

Albertino Blima11 de agosto de 20262 min de leitura
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A Liturgia do 11 de Agosto e as Demandas Concretas da Sociedade

Neste 11 de agosto, o Judiciário Federal e a Justiça Eleitoral cumprem a paralisação regimental de seus expedientes em razão da celebração do Dia do Advogado e da criação dos primeiros cursos jurídicos no Brasil, instituídos em 1827. A tradição do calendário judiciário reforça a herança histórica do ensino jurídico no país e a relevância das instituições democráticas. Contudo, o momento de pausa institucional impõe uma reflexão crítica: a solenidade do sistema precisa caminhar pari passu com a sua eficácia material no cotidiano da segurança pública.

A suspensão temporária das rotinas forenses contrasta com a dinâmica ininterrupta da realidade social. O ordenamento jurídico e a proteção às garantias fundamentais não comportam hiatos, exigindo das instituições um estado constante de prontidão para assegurar que os comandos expedidos pelos magistrados sejam rigorosamente respeitados no ambiente social.

Descumprimento de Medidas e a Resposta do Estado

A exigência de efetividade ficou evidenciada na decisão recente que determinou a prisão do ex-marido da ativista Maria da Penha, no Ceará. A medida cautelar de prisão foi fundamentada no descumprimento de determinações judiciais impostas, após o investigado conceder entrevistas públicas abordando a tentativa de homicídio ocorrida no passado, ato que violou as restrições fixadas para resguardar a integridade e a segurança da vítima.

O episódio ilumina a centralidade da coercitividade das decisões judiciais para a manutenção da ordem pública. Medidas protetivas e restrições cautelares não possuem caráter opinativo; são determinações vinculantes revestidas pelo imperativo do Estado. Quando um investigado ou condenado desafia ordens judiciais sob pretexto de livre manifestação, a reação do Judiciário precisa ser firme e proporcional. A tolerância a descumprimentos enfraquece a credibilidade do próprio sistema protetivo.

A Efetividade como Único Métrica do Estado de Direito

A convergência entre a data comemorativa das ciências jurídicas e a aplicação severa da lei penal evidencia a verdadeira função do ecossistema de Justiça. A celebração das origens do ensino do Direito só atinge seu propósito republicano quando resulta em tribunais atentas, garantias asseguradas e execução rigorosa da lei.

A preservação da autoridade das ordens emanadas pelo Poder Judiciário constitui pilar inegociável do Estado Democrático de Direito. A rápida resposta institucional frente à violação de cautelares demonstra que a proteção às vítimas e o cumprimento do devido processo legal prevalecem sobre narrativas individuais. O prestígio da Justiça brasileira não se mede pela solenidade de suas datas festivas, mas pela capacidade ininterrupta de fazer valer o império da lei.

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Economia e Mercado

O trilema da política econômica: IPCA alivia, mas risco fiscal e freio externo contêm o Copom

A desaceleração da inflação para dentro da meta traz alívio pontual, contudo a prudência do Banco Central expõe a fragilidade de um cenário marcado por incerteza fiscal doméstica e pelo tombo de 12,2% nas exportações para os EUA.

Albertino Blima11 de agosto de 20263 min de leitura
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1. Alívio inflacionário vs. Rigidez monetária: O diagnóstico do IPCA e do Copom

A divulgação dos dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe uma notícia há muito aguardada pelos agentes econômicos: a desaceleração do índice para níveis confortavelmente abaixo do teto da meta estabelecida. Em um ambiente de consumo sob pressão, o recuo dos preços sinaliza uma trégua crucial nos custos das famílias e no orçamento corporativo.

No entanto, a expectativa do mercado por um relaxamento monetário imediato encontrou um freio claro na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). De acordo com o Banco Central, a manutenção da taxa Selic em patamar restritivo não reflete um descolamento da realidade inflacionária presente, mas sim um alinhamento rigoroso com os riscos futuros. A autoridade monetária foi categórica ao reiterar que a convergência da inflação no curto prazo não anula a necessidade de extrema cautela, citando expressamente a volatilidade do cenário global e a persistente desconfiança em relação ao arcabouço fiscal interno.

2. A conexão externa: Sobretaxas americanas e o tombo nas exportações

Enquanto o debate doméstico gravita em torno da responsabilidade fiscal, o setor produtivo brasileiro enfrenta um vento contrário vindo do hemisfério Norte. Dados oficiais indicam uma queda de 12,2% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos no acumulado do ano — o menor patamar registrado para o período nos últimos três anos.

Essa retratação expressiva não é fruto do acaso ou de oscilação conjuntural comum. Ela reflete o impacto direto das sobretaxas unilaterais aplicadas pelo governo norte-americano a insumos estratégicos da pauta exportadora nacional, com destaque para a madeira e o aço. A imposição de barreiras tarifárias adicionais encarece o produto brasileiro na ponta final, comprimindo margens de lucro e reduzindo drasticamente o volume embarcado.

A perda de dinamismo no comércio com a maior economia do mundo pressiona a balança comercial e limita a entrada de divisas estrangeiras. Esse enfraquecimento das exportações adiciona uma camada extra de complexidade à dinâmica cambial, alimentando pressões inflacionárias importadas e justificando, sob a ótica da autoridade monetária, a postura defensiva adotada pelo Copom.

3. Causa e efeito: O ciclo vicioso da hesitação fiscal e comercial

Ao conectar os pontos desse triângulo econômico — inflação em queda, postura conservadora do BC e retração do comércio exterior —, fica evidente que o alívio do IPCA é uma condição necessária, mas longe de ser suficiente para destravar o crescimento sustentável.

O nó central da economia brasileira reside na assimetria entre a política monetária e a condução fiscal. Enquanto o Banco Central cumpre seu papel institucional de ancorar expectativas, a hesitação do Poder Executivo em sinalizar um ajuste fiscal estrutural e crível mina a confiança dos investidores e invalida os ganhos temporários da desaceleração dos preços.

Paralelamente, a vulnerabilidade do país a choques protecionistas externos evidencia a urgência de uma diplomacia comercial mais pragmática e assertiva. A passividade diante de sobretaxas ao aço e à madeira expõe setores industriais e extrativos a prejuízos severos, comprometendo a renda interna e a arrecadação pública — o que, por sua vez, agrava ainda mais o quadro fiscal.

4. Conclusão crítica: O alívio numérico não substitui reformas estruturais

A leitura fria do IPCA pode induzir ao diagnóstico precipitado de que o combate à inflação está vencido e que o caminho para o afrouxamento monetário irrestrito está pavimentado. Trata-se de uma ilusão perigosa. A ata do Copom funciona como um lembrete austero de que a estabilidade de preços não subsiste isolada de fundações fiscais sólidas e de um ambiente de negócios externo favorável.

Para que a desaceleração da inflação se converta em desenvolvimento efetivo, o país precisa romper a dependência da taxa Selic como único escudo contra incertezas. É imperativo que haja rigor no controle do gasto público e atuação firme para mitigar os impactos das barreiras comerciais norte-americanas. Sem um alinhamento claro entre responsabilidade fiscal, defesa comercial e política monetária, o alívio nos preços continuará sendo um interlúdio passageiro em um cenário de estagnação prolongada.

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O Afunilamento Precoce: Como a Consolidação de Lula e Flávio Bolsonaro Reorganiza o Tabuleiro de 2026

A poucos dias do início oficial da campanha eleitoral, a confirmação do duelo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro nas pesquisas consolida a polarização nacional, acelera a corrida por tempo de TV nos bastidores e impõe um severo dilema de sobrevivência às candidaturas alternativas.

Albertino Blima11 de agosto de 20263 min de leitura
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A Fotografia das Urnas: A Cristalização da Polarização

A proximidade do dia 16 de agosto, marco legal para o pontapé inicial da propaganda eleitoral, não encontra o eleitorado brasileiro em estado de neutralidade. Os mais recentes levantamentos divulgados por institutos como BTG/Nexus e Palver desenham um cenário de afunilamento precoce. No levantamento BTG/Nexus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera o primeiro turno com 40% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, que registra 35%. Em uma simulação de segundo turno, a distância encurta para uma margem de empate técnico — 47% a 44% em favor do atual mandatário.

Os dados da pesquisa Palver reforçam a mesma tendência: Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno (44% a 40%), mas cola em empate absoluto (46% a 46%) em uma eventual rodada decisiva. O dado qualitativo mais revelador desses estudos é o grau de cristalização das preferências. Com mais de 70% dos eleitores declarando voto definitivo nos dois principais polos, a margem para viradas dramáticas durante a campanha tradicional reduz-se drasticamente. A eleição de 2026, portanto, não começa como uma folha em branco, mas como a continuidade direta do racha político que moldou o país na última década.

Bastidores em Ebulição: Inserções de TV e a Disputa do Centrão

Se na superfície o eleitor enxerga estabilidade nos números, nos bastidores partidários em Brasília o clima é de urgência tática. A pré-campanha entrou na fase de montagem das peças audiovisuais para o horário eleitoral e para as inserções de rádio e televisão, consideradas cruciais para capturar a fatia de indecisos e abrandar as taxas de rejeição.

As articulações de bastidor nas últimas semanas concentraram-se na atração das siglas de centro e do chamado Centrão. Dirigentes partidários calculam o peso do fundo eleitoral e o tempo de antenas em troca de apoio formal ou neutralidade pragmática em estados-chave. Enquanto o comando da campanha governista estrutura inserções focadas na defesa do poder de compra e na entrega de obras de infraestrutura, a equipe de Flávio Bolsonaro intensifica a produção de materiais que buscam consolidar a herança do eleitorado conservador, ao mesmo tempo em que tenta suavizar a imagem do candidato junto à classe média urbana.

O Dilema da Terceira Via e a Métrica da Rejeição

A consolidação dos dois nomes de maior densidade eleitoral produz um efeito sufocante sobre as candidaturas alternativas. Nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos seguem pontuando na faixa de um dígito na maioria dos levantamentos. Sem o tempo de rádio e TV garantido pelas grandes coligações, estes pré-candidatos enfrentam o risco iminente de esvaziamento por meio da migração do "voto útil" defensivo ainda no primeiro turno.

Outro vetor decisivo da disputa é a alta rejeição cruzada. Os levantamentos indicam que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro ostentam índices de resistência que ultrapassam os 45%. Em uma eleição pautada pela rejeição ao adversário, o sucesso das estratégias de comunicação não dependerá apenas de apresentar propostas do programa de governo, mas da capacidade de transformar o pleito em um plebiscito de rejeição ao campo oposto.

A Arrancada do Dia 16: O Tabuleiro Oficializado

O início oficial da campanha eleitoral em 16 de agosto marcará a transição de um debate informal de bastidores para um confronto direto e regulamentado. A propaganda nas ruas e nas redes sociais passará a operar sob regras estritas do Tribunal Superior Eleitoral.

O cenário atual aponta para uma eleição de extrema intensidade e margens estreitas. A capacidade de cada núcleo político em mobilizar suas bases fiéis, ao mesmo tempo em que dialoga com os eleitores desgastados pela polarização, definirá quem assumirá a vantagem no arranque rumo ao primeiro turno.

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A tática de expansão de Marconi Santana: Aposta na pulverização e o teste de fogo no xadrez do PSD

De olho em uma vaga na Alepe com a legenda 55155, o ex-prefeito de Flores rompe o isolamento do Pajeú e lança redes no Agreste, São Francisco e Região Metropolitana; analise a viabilidade tática e os gargalos dessa engenharia de campo.

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O Rompimento das Fronteiras do Pajeú

A disputa pelas 48 cadeiras da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) impõe um imperativo rigoroso aos candidatos do interior: a limitação territorial é o caminho mais rápido para a derrota. Ciente dessa matemática, o ex-prefeito de Flores por quatro mandatos e ex-presidente do Cimpajeú, Marconi Santana (PSD - 55155), estruturou a pré-campanha "Conversando com o Povo, Ouvindo Pernambuco". A iniciativa sinaliza uma clara transição de liderança local para um quadro de projeção estadual.

Em vez de se enclausurar na base do Sertão do Pajeú — onde a concorrência por votos locais é acirrada e insuficiente para atingir a nota de corte do PSD —, Marconi iniciou uma ofensiva tática em três eixos geográficos de alta densidade eleitoral.

Bastidores da Engenharia de Campo em Três Eixos

A análise das agendas de rua promovidas pela pré-candidatura revela uma montagem minuciosa de palanques regionais e alianças de nicho:

  • Sertão do São Francisco (Petrolina): A articulação no maior colégio eleitoral do sertão foi selada por meio da parceria com a comunicadora e influenciadora Josélia Maria. O movimento busca penetração estratégica junto a vereadores, suplentes e ao empresariado local, construindo um ponto de apoio em território habitualmente dominado por oligarquias tradicionais.

  • Agreste (Polo Têxtil): Após incursões em Caruaru e Toritama, o grupo concentrou atos em Santa Cruz do Capibaribe. O foco recaiu no diálogo com lideranças comunitárias e do setor comercial, explorando a demanda regional por representação política alinhada ao desenvolvimento econômico.

  • Região Metropolitana (Cabo de Santo Agostinho e Entorno): Em ato no Bairro São Francisco, sob coordenação de João Mago e com presença do núcleo estratégico familiar (Paula Santana e Dr. Celso Cunha), a campanha costurou apoios técnicos e comunitários. A adesão de quadros da saúde e previdência — como Dr. Rafael Costa, Dr. Félix Santos e Dr. Marcos do INSS — estendeu tentáculos para bairros populosos como Cajueiro Seco (Jaboatão), além de municípios vizinhos como Escada e Ribeirão.

Essa movimentação culminou com seu reposicionamento na Convenção Estadual do PSD, no Recife, onde verbalizou a tese de transição: "Hoje eu sou do povo de Pernambuco". A declaração o consolida como um dos fiadores do municipalismo na bancada de sustentação da governadora Raquel Lyra.

Análise de Causa e Efeito: Os Diferenciais Competitivos

A tática de Marconi Santana possui virtudes claras. Ao adotar uma estratégia anti-enclausuramento, o ex-gestor reconhece que os votos de Flores não garantem mandato. A busca por "sobras" e nichos no Agreste, RMR e São Francisco confere dinamismo à pré-candidatura.

Além disso, a aproximação com lideranças da saúde e comunitárias em áreas urbanas de alta densidade (como o Cabo) permite construir votações pulverizadas, porém consistentes. Soma-se a isso a narrativa do "Deputado Gestor": o histórico de quatro mandatos no Executivo e a liderança no consórcio Cimpajeú dão sustentação ao discurso de quem domina as dores práticas das prefeituras, ativo valioso para atrair bases municipalistas.

Desafios Táticos e Movimentos Estratégicos

Para converter a mobilização de rua em vagas reais na Alepe, a campanha campanha de Marconi Santana está superando gargalos estruturais no xadrez partidário do PSD:

1. O Risco da Pulverização sem "Piso" Concentrado

No PSD, a cláusula de corte interna exigirá uma votação nominal expressiva, estimada entre 35 mil e 40 mil votos. Marconi está buscando apoios espalhados de Petrolina ao Cabo como uma estratégia válida para conseguir o volume concentrado necessário.

  • Movimento Estratégico: A campanha está fechando acordos de dobradinha que garantem uma "segunda âncora" votável (um município de médio porte onde obtenha entre 8 mil e 10 mil votos concentrados), evitando a dependência exclusiva da soma de pequenos nichos.

2. A Volatilidade de Alianças Periféricas

Apoios obtidos com suplentes e lideranças comunitárias na Região Metropolitana com forte sinal de fidelidade e amarras sólidas superam o forte assédio de parlamentares de mandato na reta final. Com essas amarras institucionais fortes, a fidelidade eleitoral dessas bases é sólida.

  • Movimento Estratégico: A campanha de Marconi tende a garantir presença constante do candidato nesses territórios, institucionalizando os comitês locais e envolvendo diretamente as lideranças regionais na formulação das propostas de campanha, blindando o grupo contra o assédio adversário.

3. O Paredão Interno no PSD

A chapa do PSD abriga deputados de mandato consolidados e com estruturas pesadas de reeleição. A margem para quem busca a primeira vaga na Casa Joaquim Nabuco é estreita.

  • Movimento Estratégico: Marconi foca na captura de prefeitos e ex-gestores descontentes com a atuação dos atuais deputados estaduais e que confiam na sua atuação por ser ex-gestor e conhecer os principais problemas dos municípios posicionando-se como uma alternativa viável de representação direta do municipalismo junto ao Palácio do Campo das Princesas.

À Decisão

O desenho tático de Marconi Santana demonstra maturidade política e leitura correta da nova matemática eleitoral da Alepe. A decisão de ir a campo no Agreste, São Francisco e RMR retira o ex-prefeito da zona de conforto do Pajeú. No entanto, o sucesso dessa engenharia dependerá estritamente da capacidade de consolidar bases concentradas e blindar apoios contra o assédio das bancadas tradicionais até a abertura das urnas e isso, Marconi sabe fazer com maestria.

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O funil de 2026: Redução de vagas e quociente eleitoral recorde redesenham o mapa de poder na Alepe

O funil de 2026: Redução de vagas e quociente eleitoral recorde redesenham o mapa de poder na Alepe

Albertino Blima11 de agosto de 20263 min de leitura
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A Nova Matemática Legislativa e a Barreira do Quociente

O xadrez eleitoral pernambucano para 2026 impõe uma realidade matemática implacável aos postulantes à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Os reflexos do Censo de 2022 não apenas reduziram a representação federal do estado de 25 para 24 vagas, mas também encolheram a Casa Joaquim Nabuco, que passará a contar com 48 deputados estaduais, em vez dos tradicionais 49.

Paralelamente a esse encolhimento de cadeiras, Pernambuco registra um eleitorado recorde, ultrapassando a marca de 7,22 milhões de cidadãos aptos a votar. O cruzamento desses dois fatores gera um cenário de altíssima competitividade: projeta-se que o quociente eleitoral atingirá a marca de 104 mil votos para a eleição de um único deputado estadual.

Na prática, esse número estratosférico inviabiliza projetos políticos solitários e extingue as chamadas "chapas fracas". A sobrevivência das legendas dependerá visceralmente de "puxadores de voto", figuras de peso capazes de superar com folga o quociente e arrastar consigo os demais pares de partido.

A Batalha dos Chapões: Palácio versus Oposição

Diante do funil eleitoral, as recentes janelas de filiação funcionaram como um verdadeiro leilão de mandatos, polarizando a montagem dos "chapões" entre a base da governadora Raquel Lyra (PSD) e o bloco de oposição, capitaneado pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB).

O bloco palaciano demonstrou musculatura ao articular o crescimento do PSD, que atraiu sete parlamentares estaduais influentes — a exemplo de Romero Sales Filho, Débora Almeida, Socorro Pimentel e Izaías Régis. Ao lado da governadora, o Progressistas (PP), sob o comando de Eduardo da Fonte, consolidou-se como um verdadeiro colosso legislativo, somando 12 deputados estaduais após absorver quadros como Joel da Harpa.

No campo oposto, a oposição avança com táticas distintas. O PSB aposta suas fichas em capitanear prefeitos e ex-prefeitos do interior, pavimentando uma base capilarizada para o projeto majoritário de João Campos. Já a federação encabeçada pelo PT, alinhada à polarização nacional, ancora-se em nomes ideológicos e de base social, como Dani Portela e Doriel Barros.

Correndo por fora, mas com grande potencial de desequilibrar o jogo, o Podemos estruturou uma das chapas mais competitivas da temporada. Ao aglutinar cinco deputados de mandato — Edson Vieira, Fabrizio Ferraz, Gustavo Gouveia, Luciano Duque e Wanderson Florêncio —, o partido traçou a meta agressiva de conquistar até oito cadeiras, assumindo o papel de fiel da balança na nova legislatura.

O Xadrez Regional e a Disputa no Sertão do Pajeú

Em uma eleição pautada pela necessidade massiva de votos, o interior pernambucano, especialmente o Sertão do Pajeú, converte-se em um campo de batalha fratricida. É nesse território que gestores municipais bem avaliados testam sua viabilidade para a Alepe, atuando como "âncoras" regionais para seus partidos.

Um exemplo claro dessa movimentação é o ex-prefeito de Flores, Marconi Santana (PSB). Com o capital político de quatro mandatos no Executivo municipal — incluindo uma vitória com mais de 63% dos votos válidos em 2020 — e a experiência de ter presidido o consórcio regional Cimpajeú, Santana exemplifica a estratégia pessebista de conversão de liderança municipal em mandato legislativo.

A Engenharia da Sobrevivência Política

O desafio para lideranças como Marconi Santana é hercúleo: romper as fronteiras de seus redutos originais (como Flores, Triunfo e Carnaíba) para atingir a faixa dos 104 mil votos, enfrentando simultaneamente o avanço da base governista e nomes consolidados na região, como Luciano Duque (Podemos).

A eleição de 2026 não será decidida apenas no carisma ou no histórico de obras, mas na engenharia partidária. O cenário projetado indica que candidatos com votações expressivas, na casa dos 30 mil a 40 mil votos, correrão o sério risco de ficar sem mandato caso suas legendas não atinjam o quociente mínimo. O jogo de bastidores feito agora é o que, de fato, determinará quem governará Pernambuco a partir do Legislativo.

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A Estratégia Ofensiva de Marconi Santana: De Prefeito Quatro Vezes a Aposta de Peso na Alepe

Com o registro de candidatura confirmado pelo PSD, o ex-prefeito de Flores inicia uma articulação estadual intensa e pavimenta bases no Sertão com o objetivo de assumir um protagonismo real e afastar a figuração legislativa.

Albertino Blima10 de agosto de 20262 min de leitura
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O Xadrez Político e o Registro no PSD

A oficialização da candidatura de Marconi Santana (PSD) à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) sob o número 55155 consolida um movimento que vinha sendo cuidadosamente orquestrado nos bastidores. O ex-prefeito de Flores, que carrega o capital político de quatro mandatos à frente do Executivo municipal, submete-se agora ao crivo estadual. No sistema oficial da Justiça Eleitoral, o pedido cumpre o trâmite padrão e encontra-se "aguardando julgamento", mas, no território prático da disputa, o projeto já opera em marcha acelerada.

Articulação Agressiva e Escuta Local

O cenário atual revela a estruturação de uma campanha taticamente agressiva, desenhada para ocupar espaços e firmar presença onde muitos projetos esbarram na superficialidade. O núcleo estratégico de Santana foca na construção de uma base pautada nos problemas reais da população, exigindo uma escuta ativa e in loco por diversas regiões de Pernambuco.

Essa dinâmica territorial ficou evidente na recente incursão do candidato por Petrolina, um dos mais vitais polos políticos e econômicos do Sertão do São Francisco. Ao ser recebido na residência da comunicadora e blogueira Josélia Maria, Marconi não apenas garantiu um endosso público de peso, mas sinalizou força na atração de lideranças locais. A declaração da influenciadora, que destacou sua ética, dignidade e capacidade administrativa, funciona como uma chancela importante para consolidar apoios entre vereadores, suplentes e empresários locais, reforçando a musculatura da campanha na região.

A Meta: Rejeitar a Figuração e Buscar o Protagonismo

A leitura de bastidores sobre a expansão desse arco de alianças aponta para um objetivo claro. Marconi Santana entra na corrida eleitoral com a premissa de rejeitar a condição de mero figurante da política pernambucana. A costura política, que se estende do Sertão ao Agreste e à Região Metropolitana, visa garantir um mandato na Casa de Joaquim Nabuco como um deputado estadual incisivamente atuante.

Ao trocar os gabinetes pelo chão dos municípios, o candidato demonstra compreender que a sobrevivência e a influência no tabuleiro político de 2026 exigirão proximidade orgânica com as bases. Se a experiência administrativa for efetivamente convertida na capacidade de pautar soluções para os entraves do estado, o projeto do PSD poderá entregar à Alepe um quadro preparado para o embate e para as decisões de alto nível.

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Governo dos EUA Revoga Visto da Embaixadora Brasileira em Escalada de Tensões Bilaterais

O Departamento de Estado norte-americano cancelou o visto da diplomata Maria Luiza Ribeiro Viotti em resposta ao atraso no aval brasileiro ao novo embaixador dos EUA e à recente recusa de entrada a funcionários americanos. A medida consolida o agravamento das relações institucionais e comerciais entre a administração de Donald Trump e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Albertino Blima05 de agosto de 20263 min de leitura
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O Estopim da Retaliação e a Situação da Embaixadora

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (4 de agosto de 2026) a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. De acordo com autoridades do Departamento de Estado citadas pela agência Reuters, a medida não configura uma expulsão formal. A diplomata poderá permanecer em solo norte-americano, porém sem um visto válido, condição que restringe severamente sua atuação diplomática oficial. O governo estadunidense indicou que o visto poderá ser restabelecido caso o equilíbrio nas relações seja restaurado.

A decisão marca o ponto mais crítico de um distanciamento progressivo entre os dois países. De acordo com o Portal JOTA, a escalada de interferências na região tem sido impulsionada por figuras centrais do governo de Donald Trump, notadamente o secretário de Estado, Marco Rubio, inaugurando uma nova era de forte pressão sobre a América Latina.

O Impasse do Agrément e a Quebra de Tradição

A principal justificativa oficial de Washington para o cancelamento do visto recai sobre a demora do governo brasileiro em conceder o agrément — o aval diplomático formal — para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA em Brasília.

Perez, deputado estadual pela Flórida e forte aliado de Marco Rubio, foi indicado ao cargo em junho de 2026. No entanto, de acordo com informações do JOTA, o governo Trump quebrou a prática diplomática tradicional ao oficializar a indicação publicamente antes mesmo de solicitar a autorização do país anfitrião. Em resposta a essa atropelo de protocolo, e devido ao receio de que o novo embaixador pudesse atuar politicamente nas eleições de outubro, as autoridades brasileiras sinalizaram que a aprovação só ocorreria após o pleito eleitoral.

Guerra de Vistos: A Negativa a Diplomatas Norte-Americanos

A revogação do visto de Viotti não ocorreu em um vácuo. Há cerca de dez dias, o Itamaraty negou os vistos de dois altos funcionários do Departamento de Estado: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

De acordo com o Brasil de Fato, ambos tinham audiências marcadas com a Justiça Eleitoral brasileira. A negativa brasileira baseou-se em informações reveladas pelo jornal The Washington Post, que apontavam a viagem como parte de uma estratégia de Washington para questionar a integridade e a confiabilidade das eleições brasileiras.

Reação do Governo Brasileiro e a Pressão Comercial

O governo brasileiro reagiu de forma incisiva. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República rechaçou a decisão norte-americana, classificando as justificativas dos EUA como "falsas". De acordo com o documento divulgado pelo Brasil de Fato, o governo brasileiro afirmou que a medida faz parte de uma "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas".

Nos bastidores do Itamaraty, a revogação do visto de Viotti é interpretada como um instrumento direto de pressão para forçar o Brasil a aceitar a indicação de Perez. O cenário diplomático é agravado por recentes retaliações econômicas. De acordo com o JOTA, no último mês, os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, seguida de uma taxa extra de 12,5%, afetando quase um quinto de todas as exportações do Brasil para o mercado norte-americano.

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Editorial

A Autonomia do Eleitor e a Exigência por um Debate Político Estrutural em Pernambuco

Diante do acirramento das convenções partidárias e das tentativas de nacionalização do pleito, o Portal Pólis defende que o escrutínio estadual deve ser pautado pela gestão pública, respeitando a independência do voto e a realidade administrativa do estado.

Albertino Blima04 de agosto de 20262 min de leitura
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O Fato: O Início do Xadrez Eleitoral e as Narrativas de Palanque

As recentes movimentações políticas no estado, materializadas nas grandes convenções do PSB, no Recife, e do PSD, com forte apelo no interior, demarcaram oficialmente o início da corrida eleitoral pernambucana. O que se observa, no entanto, é uma dualidade perigosa na formulação do debate público. De um lado, há a legítima apresentação de forças políticas e realizações administrativas; de outro, emerge uma tentativa prematura de importar a polarização ideológica nacional para o solo estadual, exemplificada na supervalorização de dinâmicas do comércio informal, como a venda de toalhas, tratadas equivocadamente como grandes articulações de bastidor.

Análise Crítica: Entre a Força Regional e as Artimanhas de Rede

A política pernambucana sempre se caracterizou por uma densidade própria. O fortalecimento de lideranças oriundas do interior, a exemplo de ex-prefeitos que buscam espaço na Assembleia Legislativa empunhando a bandeira do municipalismo, demonstra que o interior do estado exige representatividade e soluções reais. Da mesma forma, a gestão da capital apresenta seus trunfos em infraestrutura. Esse é o debate que importa.

Contudo, as estratégias de redes sociais que tentam vincular candidaturas locais a figuras polêmicas do cenário nacional ignoram o pragmatismo institucional necessário para governar. A distância calculada do Palácio do Planalto, preservando o pacto federativo, é um indicativo claro de que as instituições são maiores que os palanques. Reduzir a complexidade da eleição estadual a uma "guerra de toalhas" é empobrecer a democracia e subestimar a capacidade de julgamento do cidadão.

A Tese Central do Jornal: A Soberania do Voto Híbrido

O Portal Pólis compreende que o eleitor pernambucano atingiu um grau de maturidade que não tolera cabrestos ideológicos. O cidadão é soberano para exercer o voto híbrido ou cruzado, escolhendo o projeto estadual que julga mais competente e, paralelamente, o projeto nacional com o qual tem afinidade, sem que isso represente uma contradição moral.

Rejeitamos as narrativas maniqueístas que tentam encurralar o eleitor em trincheiras. Exigimos dos candidatos o compromisso com a verdade factual e com a apresentação de propostas concretas para o desenvolvimento econômico, a segurança pública e o reequilíbrio fiscal de Pernambuco. A livre iniciativa das ruas não pode ser instrumentalizada para mascarar a ausência de debate sobre os problemas crônicos do estado.

Conclusão Reflexiva: O Imperativo da Responsabilidade Pública

O momento exige grandeza. Os candidatos que postulam a liderança máxima de Pernambuco e as cadeiras no parlamento estadual devem elevar o nível da discussão. O jornalismo profissional continuará exercendo seu papel de fiscalizador implacável, desconstruindo narrativas falaciosas e cobrando responsabilidade pública. Que as campanhas deixem de lado os espantalhos políticos e passem a tratar o eleitor de Pernambuco com o respeito e a seriedade que a nossa história política exige.

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O Padrão Pajeú de Civilidade: O Embate entre Edson Henrique e Adelmo Moura na Rádio Pajeú

Sob a mediação técnica de Nill Júnior, o "Debate das Dez" contrapôs os projetos de Raquel Lyra e João Campos, destacando-se pela assertividade programática, defesa de legados e por um raro reconhecimento mútuo entre adversários políticos no Sertão.

Albertino Blima04 de agosto de 20265 min de leitura
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O Cenário e a Liturgia do Respeito

Realizado no dia seguinte às grandes convenções que chancelaram as candidaturas de Raquel Lyra à reeleição e de João Campos ao governo estadual, o "Debate das Dez", no programa Manhã Total da Rádio Pajeú, tornou-se um laboratório do que deveria ser o padrão eleitoral para 2026.

Antes de qualquer embate ideológico, a civilidade foi estabelecida na saudação de abertura. Edson Henrique, Assessor Especial da Casa Civil e representante do campo governista, fez questão de nominar os presentes no estúdio: seu contraditor Adelmo Moura (ex-prefeito de Itapetim pelo PSB), Alexandre Moraes, além de André, Michele Martins e Tito Barbosa da equipe da rádio. Em simetria protocolar, Adelmo Moura replicou o gesto, cumprimentando os mesmos presentes e reconhecendo Edson como liderança representativa da Casa Civil. Esse cumprimento mútuo blindou o debate contra ataques pessoais, mantendo o foco nas divergências políticas.

A Mediação: Nill Júnior e o Controle do Tabuleiro

O sucesso do formato passou inevitavelmente pela condução de Nill Júnior. O radialista adotou uma postura estritamente técnica, garantindo a isonomia de tempo com blocos cronometrados de 3 minutos e 30 segundos e inversão de ordem de fala.

Mais do que controlar o relógio, Nill inseriu provocações estruturais cruciais, fugindo de perguntas de plateia. Ele questionou a acomodação de Miguel Coelho após a disputa interna, a presença de Lula na campanha de João Campos, e repassou dúvidas de ouvintes sobre o legado do PSB nas rodovias e o peso da chapa de Túlio Gadêlha ao Senado. Ao final, o mediador classificou com precisão o encontro como "um debate com um excelente nível... com divergências, mas dentro de um princípio de civilidade".

Edson Henrique: Simplicidade, Assertividade e Defesa de Gestão

A estratégia de Edson Henrique foi pautada por uma defesa técnica e institucional, aliada a uma comunicação simples e assertiva. Suas falas mais relevantes concentraram-se na validação do governo de Raquel Lyra.

Edson classificou a convenção do final de semana como a maior da história de Pernambuco, exaltando a representatividade dos 184 municípios e dos 17 do Pajeú. No espinhoso tema envolvendo Miguel Coelho, Edson foi hábil ao transferir a responsabilidade para uma disputa estatutária interna da federação União Brasil-PP, controlada por Eduardo da Fonte, classificando a tese de traição por parte da governadora como "falácia".

Para comprovar entregas, o assessor apresentou um inventário de obras regionais, citando as PEs 263, 304 e 348, investimentos no Hospital Regional Emília Câmara e sistemas de abastecimento rural, contrapondo a narrativa de inação. Edson ancorou sua defesa no índice de aprovação da governadora, que ele cravou em 68%. Ao justificar atrasos, como o da Lei Orçamentária Anual (LOA), atribuiu a culpa à obstrução de deputados ligados ao PSB na Assembleia Legislativa. Ele utilizou falas de efeito da governadora, como o fato de ela ter "riscado a palavra medo do dicionário" e o pedido de "me deixa trabalhar", para criar um fio condutor emocional.

Adelmo Moura: Contraste Direto e a Grandeza do Reconhecimento

Do outro lado, Adelmo Moura adotou uma postura mais ofensiva, baseada no contraste entre um "governo que entrega" (referindo-se a João Campos no Recife) e um "governo que promete".

Adelmo descreveu o entusiasmo da convenção do PSB, relatando seu próprio sacrifício físico de caminhar quase um quilômetro com o joelho machucado para atestar a mobilização popular. Ele foi categórico ao afirmar que o grupo de Miguel Coelho sentiu-se traído "pela segunda vez" pela governadora, usando a presença de Vilões (aliado de Miguel) no palanque de João Campos como indício de ruptura. Sobre a aliança nacional, Adelmo cravou que não tem "dúvida nenhuma" de que Lula estará no palanque de João no primeiro turno, baseando-se na aliança histórica PT-PSB e na indicação da vice-presidência.

Na crítica administrativa, Adelmo questionou o destino de R$ 13 bilhões em empréstimos captados pelo Estado, apontando a demora na entrega de obras, como as creches (apenas 11 de 250 prometidas, segundo ele) e criticou o uso de uma aeronave da saúde para deslocamento da governadora.

No entanto, o momento de maior grandeza do debate partiu de Adelmo. Rompendo a lógica da polarização, o ex-prefeito reconheceu publicamente a competência de Edson Henrique. Ele afirmou que, após a entrada de Edson na Casa Civil, a articulação do governo ganhou uma dinâmica perceptível e as lideranças governistas ficaram mais satisfeitas. Embora tenha usado o elogio para criticar a demora da governadora em nomeá-lo, o reconhecimento técnico do adversário elevou o nível civilizatório do programa.

A "Guerra das Toalhas" e a Visão Analítica

Durante o embate, Adelmo citou a venda de toalhas com os rostos de Raquel Lyra e Flávio Bolsonaro por ambulantes, sugerindo que o bolsonarismo estaria com a governadora.

Uma análise fria dos bastidores aponta que a venda de merchandising informal obedece à lógica do comércio de rua, não a diretrizes de comitês de campanha. O eleitor possui o direito ao voto cruzado, e os comerciantes apenas atendem a essa demanda mercadológica, seja com toalhas de Raquel e Flávio, seja com toalhas de Raquel e Lula. Reduzir a complexidade das alianças estaduais ao comércio ambulante empobrece a leitura do cenário. Ademais, historicamente, o presidente Lula não tem faltado aos compromissos com aliados e, se eleito, a expectativa é que mantenha a agenda institucional.

Conclusão Crítica: A Vitória da Política de Propostas

O debate na Rádio Pajeú provou que é possível realizar um contraste real de méritos sem descambar para a baixaria. Edson Henrique demonstrou segurança ao sustentar argumentos institucionais sem elevar o tom, enquanto Adelmo Moura provou que a contundência crítica pode coexistir com a honestidade de reconhecer as virtudes do adversário. Em uma eleição estadual que promete não dar margem para erros, o "modelo Pajeú" de civilidade apresenta-se como a melhor referência para o eleitorado pernambucano.

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Opinião

O Voto Híbrido e o Pragmatismo do Planalto: A Distância de Lula e a Guerra das Toalhas em PE

Entre as tentativas de polarização forçada e a dinâmica do comércio popular nas ruas, o eleitor pernambucano reivindica sua autonomia, enquanto o presidente da República adota uma neutralidade calculada para preservar as relações institucionais com o estado.

Albertino Blima04 de agosto de 20263 min de leitura
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O Xadrez de Lula: A Distância como Estratégia de Preservação

A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas recentes convenções partidárias em Pernambuco não foi um hiato na agenda, mas um movimento milimetricamente calculado. Ao manter uma distância estratégica das campanhas de João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD), o Palácio do Planalto demonstra uma leitura madura do cenário estadual.

Lula compreende que Pernambuco abriga, hoje, duas frentes aliadas fundamentais para a governabilidade e para o seu próprio capital político na região. Escolher um lado de forma impositiva neste momento seria não apenas um risco eleitoral, mas um erro institucional. Historicamente, o presidente nunca faltou a Pernambuco e, em seu atual mandato, não faltou à governadora Raquel Lyra, mantendo os repasses federais e as parcerias estruturais fluindo independentemente das colorações partidárias. O recado tácito do Planalto é claro: independentemente de quem o eleitor pernambucano escolha para o Palácio do Campo das Princesas, as portas de Brasília seguirão abertas.

A "Guerra das Toalhas" e a Dinâmica do Comércio Popular

Nos últimos dias, a militância e os articuladores ligados ao PSB têm intensificado nas redes sociais a disseminação de imagens de comerciantes ambulantes vendendo toalhas que estampam, lado a lado, os rostos de Raquel Lyra e do senador Flávio Bolsonaro. O objetivo político é evidente: tentar colar a imagem da governadora ao bolsonarismo duro, visando desgastá-la perante o eleitorado progressista do estado.

No entanto, essa narrativa esbarra na realidade nua e crua das ruas. As toalhas estendidas nos calçadões do Recife não são peças de propaganda financiadas por um comitê de campanha, mas sim a pura expressão da livre iniciativa e do comércio popular. O ambulante não pauta ideologia; ele pauta demanda. Se há procura, há oferta. Tratar o movimento do comércio informal como uma articulação oficial de campanha é subestimar a inteligência do eleitor e ignorar como funciona a economia de rua durante os ciclos eleitorais.

A Autonomia do Eleitor e a Realidade do Voto Híbrido

O cerne dessa questão reside no comportamento do eleitorado moderno, que se recusa a ser confinado em blocos ideológicos herméticos. O cidadão que decide votar em Raquel Lyra para o governo e em Flávio Bolsonaro para a presidência tem o absoluto direito democrático de expressar sua escolha. Da mesma forma, nas próximas semanas, é inevitável que as ruas sejam tomadas por toalhas unindo os rostos de Raquel e Lula.

O voto híbrido — ou o "voto cruzado" — é uma tradição consolidada na política pernambucana. O eleitor recifense, sertanejo ou agrestino é livre para montar sua própria chapa mental, cruzando perfis administrativos que julga ideais para o estado e para o país, sem pedir permissão aos diretórios partidários.

Conclusão: Instituições Acima das Narrativas

A tentativa de transformar toalhas de ambulantes em material probatório de alianças ocultas demonstra certo desespero narrativo em uma disputa que deveria ser centrada em balanços de gestão. A governadora mantém uma postura institucional de diálogo amplo, e o presidente Lula sinaliza que o respeito ao pacto federativo está acima do palanque. Se Raquel Lyra for reeleita, o governo federal continuará presente em Pernambuco. O voto pertence ao eleitor, e o papel dos líderes é governar para todos, independentemente da estampa que secará o rosto do eleitorado no dia seguinte à eleição.

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A Ascensão de Marconi Santana e a Base de Raquel Lyra no PSD

Convenção do partido no Recife expõe a capilaridade territorial governista e consolida o ex-prefeito de Flores como uma peça estratégica na disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa, blindando o projeto de reeleição do Palácio do Campo das Princesas.

Albertino Blima04 de agosto de 20262 min de leitura
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A Matemática da Mobilização no Parador

A convenção estadual do PSD (Partido Social Democrático), realizada neste domingo (2) no Parador, Bairro do Recife, serviu como um termômetro claro da musculatura política da legenda para o pleito de 2026. O evento, marcado por uma expressiva presença de militantes e caravanas inter-regionais, não apenas referendou o apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra, mas desenhou a espinha dorsal de sua sustentação legislativa.

De acordo com a dinâmica do evento, a demonstração de força do partido evidenciou que a aliança governista aposta na aglutinação de lideranças com densidade eleitoral própria para garantir capilaridade desde o Sertão até a Região Metropolitana do Recife (RMR).

De Flores para o Estado: A Transição de Marconi Santana

O principal destaque dos bastidores foi a consolidação do nome de Marconi Santana na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ex-prefeito de Flores por quatro mandatos, além de ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal e do Consórcio de Integração dos Municípios do Pajeú (CIMPAJEÚ), Santana utilizou o palanque para chancelar sua transição de liderança estritamente sertaneja para um quadro de dimensão estadual.

Ao se envolver na bandeira de Pernambuco e proferir a frase "Hoje eu sou do povo de Pernambuco", o candidato fez um movimento retórico e estratégico calculado. A presença massiva de apoiadores oriundos do Sertão, Agreste e Zona da Mata no Recife comprovou que sua articulação superou as fronteiras de sua base de origem, resultado de uma construção política baseada em alianças com lideranças territoriais diversas.

Conexões de Causa e Efeito: O Municipalismo no Parlamento

Para o projeto político de Raquel Lyra, candidaturas com o perfil de Marconi Santana são cruciais. Governadores dependem de uma base parlamentar que compreenda a engrenagem administrativa das prefeituras. Ao apresentar sua candidatura como um braço do projeto liderado pela governadora, Santana posiciona-se como um futuro parlamentar de perfil municipalista, alguém que detém a experiência prática do Executivo municipal e promete traduzir as demandas locais em pautas legislativas no estado.

Esse alinhamento fortalece via de mão dupla: o candidato ganha o endosso velado da máquina estadual, e o Executivo assegura um aliado testado nas urnas e experiente na gestão pública para compor sua base na Alepe.

O PSD e a Ocupação de Espaços

A convenção do PSD deixa uma mensagem clara aos adversários: o partido entra na campanha de 2026 com capilaridade, estrutura e quadros competitivos. A entrada enérgica de Marconi Santana na disputa atesta que as eleições proporcionais deste ano serão decididas pela capacidade de mobilização orgânica e pela costura de apoios regionais cruzados. Se o discurso de experiência administrativa e diálogo permanente se converter em votos, Santana desponta não apenas como um dos principais nomes do PSD, mas como um influente fiador do governismo no próximo ciclo legislativo.

Confira as fotos do evento:

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Política

A Geometria de Poder em Pernambuco: As Convenções de João Campos e Raquel Lyra e os Sinais de Bastidor

Entre palanques lotados, ausências calculadas de lideranças nacionais e o embate direto de narrativas ideológicas, as recentes convenções do PSB e do grupo governista desenham o verdadeiro mapa de forças da política pernambucana.

Albertino Blima04 de agosto de 20263 min de leitura
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O Cenário das Convenções: Mobilização e Força Institucional

As convenções partidárias do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB/PSD), explicitaram que a disputa eleitoral no estado transcende o debate de realizações locais. Os eventos mediram não apenas a capacidade de engajamento militante e articulação política, mas serviram como laboratórios de testes para as narrativas nacionais que dão tom ao pleito.

De acordo com levantamentos operacionais da segurança pública e estimativas de bastidor das próprias organizadoras, ambos os atos reuniram milhares de correligionários e eleitores, demonstrando elevado grau de capacidade de mobilização de seus respectivos núcleos partidários.

Discursos e Narrativas: A Gestão da Capital vs. A Reconstrução do Estado

No discurso de João Campos, o tom foi marcado pelo fortalecimento dos índices de aprovação de sua gestão na capital pernambucana, destacando obras estruturadores de encostas, avanço da infraestrutura urbana e programas de inovação pública. A tese central do socialista é a da eficiência administrativa aliada à capacidade de diálogo.

Por outro lado, o grupo ligado à governadora Raquel Lyra articulou um discurso centrado na reorganização fiscal e estrutural de Pernambuco, argumentando que o projeto liderado pelo Palácio do Campo das Princesas rompeu com um modelo político tradicional que governou o estado por dezesseis anos. A estratégia discursiva governista mira a interiorização das ações e a consolidação de investimentos em saúde e infraestrutura.

Bastidores e Estratégias: A Ausência de Lula e o Vínculo com Flávio Bolsonaro

Os bastidores dos palanques trouxeram movimentos calculados que revelam o peso do xadrez nacional na política estadual:

  • A Ausência de Luiz Inácio Lula da Silva: Apesar do alinhamento histórico do PSB com o Governo Federal e do apoio explícito do Partido dos Trabalhadores à chapa de João Campos, a ausência do presidente Lula no ato principal foi objeto de leitura atenta pelos analistas. De acordo com interlocutores do PT e do PSB, a decisão atendeu a uma estratégia de desnacionalização do debate municipal, evitando tensionar a frente ampla e resguardando a figura presidencial para compromissos institucionais estratégicos no Nordeste.

  • A Tentativa de Vinculação com Flávio Bolsonaro: A oposição ao governo estadual intensificou investidas para associar a imagem da governadora Raquel Lyra a figuras do bolsonarismo nacional, com ênfase no senador Flávio Bolsonaro (PL). A tática busca desgastar a governadora perante o eleitorado progressista, majoritário no estado. Em contrapartida, a base da governadora reforça seu perfil independente e programático, rejeitando rótulos de polarização e priorizando alianças administrativas em favor de repasses federais.

Curiosidades e Bastidores do Evento

Entre os fatos marcantes registrados nos bastidores das convenções:

  1. Infraestrutura de Transmissão: A convenção do PSB priorizou uma transmissão digital altamente editada e voltada para redes sociais em tempo real, refletindo a estratégia de comunicação jovem do prefeito.

  2. Presença Político-Regional: O evento governista liderado por Raquel Lyra destacou-se pela maciça presença de prefeitos e lideranças do interior do estado, sinalizando uma forte penetração fora da Região Metropolitana do Recife (RMR).

  3. Discursos de Equilíbrio: Lideranças locais do PT atuaram como fiadoras da aliança com João Campos, reforçando a unidade partidária na capital, a despeito de divisões internas históricas.

Conclusão Crítica: O Impacto nos Rumos Eleitorais

A análise das convenções demonstra que Pernambuco caminha para uma disputa altamente polarizada no campo das ideias e dos projetos de poder. Se João Campos aposta no reconhecimento administrativo local e no recall da marca PSB, Raquel Lyra opera no fortalecimento da máquina estadual e no apelo de renovação institucional. As ausências e presenças nos palanques revelam que ambos os lados compreendem os riscos de excessos ideológicos e priorizam a consolidação de suas bases operacionais.

 

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Coluna

Quem tem razão sobre a situação financeira de Pernambuco?

Disputa de narrativas entre Paulo Câmara e Raquel Lyra reflete a velha política do "campeonato de retrovisor", onde discursos tentam se sobrepor aos números da gestão pública

Jurandir Junior04 de agosto de 20262 min de leitura
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Memória seletiva não fecha balanço

Na política, existe um esporte que nunca sai de moda: a disputa pela herança. Quando o assunto é governo, ninguém quer assumir os problemas que encontrou, mas todo mundo faz questão de registrar em cartório as virtudes que deixou.

A mais nova troca de versões entre o ex-governador Paulo Câmara e a governadora Raquel Lyra segue exatamente esse roteiro.

Paulo afirma que recebeu Pernambuco praticamente em estado de calamidade administrativa quando assumiu o lugar de João Lyra Neto, pai da atual governadora. Diz que passou um ano apenas pagando contas, reorganizando a máquina e devolvendo capacidade de investimento ao Estado. Também sustenta que Raquel herdou um governo equilibrado, capaz de captar bilhões para investimentos, o que, segundo ele, desmontaria a tese de que Pernambuco estava "quebrado".

É uma narrativa coerente. Mas há um detalhe inconveniente para qualquer político: narrativas não governam; resultados, sim.

Quem entra numa casa sabe que sempre encontra uma torneira pingando. A diferença está entre consertá-la e passar quatro anos explicando por que ela pingava.

Curiosamente, quando Paulo Câmara assumiu, dizia que encontrou dificuldades. Agora, afirma que deixou tudo organizado. Raquel, por sua vez, sustenta que herdou um Estado cheio de desafios e que precisou reorganizar a gestão. No fundo, ambos usam o mesmo argumento em momentos diferentes: quem chega culpa o passado; quem sai elogia o próprio legado.

A política brasileira parece viver um eterno campeonato de retrovisor. Enquanto isso, o cidadão continua esperando que alguém descubra a existência do para-brisa.

Também chama atenção o fato de João Lyra Neto ser lembrado apenas quando convém ao debate. Seu curto período como governador ocorreu em circunstâncias excepcionais, de transição administrativa. Reduzir aquele momento à expressão "Estado quebrado" simplifica uma realidade muito mais complexa. A administração pública não se resume a uma fotografia de caixa; envolve contratos, obras, receitas, despesas, conjuntura econômica e prioridades de cada governo.

Há ainda uma ironia inevitável: se Paulo reorganizou completamente Pernambuco, como afirma, então parte dos investimentos anunciados hoje também dependeu da continuidade desse trabalho. Mas, se Raquel conseguiu ampliar investimentos, acelerar obras e imprimir outro ritmo à máquina pública, também seria injusto atribuir tudo exclusivamente ao governo anterior. Governar não é corrida de revezamento em que apenas um atleta merece aplausos.

No fim das contas, talvez o eleitor esteja menos interessado em descobrir quem recebeu a conta e mais preocupado em saber quem está pagando o jantar.

Porque existe uma diferença enorme entre administrar um Estado e administrar uma versão dos fatos.

E convenhamos: memória política tem prazo de validade. Ela costuma durar exatamente até a próxima eleição. Depois disso, até quem dizia que herdou um desastre passa a jurar que deixou um paraíso.

A contabilidade pública fecha por números. A política, infelizmente, ainda insiste em fechar por discursos. E discurso, como todo pernambucano sabe, não tapa buraco, não reduz fila e nem chega primeiro que a realidade.


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Editorial

Xadrez Político em Pernambuco 2026: Bastidores, Composições e a Disputa pelo Palanque Presidencial

O tabuleiro político pernambucano se consolida com as recentes definições partidárias. Raquel Lyra (PSD) busca manter a centralidade do seu projeto, enquanto João Campos (PSB) articula uma chapa de peso alinhada à esquerda. O apoio presidencial e as últimas pesquisas revelam um cenário de acirramento técnico.

Albertino Blima01 de agosto de 20266 min de leitura
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Bastidores e Movimentações da Chapa de Raquel Lyra

A governadora Raquel Lyra (PSD) tem adotado uma estratégia de fortalecimento do seu núcleo duro, mantendo o controle do "timing" das definições. A imprensa destaca os seguintes pontos sobre a sua chapa:

A Vaga de Vice: Priscila Krause e as Alternativas

Embora a parceria com a vice-governadora Priscila Krause seja vista como sólida, a manutenção dela na chapa ainda gera especulações. A leitura política aponta dois cenários:

  1. Continuidade: Manter Priscila Krause consolida a identidade da gestão e fortalece a aliança com a centro-direita. Raquel elogiou publicamente a parceria e indicou continuidade, embora tenha evitado formalizar a decisão.

  2. Abertura: Ceder a vaga de vice para um novo aliado poderia atrair partidos de peso para a coligação, garantindo maior capilaridade no interior.

A Vaga ao Senado: Túlio Gadêlha e a Articulação com Miguel Coelho

A filiação de Túlio Gadêlha ao PSD e o consequente lançamento de sua pré-candidatura ao Senado foram os movimentos mais concretos no campo da governadora até o momento.

  • Túlio Gadêlha: A entrada de Gadêlha atende a uma tentativa de Raquel Lyra de acenar ao eleitorado progressista e manter pontes de alinhamento com o governo federal, mesmo o deputado tendo um perfil associado à centro-esquerda. O apoio do Avante também foi fundamental nesta consolidação.

  • Miguel Coelho: A segunda vaga para o Senado na chapa de Lyra permanece uma incógnita, embora o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), seja um nome forte. Raquel já confirmou publicamente que mantém conversas com Miguel Coelho. A definição desse espaço é estratégica para atrair o eleitorado do Sertão.

A "Chapa Lulista" de João Campos: Bastidores e Definições

O ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), tem trabalhado na construção de uma frente que cristalize o seu alinhamento com o presidente Lula. As convenções recentes consolidaram uma chapa que a imprensa classifica como mais voltada à esquerda.

A Composição Majoritária e o Senado

A arquitetura da chapa de João Campos foi desenhada após intensas negociações em Brasília:

  • Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT): O acordo para que ambos disputem o Senado na chapa de Campos representa um movimento de unificação das forças de esquerda em Pernambuco. Esta aliança, no entanto, precisou contornar resistências internas, como as do próprio senador Humberto Costa, que agora defende a coesão do palanque.

  • O Vice: A vaga de vice-governador parece estar encaminhada para Carlos Costa, irmão do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos). Essa escolha atende a uma composição pragmática e contempla as forças do Republicanos no estado, após o ministro declinar de disputar o senado.

O Fator Lula: Alinhamento Estratégico vs. Apoio Tímido

A disputa pelo palanque de Luiz Inácio Lula da Silva é o eixo central da eleição pernambucana. A minha percepção é de um apoio "tímido" a João Campos.

João Campos fez do alinhamento com Lula a principal vitrine de sua pré-campanha. O discurso nas convenções foi taxativo na defesa do governo federal e da parceria histórica entre PSB e PT. O próprio presidente já havia sinalizado em 2024 para que Campos "se preparasse" para a disputa.

Em contrapartida, Raquel Lyra tem adotado uma postura institucional de diálogo com o Palácio do Planalto. A governadora, de forma pragmática, procura manter o presidente neutro ou garantir que os dividendos das parcerias federais sejam compartilhados. A estratégia de Raquel de reforçar que Lula "sempre a recebeu e nunca faltou ao estado" serve como uma blindagem contra as tentativas da oposição de nacionalizar a eleição local de forma prejudicial à sua imagem, esvaziando o argumento de que ela seria um obstáculo às políticas federais.

O Cenário nas Pesquisas (Fim de Julho/2026)

O acirramento da disputa está evidente nas últimas pesquisas divulgadas no final de julho:

  • Datafolha (31/07/2026): Apresentou Raquel Lyra numericamente à frente com 48% das intenções de voto, seguida por João Campos com 42%. O instituto aponta um empate técnico no limite da margem de erro, que é de três pontos percentuais. Em um eventual segundo turno, Raquel aparece com 49% contra 45% de Campos.

  • Genial/Quaest (28/07/2026): Indicou uma reviravolta, com a governadora crescendo 9 pontos desde abril e consolidando um empate técnico com João Campos tanto no primeiro quanto no segundo turno, sinalizando um recuo do candidato do PSB.

Considerações Analíticas desse humilde editor.

A eleição em Pernambuco encaminha-se para uma das disputas mais equilibradas do país. João Campos conseguiu aglutinar a esquerda tradicional em torno de seu projeto, assumindo abertamente o rótulo lulista para forçar uma polarização. Raquel Lyra, por sua vez, demonstrou resiliência, utilizando a máquina estadual e compondo alianças ao centro para recuperar terreno nas pesquisas.

A indefinição da segunda vaga ao Senado no palanque de Lyra e o desempenho da chapa de João Campos no interior do estado, onde a oposição a ele tentará minar sua força metropolitana, serão os vetores decisivos dos próximos meses.

A engenharia política de Raquel Lyra na formatação de sua chapa revela uma busca metódica por governabilidade e controle sobre a própria sucessão. A relutância em alçar um nome com a envergadura de Miguel Coelho à vice-governadoria não é fortuita: trata-se de um ator político independente, com base consolidada e aspirações declaradas ao Palácio do Campo das Princesas. Para a atual governadora, tê-lo na vice representaria o risco de abrigar um "governador nas sombras", perdendo a hegemonia do próprio projeto. Ao contornar essa composição e flertar com nomes mais alinhados à sua dinâmica, Lyra mantém a máquina em suas mãos e consolida uma estratégia abrangente, demonstrando capacidade de aglutinar votos tanto da direita, que rejeita o PT, quanto de setores progressistas atraídos por figuras como Túlio Gadêlha.

Em contrapartida, o movimento de João Campos desenha um contraponto nítido e de alto risco calculado. Ao montar uma chapa majoritária com forte e quase exclusiva tração à esquerda — blindando-se com a militância histórica do PT, PSB e PDT —, o prefeito do Recife assegura a hegemonia no campo lulista, mas, simultaneamente, cria um teto eleitoral. Essa estratégia afasta irremediavelmente o eleitorado de centro-direita e direita, que hoje representa uma fatia considerável e decisiva em Pernambuco. O desfecho dessa corrida, portanto, dependerá de qual aposta se provará mais resiliente: a polarização ideológica ancorada na figura presidencial de Campos, ou o pragmatismo de centro de Lyra, que busca capitalizar sobre as rejeições adversárias e acomodar divergências sob o guarda-chuva do poder estadual.

Por fim, o equacionamento da figura do presidente Lula nesse tabuleiro revela o pragmatismo que rege a alta política nacional. Embora esteja formalmente ao lado de João Campos, o presidente mantém a lucidez de que Pernambuco abriga um eleitorado plural, onde o fenômeno do voto cruzado é recorrente: uma parcela expressiva da população vota em Lula para a presidência, mas opta por Raquel Lyra no governo estadual. Consciente de que o Nordeste é seu principal reduto e de que um confronto direto com a atual governadora poderia fragmentar sua própria base de sustentação local, a tendência de Lula é a de evitar ataques frontais a Raquel. Para o Palácio do Planalto, preservar a governabilidade e blindar seu santuário eleitoral contra fissuras falará mais alto do que o sectarismo partidário, desenhando uma campanha onde a prudência presidencial prevalecerá sobre a polarização paroquial.

Para o presidente Lula, que tem no Nordeste o seu principal santuário eleitoral, entrar em um confronto direto e fratricida com a governadora Raquel Lyra seria um erro de cálculo que poderia alienar a fatia do eleitorado lulista que também apoia a gestão estadual.

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Homologação de Marconi Santana e o desfecho da chapa de Raquel Lyra

Neste domingo (2), a Convenção Estadual do PSD no Recife consolida o projeto de Marconi Santana à Assembleia Legislativa e promete colocar fim às intensas especulações de bastidores sobre a composição majoritária do governo estadual, definindo o futuro de Priscila Krause e Túlio Gadêlha.

Albertino Blima01 de agosto de 20262 min de leitura
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O Pátio 14 Sul, no Parador, Recife Antigo, será o epicentro da política pernambucana a partir das 9h deste domingo, 2 de agosto. A Convenção Estadual do PSD marcará a homologação oficial da candidatura do ex-prefeito de Flores, Marconi Santana, a deputado estadual, além de selar a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra.

Para Marconi Santana, o evento representa o ápice de um trabalho intensivo de expansão de bases. O ex-prefeito chega à convenção após meses de articulações sólidas, visitas e encontros que extrapolaram seus redutos originais. Com o lema "Vamos juntos com Marconi Santana", o candidato estruturou um projeto focado no municipalismo, atraindo lideranças do Sertão, Agreste, Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife. A expectativa é que sua rede de prefeitos, vereadores e aliados demonstre força política durante o ato, chancelando a capilaridade que sua campanha adquiriu na corrida por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

No entanto, o peso institucional do encontro também recai sobre o desfecho da chapa majoritária liderada por Raquel Lyra. A convenção é o prazo final para a revelação das peças que fecharão o tabuleiro governista. Nos corredores da política, as últimas horas têm sido marcadas por uma fervilhante bolsa de apostas. Uma das especulações mais fortes levanta a possibilidade de uma inversão de papéis estratégicos: a atual vice-governadora Priscila Krause seria lançada ao Senado Federal, abrindo espaço para que o deputado federal Túlio Gadêlha assuma a vaga de candidato a vice-governador.

Sob uma ótica analítica, esse movimento contrariaria os sinais emitidos ao longo da pré-campanha. Em abril, Túlio Gadêlha filiou-se ao PSD justamente em um ato planejado para lançar sua pré-candidatura ao Senado. Paralelamente, interlocutores apontavam que Priscila Krause demonstrava resistência em disputar um cargo em Brasília, preferindo manter-se na vice-governadoria. Contudo, na política, a engenharia de alianças na reta final frequentemente subverte o que parecia consolidado.

Independentemente de quais articulações prevaleçam, o resultado oficial será revelado no palco do Parador. A convenção deste domingo não apenas oficializará nomes com forte tração regional, como o de Marconi Santana, mas entregará ao eleitorado pernambucano o desenho definitivo das forças que disputarão o comando do Estado.

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Avanço no xadrez estadual: Marconi Santana consolida expansão de base política no Agreste

Em agenda pela "Capital da Moda", o pré-candidato a deputado estadual reuniu lideranças e demonstrou capilaridade para além de seus tradicionais redutos no Pajeú e na Região Metropolitana.

Albertino Blima01 de agosto de 20261 min de leitura
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A movimentação política em Santa Cruz do Capibaribe na noite desta quarta-feira (29) sinalizou um redesenho nas estratégias de alianças para o legislativo estadual. O pré-candidato a deputado estadual Marconi Santana reuniu centenas de pessoas em mais uma edição do projeto “Conversando com o Povo, Ouvindo Pernambuco”, demonstrando que seu projeto político começa a ganhar tração fora de suas bases históricas.

O evento na "Capital da Moda" ocorreu após uma série de agendas estratégicas nos municípios de Caruaru e Toritama. O encontro reuniu moradores, lideranças comunitárias e figuras políticas locais, evidenciando um esforço claro de interiorização e ampliação territorial de sua pré-campanha.

Historicamente reconhecido por sua articulação no Sertão do Pajeú e pela base construída na Região Metropolitana do Recife (RMR), Marconi testa agora sua viabilidade em um dos polos econômicos e eleitorais mais competitivos de Pernambuco. A expressiva adesão popular em Santa Cruz do Capibaribe indica que seu nome tem encontrado receptividade no Agreste, região determinante para a consolidação de qualquer candidatura de peso ao legislativo.

Durante a agenda, a dinâmica focou na escuta de demandas locais e na articulação direta com a base. Para o grupo político de Santana, o saldo da mobilização no Agreste confirma a tese de uma pré-candidatura com alto grau de capilaridade, pautada pelo diálogo direto e pela capacidade de aglutinar diferentes forças regionais no estado.

Confira as fotos do evento.

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Opinião

O Isolamento de Flávio Bolsonaro na Corrida Presidencial

A poucos dias do limite estabelecido pela Justiça Eleitoral, a incapacidade de atrair um nome de peso para a vice-presidência escancara o esvaziamento da chapa bolsonarista. Entre a recusa velada de Tereza Cristina e o distanciamento pragmático do Centrão, o cenário impõe a Flávio Bolsonaro o isolamento em uma campanha que carece de alianças estruturais, tempo de TV e financiamento, cobrando a fatura de antigas deslealdades.

Albertino Blima01 de agosto de 20263 min de leitura
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A estruturação de uma chapa presidencial exige pragmatismo matemático e previsibilidade política. Quando um candidato, às vésperas do encerramento do prazo eleitoral (5 de agosto), vê-se incapaz de confirmar um vice-presidente, o sintoma aponta para uma crise estrutural aguda. O atual imbróglio protagonizado por Flávio Bolsonaro e sua frustrada tentativa de alçar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) à condição de vice revela muito mais do que inabilidade de articulação: expõe as consequências da deslealdade política frente a aliados históricos.

A Ilusão de Tereza Cristina e a Matemática Estatutária

Sob a ótica estratégica, Tereza Cristina seria o ativo político ideal. Como ex-ministra da Agricultura, operaria como fiadora da chapa junto ao agronegócio, ao mercado financeiro e ao empresariado setores que, diante do acúmulo de escândalos, enxergam a viabilidade de Flávio com severo ceticismo. Ademais, a senadora representaria uma espécie de "apólice de seguro" contra a instabilidade inerente a um mandato sob pressão constante: uma figura de extrema confiança para assumir o cargo em um eventual cenário de impedimento.

Contudo, a surpreendente aceitação do convite por parte da senadora na reta final tem as digitais de uma manobra política minuciosamente calculada. Pressionada por figuras como Tarcísio de Freitas, Valdemar Costa Neto e caciques do agronegócio, o "sim" de Tereza Cristina transferiu o ônus da inviabilidade para a cúpula de seu partido. A matemática do estatuto do Progressistas (PP) exige oito dias de antecedência para a convocação de uma convenção nacional. Diante do estrangulamento do calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a chapa nasceu juridicamente inviabilizada, poupando a senadora de um desgaste direto com a base de apoio.

A Racionalidade do Centrão e a Fatura de Ciro Nogueira

O recuo estratégico de legendas como PP e União Brasil, que atualmente operam em federação [04:15], obedece a uma lógica de sobrevivência. Partidos de centro gravitam em torno da alocação eficiente de recursos e da manutenção do poder. Nacionalizar uma aliança com um candidato que sofre retração nas pesquisas devido a escândalos compromete arranjos regionais altamente lucrativos. No Nordeste, por exemplo, associar a imagem partidária a Lula se mostra eleitoralmente muito mais rentável para eleger governadores, senadores e deputados do que apostar na chapa bolsonarista.

Acrescenta-se a esse cálculo institucional o ressentimento político de Ciro Nogueira, presidente do PP. O rompimento não é fortuito: é a resposta direta ao abandono sofrido no início do ano, durante as investigações do escândalo do Banco Master. A omissão de Flávio Bolsonaro em defendê-lo publicamente quebrou a principal regra de governança na política de coalizão: a reciprocidade na adversidade. Para a cúpula do PP, se não houve retaguarda no passado, não há qualquer garantia de cumprimento de acordos em um futuro governo.

O Isolamento como Única Saída

O desfecho mais cristalino para Flávio Bolsonaro é a formação de uma chapa "puro-sangue", capitaneada exclusivamente pelo PL. Sem o tempo de televisão e a capilaridade do fundo eleitoral advindos de partidos robustos como o Progressistas e o União Brasil, sua campanha nasce desidratada frente aos concorrentes.

A provável escolha de um vice focado estritamente na lealdade interna, que não agrega capital político ou financeiro externo, deixou de ser um projeto de gestão para se consolidar como a única opção restante. A política institucional é implacável com a ausência de garantias. O isolamento atual comprova que, no xadrez eleitoral do mais alto nível, vitórias exigem credibilidade, uma moeda que a chapa em questão parece não ter mais em caixa.

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Editorial

O Abismo entre o Chão de Fábrica e o Palanque Virtual: A Política Exige Respostas

O noticiário evidencia uma dicotomia clara: enquanto lideranças pernambucanas pavimentam projetos políticos ancorados no diálogo territorial e no desenvolvimento institucional, a diplomacia sul-americana sofre os impactos de uma retórica governamental sequestrada pelo sofisma e pela desonestidade intelectual.

Albertino Blima28 de julho de 20262 min de leitura
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A análise do panorama político documentado pelo Jornal Pólis revela as duas faces diametralmente opostas do exercício do poder na contemporaneidade. De um lado, testemunha-se a construção metódica da política de base, focada em infraestrutura e governança territorial. Do outro, assiste-se à perigosa degradação das relações de Estado em prol de um espetáculo digital nutrido por falácias.

No âmbito estadual, Pernambuco vivencia uma movimentação que resgata a função primordial da representatividade pública. A consolidação das pré-candidaturas de Cristiano Dantas e Marconi Santana reflete um diagnóstico preciso das demandas sociais, rejeitando a superficialidade das redes em favor da presença física e da eficiência técnica. Dantas, ao aliar seu histórico na modernização do legislativo municipalista à vistoria de obras cruciais no Sertão do Pajeú — como a nova sede do corpo de bombeiros em Afogados da Ingazeira —, demonstra que a renovação exige conhecimento profundo da máquina pública. Em paralelo, a tração política de Santana rumo ao Cabo de Santo Agostinho comprova que a verdadeira capilaridade eleitoral se sustenta pela capacidade orgânica de escuta e articulação, conectando o interior à Região Metropolitana com pragmatismo. Trata-se da aplicação prática do desenvolvimento institucional: identificar problemas reais e estruturar soluções sólidas.

Em absoluto e preocupante contraste, a arena geopolítica sul-americana encontra-se assombrada pela política do espetáculo. As recentes investidas retóricas do presidente argentino Javier Milei contra as instituições brasileiras fornecem um estudo de caso sobre o charlatanismo argumentativo. Ao mesclar o irrelevante — a atuação de publicitários privados — com acusações financeiras desprovidas de lastro orçamentário, Milei elabora uma fraude narrativa desenhada para manter sua base radicalizada em estado de transe. Pior ainda, ao ocultar a assimetria jurisdicional entre as restrições cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro e o cumprimento de pena chancelado pela Suprema Corte argentina, ele deturpa o direito para se blindar sob um vitimismo estratégico.

O custo dessa irresponsabilidade não se mede em engajamento algorítmico, mas na potencial desestabilização de laços comerciais multibilionários e na paralisação da integração do Mercosul. A diplomacia, vetor que deve operar pautado pela previsibilidade, pela inteligência de Estado e pelo respeito à soberania, vê-se sabotada por um líder que sacrifica o futuro de sua nação no altar da própria vaidade.

A linha editorial do Jornal Pólis é intransigente quanto aos deveres da esfera pública. Não existem atalhos mágicos na administração do Estado. A autêntica mudança reside no trabalho diligente e ético que ergue os municípios, e não no sofisma que corrói pontes democráticas. Resta à sociedade separar o pragmatismo que constrói do ruído que apenas destrói.

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Opinião

A Política do Sofisma: Como Milei Transforma Mentiras em Espetáculo e Sabota a Própria Nação

Ao mesclar meias-verdades, vitimismo calculado e acusações sem respaldo fático, o presidente argentino converte a diplomacia em espetáculo rasteiro. Uma análise crítica sobre o uso do charlatanismo argumentativo para alimentar a militância enquanto sacrifica os interesses estratégicos de sua própria nação.

Albertino Blima28 de julho de 20263 min de leitura
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A diplomacia sul-americana foi mais uma vez rebaixada ao nível de um palanque de quinta categoria. O presidente argentino, Javier Milei, ao utilizar os microfones de uma rádio para disparar acusações infundadas contra o governo brasileiro, não cometeu um deslize provocado pelo improviso. Ele executou, com frieza, uma estratégia retórica rasteira, deliberada e profundamente destrutiva.

O que se assiste não é o comportamento de um chefe de Estado zelando pelos interesses de sua nação, mas a performance de um agitador que sequestrou a política externa para alimentar uma bolha extremista. A tática de Milei baseia-se em um pilar central: o charlatanismo argumentativo. Ele domina a arte de vencer o debate no grito, não porque tem razão, mas porque sequestra a realidade e a substitui por uma narrativa impossível de ser rebatida na mesma velocidade em que é criada.

A Anatomia da Meia-Verdade

A principal arma do presidente argentino é a contaminação de um fato irrisório com uma mentira monumental. Ao acusar o Estado brasileiro de financiar 25% de uma conspiração internacional difamatória, Milei joga para a plateia uma cifra inventada, desprovida de qualquer lastro fiscal, documental ou lógico.

Para dar verniz de credibilidade à ficção, ele utiliza uma âncora real: a presença de marqueteiros brasileiros na campanha de seu adversário, Sergio Massa. O fato de esses profissionais operarem como consultores privados, no livre mercado, é propositalmente omitido. Ao misturar o trabalho de uma agência privada com recursos públicos imaginários do Brasil, Milei cria uma "falsa verdade".

No ringue do debate político atual, essa tática é letal. Ele sabe que a desmentida técnica, baseada em auditorias e portais da transparência, é lenta e burocrática. A mentira, por outro lado, é imediata, viral e inflama sua base. Quando a verdade finalmente calça as botas, a mentira de Milei já deu a volta ao mundo, gerando os dividendos políticos que ele buscava.

Desonestidade Intelectual e o Vitimismo Estratégico

A desfaçatez atinge seu ápice na tentativa de equiparar o impedimento de sua visita a Jair Bolsonaro à visita de Luiz Inácio Lula da Silva a Cristina Kirchner. Há aqui um vício de origem que qualquer estudante de introdução ao direito reconheceria, mas que Milei ignora de forma calculada: a assimetria jurisdicional.

O presidente argentino compara o incomparável. Oculta que a restrição a Bolsonaro era uma medida cautelar impessoal do Supremo Tribunal Federal, aplicada a todo e qualquer cidadão, enquanto a visita à ex-presidente argentina foi formalmente pleiteada e autorizada pela Justiça de seu país.

A omissão desse abismo jurídico não é ignorância; é má-fé. Ao falsear a equivalência, Milei constrói um espantalho. Ele se projeta como a vítima heroica de um judiciário estrangeiro supostamente tirânico, esquivando-se do fato de que tentou atropelar a soberania das instituições brasileiras para produzir uma foto de campanha. É a terceirização da culpa elevada a método de governo.

O Preço da Irresponsabilidade Diplomática

A estratégia de Javier Milei é um sucesso inegável se o objetivo for acumular curtidas, viralizar recortes no TikTok e manter a militância digital em estado de transe. No entanto, o custo desse parasitismo ideológico é pago com o futuro da Argentina.

A insistência em classificar um chefe de Estado estrangeiro com termos derrogatórios — ignorando a anulação de processos que reestabeleceu a presunção de inocência de Lula — transcende a antipatia pessoal. É um ato de hostilidade institucional contra o principal motor econômico da região e o maior parceiro comercial da própria Argentina.

Milei adota uma postura de "terra arrasada", onde a estabilidade das relações de Estado, o fluxo de bilhões de dólares em exportações e a integração do Mercosul são sacrificados no altar do seu ego. Ele grita, gesticula, distorce a realidade e, aos olhos de seus seguidores, sai vitorioso do debate. Mas na arena implacável da geopolítica e da economia real, quem governa ancorado no cinismo e na falsificação da verdade está pavimentando o caminho para o isolamento e o fracasso. A Argentina merece mais do que ser o palco do delírio retórico de seu líder.

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Coluna

O Impacto das Declarações de Javier Milei sobre o Brasil

Em entrevista a uma emissora de rádio argentina, o presidente Javier Milei renovou ataques ao governo brasileiro e formulou acusações sobre financiamento eleitoral. Uma análise técnica das declarações revela o contraste entre pontos fáticos, assimetrias jurídicas e alegações sem sustentação probatória, no momento em que o Itamaraty escala a resposta institucional.

Albertino Blima28 de julho de 20264 min de leitura
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A Retórica da Confrontação e o Cenário Bilateral

A diplomacia entre Brasil e Argentina atravessa um dos momentos de maior inflexão da história recente. Em entrevista concedida à Rádio Mitre, de Buenos Aires, no final de julho de 2026 — logo após sua passagem por São Paulo para encontros com setores da oposição brasileira —, o presidente argentino Javier Milei voltou a direcionar duras críticas ao chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e à atuação institucional do governo do Brasil.

O episódio insere-se em uma estratégia recorrente de política externa pautada pelo alinhamento ideológico em detrimento da tradição pragmática que historicamente regeu o comércio e a cooperação no Cone Sul. Contudo, para além do impacto político da retórica adotada, impõe-se a necessidade de um exame minucioso das alegações apresentadas, separando os elementos comprovados das narrativas desprovidas de respaldo fático.

Escrutínio dos Fatos: O Que é Verídico e O Que Carece de Provas

Entre as acusações formuladas por Milei, destaca-se a afirmação de que o governo brasileiro teria financiado aproximadamente 25% de uma suposta campanha internacional de difamação voltada a desgastar a imagem de sua gestão. Sob a ótica da auditabilidade pública, trata-se de uma alegação sem qualquer sustentação probatória. Não existem registros orçamentários, auditorias ou relatórios de inteligência que comprovem a destinação de recursos públicos do Tesouro Nacional brasileiro para tal fim.

Por outro lado, quando o mandatário argentino aponta a presença de marqueteiros brasileiros na campanha do então candidato governista Sergio Massa nas eleições de 2023, a afirmação encontra correspondência parcial com os fatos, porém com distorção de contexto. Publicitários que integraram a equipe de comunicação da campanha eleitoral de Lula em 2022 de fato prestaram consultoria a Massa. No entanto, a atuação deu-se estritamente no âmbito do mercado privado de marketing político, sem qualquer vínculo oficial com o Estado brasileiro ou custeio via erário.

A análise comparativa sobre a veracidade das declarações revela distorções entre a retórica política e a realidade factual:

  • Financiamento de campanha anti-Argentina: A acusação de uso de verbas públicas brasileiras é classificada como sem comprovação (falsa), dada a absoluta ausência de registros fiscais, empenhos orçamentários ou evidências em órgãos de controle.

  • Atuação de publicitários em 2023: A informação é verdadeira, mas com ressalva. Embora profissionais brasileiros tenham trabalhado na campanha argentina, a prestação de serviços ocorreu exclusivamente no âmbito do mercado privado, sem qualquer envio oficial ou custeio por parte do Estado brasileiro.

  • Impedimento de visitas presenciais: O paralelo entre a negação de visita a Jair Bolsonaro e a visita realizada a Cristina Kirchner baseia-se em fatos verdadeiros, contudo omite a assimetria jurídica. A comparação desconsidera as particularidades dos regimes cautelares distintos fixados pelo Supremo Tribunal Federal e pela Justiça argentina.

  • Status jurídico dos interlocutores: A equiparação incorre em imprecisão terminológica. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva teve suas condenações anuladas pelo STF — reestabelecendo sua presunção de inocência —, Cristina Kirchner possui condenação confirmada pela Suprema Corte argentina.

Assimetrias Jurídicas e Enquadramento Processual

O presidente argentino traçou ainda um paralelo entre a negação, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), do seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, e a visita realizada por Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, em Buenos Aires.

Embora ambas as situações envolvam lideranças políticas e o Poder Judiciário, a comparação desconsidera a assimetria das decisões processuais de cada país. A restrição imposta a Bolsonaro decorreu de uma medida cautelar específica proferida pela Suprema Corte brasileira, aplicável a todos os cidadãos sob aquele regime restritivo. Já a visita de Lula a Cristina Kirchner ocorreu mediante autorização prévia conferida pelos magistrados argentinos responsáveis pela tutela da ex-presidente.

Da mesma forma, o uso de rótulos jurídicos por Milei exige precisão terminológica. Ao classificar Lula como "ex-presidiário", o discurso desconsidera o status constitucional de presunção de inocência restabelecido após a anulação de suas condenações pelo STF por razões de incompetência de foro e suspeição do juízo. Em contrapartida, a menção a Cristina Kirchner refere-se a uma autoridade cuja condenação a seis anos de reclusão foi confirmada pela Suprema Corte da Argentina, encontrando-se atualmente em cumprimento de pena em regime domiciliar.

Consequências Institucionais e Perspectivas Bilaterais

A reação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) foi imediata. Diante da gravidade das insinuações, o governo brasileiro convocou o embaixador em Buenos Aires para consultas — um mecanismo diplomático formal que sinaliza profundo descontentamento entre os Estados. No âmbito interno da Argentina, mais de trinta parlamentares apresentaram uma moção de repúdio na Câmara dos Deputados contra a postura do chefe do Executivo.

A desescalada desse impasse dependerá da capacidade de ambos os governos em separar a disputa ideológica das necessidades econômicas concretas. A Argentina permanece como o principal destino das exportações manufaturadas brasileiras na América Latina, enquanto o Brasil é o maior parceiro comercial do país vizinho. O prolongamento do atrito retórico, embasado em premissas não verificadas, impõe custos desnecessários à estabilidade regional e à integração comercial do bloco do Mercosul.

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Marconi Santana consolida base e reúne expressivo público no Cabo de Santo Agostinho

Em movimento estratégico de expansão territorial, o pré-candidato a deputado estadual Marconi Santana atrai grande público e lideranças no Bairro São Francisco, fortalecendo sua base política e o diálogo com a Região Metropolitana do Recife.

Albertino Blima28 de julho de 20261 min de leitura
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Cabo de Santo Agostinho (PE) — Em um movimento de expansão territorial rumo à Região Metropolitana do Recife (RMR), o ex-prefeito de Flores e pré-candidato a deputado estadual, Marconi Santana, demonstrou força política no último domingo (26). A edição do projeto “Conversando com o Povo, Ouvindo Pernambuco”, realizada no Bairro São Francisco, registrou lotação expressiva e reuniu uma ampla base de lideranças locais e apoiadores.

A agenda marcou uma ofensiva metropolitana do líder sertanejo, estruturada no diálogo direto com a comunidade para o levantamento de demandas locais. A iniciativa integra uma rota de interiorização e metropolização de sua pré-campanha, cujo objetivo é construir um mandato legislativo fundamentado no diagnóstico in loco das necessidades de diferentes microrregiões de Pernambuco.

Articulação e Capilaridade A mobilização no Bairro São Francisco evidenciou a capacidade de articulação de Santana fora de seu reduto eleitoral tradicional. O evento foi orquestrado pela liderança local João Mago e contou com a participação do núcleo estratégico do pré-candidato, incluindo sua filha, Paula Santana, e seu genro, Dr. Celso Cunha.

A construção de palanque no município também revelou a captação de apoios diversificados, unindo perfis técnicos e populares. Integraram o encontro nomes como Dr. Rafael Costa, Dr. Félix Santos e Dr. Marcos do INSS, além de líderes comunitários e regionais como Ernandi Santos, Jarbas da Água, Jonas Caetano, Tony de Cajueiro Seco, Buel de Escada e Jonathan Ribeirão.

Durante o ato, Marconi Santana absorveu as reivindicações da base e reafirmou seu compromisso com a presença descentralizada. A expressiva adesão popular no Cabo de Santo Agostinho não apenas consolida o projeto de Santana na RMR, mas também sinaliza competitividade e tração política em um dos maiores colégios eleitorais do estado.

Confira as fotos do evento:

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A Renovação de Pernambuco: Cristiano Dantas Surge como Força Promissora para a Câmara Federal

Com trajetória marcada pela transformação na União dos Vereadores do Brasil (UVB) e forte defesa da moralidade pública, o ex-vereador de Custódia, Cristiano Dantas, desponta como pré-candidato a Deputado Federal por Pernambuco. Pautado pela ética, capacitação técnica e municipalismo, Dantas apresenta uma proposta de renovação consciente no Congresso Nacional, alinhando visão estratégica e proximidade com as demandas reais do povo pernambucano.

Albertino Blima28 de julho de 20262 min de leitura
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Cristiano Dantas
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Com trajetória marcada pela modernização do legislativo na UVB e forte compromisso ético, o pré-candidato desponta como a verdadeira revolução política que o estado precisa no Congresso.

O cenário político pernambucano ganha um novo e expressivo dinamismo com a consolidação da pré-candidatura de Cristiano Dantas a Deputado Federal. Reconhecido por sua atuação estratégica e transformadora na União dos Vereadores do Brasil (UVB), Dantas emerge não apenas como um nome competitivo, mas como a personificação de uma demanda urgente da sociedade: a renovação pautada pela ética, capacidade técnica e compromisso inegociável com a moralidade pública.

Sua trajetória na liderança e orientação legislativa demonstrou uma habilidade ímpar de articular soluções, capacitar parlamentares e aproximar a política das reais necessidades dos municípios. Essa bagagem o credencia como uma das figuras mais promissoras para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados em Brasília, representando Pernambuco com altivez, preparo e visão de futuro.

Uma Revolução Baseada na Ética e na Eficiência

Cristiano Dantas representa a ruptura com velhas práticas políticas. Sua proposta para o legislativo federal é ancorada na transparência total, no rigor com o gasto público e no fortalecimento das instituições democratas.

"A política só cumpre seu papel transformador quando exercida com técnica, responsabilidade e, acima de tudo, respeito ao cidadão. Pernambuco precisa de representantes que honrem a confiança do povo no Congresso Nacional com trabalho sério e resultados concretos", afirma a liderança.

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Com trânsito plural e profundo conhecimento da realidade municipalista, Dantas carrega a maturidade de quem entende a máquina pública por dentro e a determinação de quem não se acomoda diante dos desafios estaduais.

Trabalho de Campo: Presença Marcante ao Lado da População

Demonstrando sintonia com as pautas de desenvolvimento de Pernambuco, Cristiano Dantas acompanhou nesta segunda-feira (27) a agenda oficial da governadora Raquel Lyra no Sertão do Pajeú. A comitiva vistoriou as obras da nova unidade do Corpo de Bombeiros e da nova creche municipal em Afogados da Ingazeira, empreendimentos fundamentais para a infraestrutura social e segurança da região.

Durante a visita, o pré-candidato fez questão de dialogar diretamente com os operários do canteiro de obras, destacando o valor humano por trás de cada empreendimento público. Em um momento de forte reflexão sobre o papel do Estado na vida das pessoas, Dantas ressaltou:

"Ninguém aqui está apenas assentando tijolos, armando ferragens ou levantando paredes. Cada um está ajudando a construir mais segurança para a população e mais oportunidades para as nossas crianças e suas famílias. É assim que grandes obras ganham ainda mais significado: quando entendemos que, por trás de cada parede erguida, existe um futuro sendo construído."

O Caminho Rumo a Brasília

A receptividade ao nome de Cristiano Dantas nos diversos municípios pernambucanos reflete o desejo de uma liderança capaz de unir rigor ético, proximidade popular e capacidade de entrega. A sua pré-candidatura a Deputado Federal se consolida com ritmo firme e tom vitorioso, projetando Pernambuco para um novo patamar de representatividade no cenário nacional.

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Opinião

O Patriotismo da Submissão: A Ilusão da Bandeira Alheia e a Renúncia da Soberania Nacional

Quando a defesa da pátria se confunde com o apelo por intervenção estrangeira, o verdadeiro derrotado é o Estado. Uma análise profunda sobre o paradoxo dos movimentos políticos que, sob as cores da bandeira nacional, terceirizam a autodeterminação do Brasil e celebram a própria subserviência.

Albertino Blima28 de julho de 20264 min de leitura
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Há uma imagem emblemática que se consolidou no cenário político brasileiro contemporâneo: multidões vestindo verde e amarelo, reunidas nas praças e avenidas do país, erguendo com deferência as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. O paradoxo visual salta aos olhos de qualquer observador analítico. Em nome da defesa intransigente da "pátria", reverencia-se o pavilhão de Estados estrangeiros; sob o manto do "nacionalismo", clama-se abertamente por sanções, ingerências e até intervenções externas nas instituições do Brasil.

A questão que se impõe ao debate público transcende a contradição estética. Trata-se de diagnosticar a emergência de uma anomalia sociopolítica sem precedentes na história republicana: um tipo de patriotismo que, ao renegar a autonomia e a capacidade resolutiva do próprio Estado, busca no exterior a validação — e a tutela — para os seus projetos de poder domésticos.

A Terceirização da Soberania: Os Fatos Recentes

Para compreender a gravidade desse fenômeno, não é necessário recorrer a abstrações teóricas. O histórico recente da política nacional oferece um vasto catálogo de episódios em que a soberania foi tratada como um obstáculo, e não como um pilar constitucional.

Um exemplo cristalino ocorreu quando comitivas de parlamentares brasileiros se deslocaram ao Congresso dos Estados Unidos com um objetivo insólito: fazer lobby contra o próprio país. Sob a justificativa de denunciar supostas violações de direitos no Brasil, esses autointitulados patriotas rogaram a parlamentares americanos que aplicassem sanções econômicas e diplomáticas contra autoridades do Estado brasileiro. Na mesma linha, presenciamos o apelo público e efusivo a magnatas estrangeiros da tecnologia, rogando para que utilizassem seu imenso poderio financeiro e o controle de plataformas digitais para intervir diretamente nas decisões do Supremo Tribunal Federal.

O ápice dessa desconstrução institucional, contudo, materializou-se recentemente, em julho de 2026. Durante uma convenção partidária em São Paulo, o presidente argentino Javier Milei foi recebido com honras por militantes "nacionalistas" brasileiros. Em seu discurso, o chefe de Estado estrangeiro atacou frontalmente o presidente da República do Brasil e proferiu ofensas diretas a ministros da mais alta Corte do país. O episódio, que culminou na imediata convocação de embaixadores para consultas pelo Itamaraty, ilustra a essência do problema: parte da militância política brasileira aplaude e endossa a agressão à soberania nacional, desde que o agressor compartilhe de sua cartilha ideológica.

O Complexo de Vira-Lata em Trajes Cívicos

O dramaturgo Nelson Rodrigues imortalizou o conceito do "complexo de vira-lata", definindo-o como a inferioridade em que o brasileiro se coloca voluntariamente em face do resto do mundo. O que observamos hoje é a sofisticação política desse complexo.

Ao clamar por intervenção estrangeira, atesta-se publicamente uma profunda desconfiança na capacidade cívica do povo brasileiro de resolver seus conflitos internos. Delega-se a tutela da nação a um ator externo, ignorando a premissa básica das Relações Internacionais: nenhuma potência global atua por benevolência moral. Qualquer intervenção ou pressão externa atende, primordial e invariavelmente, aos interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos do Estado interventor. Acreditar que potências ou corporações estrangeiras atuarão no Brasil para "salvar a liberdade" nacional é uma ingenuidade que flerta de perto com a traição institucional.

O Transnacionalismo Ideológico e o Sionismo Cristão

Como explicar, então, a reverência a símbolos como a bandeira de Israel em manifestações brasileiras? A resposta não reside em complexas análises geopolíticas, mas no sincretismo entre política e teologia.

Impulsionado por correntes do Sionismo Cristão, o apego ao Estado de Israel foi descolado da realidade do Oriente Médio e transformado em um totem moral no Brasil. Para esse grupo específico, o alinhamento incondicional a Israel assume contornos de dogma religioso e requisito para a prosperidade da própria nação, baseando-se em interpretações escatológicas literais. A bandeira estrangeira perde seu caráter de representação de um Estado soberano e passa a atuar como um amuleto de guerra cultural. O patriotismo deixa de ser o compromisso com o território, com as instituições e com o povo brasileiro, metamorfoseando-se em um alinhamento cego a uma "aliança global de valores conservadores".

A Verdadeira Essência da Pátria

O princípio fundante da República Federativa do Brasil, cravado no Artigo 1º, inciso I da Constituição, é a Soberania. Da mesma forma, a independência nacional e a não intervenção ditam nossas relações internacionais (Art. 4º).

O verdadeiro patriotismo não se constrói com a terceirização de responsabilidades políticas para o exterior, nem com a submissão voluntária a interesses alienígenas sob o disfarce de guerra ideológica. O amor à pátria exige coragem para enfrentar nossas disfuncionalidades, maturidade para debater nossas divergências e, acima de tudo, respeito intransigente às instituições nacionais. Quem pede que sanções, corporações ou lideranças estrangeiras resolvam os problemas do Brasil não ama a pátria; ama, tão somente, o próprio reflexo submisso projetado na bandeira do vizinho.

Conclusão

Em última análise, a consolidação de um projeto nacional autônomo, próspero e maduro é estruturalmente incompatível com a devoção cega a interesses alheios. O falso patriotismo, que se curva diante de bandeiras estrangeiras e implora por tutelas externas, não é um ato de amor à pátria, mas um atestado público de falência cívica e de subserviência ideológica.

Retomar a essência da soberania exige, antes de tudo, o resgate da nossa dignidade institucional e a compreensão histórica de que a construção do futuro brasileiro não pode ser terceirizada. Uma nação só se torna verdadeiramente livre, e devidamente respeitada no complexo cenário global, quando confia na própria capacidade de forjar o seu destino, rejeitando, de forma categórica e definitiva, o complexo de inferioridade disfarçado de verde e amarelo.

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A Arte de Sair de Fininho: A Diplomacia do "Deixa Disso" na Corte do PL

Entre contorcionismos retóricos e "desculpas aerodinâmicas", o deputado Nikolas Ferreira esquiva-se do fogo cruzado na disputa interna do PL. Entenda o amadorismo estratégico por trás do embate público entre Flávio e Michelle Bolsonaro e a tática de sobrevivência adotada nos bastidores da política partidária.

Jurandir Junior27 de julho de 20263 min de leitura
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Quando a política partidária resolve pegar emprestado o roteiro de uma novela mexicana das oito, o resultado é um espetáculo de fogo amigo que deixaria qualquer analista de Realpolitik coçando a cabeça. O recente "pega pra capar" entre Flávio Bolsonaro (o herdeiro natural do espólio) e Michelle Bolsonaro (a detentora do carisma e do engajamento orgânico) é um clássico caso de disputa prematura por hegemonia interna.

E no meio desse tiroteio familiar? Encontra-se o deputado Nikolas Ferreira, executando uma manobra de gestão de crise que beira o contorcionismo de circo.

A Síndrome de Pôncio Pilatos: A "Bola Dividida"

"Não estou entrando em bola dividida não. Estou tranquilo, estou trabalhando aqui."

Tradução simultânea do jargão político: "Se eu pular nessa trincheira, não sobra nem o meu laquê".

Nikolas sabe perfeitamente que em briga de herdeiro com a madrasta pelo controle do capital político, o coadjuvante que tenta separar a briga é o primeiro a levar a cadeirada. Sua estratégia é um exemplo de manual de sobrevivência no caciquismo partidário: quando o teto de vidro do seu próprio quintal começa a rachar, aponte para o vizinho.

Ao recorrer ao clássico espantalho do inimigo externo — "vamos focar em desgastar o governo Lula, tirar o PT" —, ele tenta aplicar uma cortina de fumaça na fratura exposta da legenda. É o equivalente a ver a cozinha da própria casa pegando fogo e gritar: "Gente, mas e a inflação na Argentina, hein?".

O "Auê" Desnecessário: Amadorismo Estratégico

Do ponto de vista estritamente analítico e apartidário, esse embate público é um erro primário. Lavar a roupa suja do partido no palanque nacional é um dreno monumental de energia.

Canibalização de Votos: Em vez de consolidar uma frente unida para pleitos futuros, a cúpula gasta tempo precioso medindo forças para ver quem manda no curral eleitoral.

Munição para o Adversário: Na política, você não entrega a pauta de bandeja para a oposição. Enquanto o partido debate quem senta na janelinha do espectro conservador, o adversário assiste de camarote, comendo pipoca.

Desgaste de Imagem: A imagem de desunião afugenta o eleitor de centro e o investidor político (os pragmáticos do Centrão), que preferem apostar em canoas que não estão furadas por dentro.

Achar esse "auê" errado não é uma questão de alinhamento político, é matemática eleitoral básica. Ninguém ganha eleição majoritária promovendo um Casos de Família em horário nobre.

A Desculpa Aerodinâmica: O Famoso "Sem Teto"

A cereja do bolo dessa ópera bufa, contudo, é a justificativa de Nikolas para sua ausência na convenção nacional do partido:

"Iríamos viajar eu, Domingos Sábio e Flávio Roscoe. Mas o avião não conseguiu, enfim, ter pouso para lá."

Na política, a meteorologia e a logística aérea são as ferramentas mais eficientes de damage control. O famoso "jatinho sem teto para pouso" é o atestado médico do parlamentar moderno. Que conveniente que as leis da aerodinâmica tenham impedido o deputado de comparecer ao exato local onde ele seria forçado a tirar uma foto sorrindo ao lado de duas pessoas que estão, nos bastidores, trocando farpas.

A aviação civil brasileira nunca falha em salvar um político de uma saia justa fotográfica.

Nikolas Ferreira agiu com o pragmatismo de quem sabe que seu mandato não pode ser tragado pelo buraco negro de uma rixa dinástica. Ele usou o spin doctoring para desviar o foco, pregou a paz armada entre Michelle e Flávio ("Acho que deram um recado de que existem coisas maiores em jogo") e usou a meteorologia como escudo.

No fim das contas, a declaração revela uma oposição que, no momento, precisa de menos estrategistas eleitorais e de muito mais terapeutas familiares de casal. Se o partido quiser realmente focar no "propósito maior", o primeiro passo lógico seria parar de atirar no próprio pé.

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Editorial

O Cruzado Estrangeiro e a Afronta Institucional

A participação do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL ultrapassa a cortesia diplomática, configurando grave interferência eleitoral e risco aos pilares republicanos do Brasil ao atacar o Estado de Direito, as instituições democráticas e a soberania nacional.

Albertino Blima27 de julho de 20264 min de leitura
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A convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em 25 de julho de 2026 na Arena Pacaembu, em São Paulo, oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. No entanto, o evento transcendeu a mera liturgia partidária para se tornar um palco de tensionamento geopolítico e institucional sem precedentes recentes. A presença e o longo discurso do presidente da Argentina, Javier Milei, configuraram uma intervenção direta no processo eleitoral brasileiro, exigindo uma análise rigorosa à luz do direito constitucional, da diplomacia e da integridade democrática.

A Retórica da Ruptura

O discurso de Javier Milei não se limitou a um aceno ideológico de cortesia; foi uma peça de mobilização agressiva, estruturada em eixos claros de ataque e promessas de salvação bélica:

  • A Cruzada Antissocialista: Milei apresentou seu próprio governo como uma missão para ajudar outras nações a evitarem "tragédias sociais e econômicas". Ele categorizou o socialismo não como uma corrente política divergente, mas como um sistema intrinsecamente ligado ao roubo e à decadência moral, afirmando que o Foro de São Paulo é uma rede transnacional para disseminação do comunismo.

  • Ataque Direto à Chefia de Estado: Em uma grave quebra de decoro diplomático, o mandatário argentino referiu-se ao atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como "presidiário" e "ladrão", incitando o público a entoar cânticos pedindo sua prisão. Milei classificou o atual governo como o "risco Lula", posicionando-se abertamente contra o chefe do Executivo da nação anfitriã.

  • Rejeição ao Devido Processo e "Garantismo": No campo jurídico-penal, Milei atacou o que chamou de "garantismo" e a "paciência com quem comete crimes". Ele defendeu que a única fórmula eficaz para a criminalidade é o punitivismo estrito, depositando em Flávio Bolsonaro a "vontade de ferro" para travar essa batalha. Criticou também a Justiça brasileira, classificando a proibição de visitas a Jair Bolsonaro como uma "clara demonstração de injustiça".

  • O Chamado à Batalha Final: Citando o economista Ludwig von Mises ("Não cedam diante do mal; combatam-no com ainda mais coragem"), Milei exortou a militância a não se envergonhar diante de "críticas infundadas" e encerrou sua fala apropriando-se do lema da direita norte-americana: "Façam o Brasil grande novamente".

Soberania, República e Democracia em Xeque

A conversão de um chefe de Estado estrangeiro em cabo eleitoral levanta graves questionamentos sobre a higidez do tecido institucional brasileiro. A análise aprofundada dos fatos revela três frentes de conflito com os pilares do Estado Democrático de Direito:

1. Afronta à Soberania e à Autodeterminação

O artigo 4º da Constituição Federal de 1988 estabelece a independência nacional e a não-intervenção como princípios basilares das relações internacionais do Brasil. Quando o presidente da Argentina utiliza um palanque eleitoral em solo brasileiro para insuflar a oposição contra o governo legitimamente eleito, ele cruza a linha da preferência ideológica e adentra na seara da interferência indevida. A soberania nacional pressupõe que o debate eleitoral seja conduzido por atores internos, sem a tutela ou a beligerância de potências estrangeiras, independentemente de seu espectro político.

2. Erosão do Pacto Republicano

A República exige a alternância de poder e o reconhecimento da legitimidade do adversário. A retórica de Milei, que desumaniza a oposição classificando-a como "o mal" ou como criminosos natos, corrói o pacto republicano. A política deixa de ser um espaço de negociação de interesses divergentes para se tornar uma guerra santa de extermínio. Quando um líder estrangeiro valida a narrativa de que o Supremo Tribunal Federal e a Justiça Eleitoral brasileira operam um sistema de "perseguição", ele endossa a desestabilização das instituições que garantem o próprio processo democrático.

3. O Risco ao Estado de Direito e às Garantias Individuais

A oposição frontal de Milei ao "garantismo" penal é, na prática, uma oposição aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência — cláusulas pétreas da Constituição. O arranjo institucional brasileiro rejeita soluções simplistas de punitivismo estatal desenfreado. A defesa de uma "vontade de ferro" acima das leis flerta perigosamente com o autoritarismo de Estado, ignorando a complexidade sistêmica da segurança pública.

Desdobramentos e Próximos Capítulos

Os efeitos deste discurso já se materializam. Diplomaticamente, o governo brasileiro respondeu apontando a inadequação da postura de Milei, sugerindo que ele foque na resolução dos problemas econômicos argentinos. Eleitoralmente, o evento cristaliza a estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro: uma forte aposta no resgate da figura do pai, no antipetismo visceral e no alinhamento internacional da extrema-direita (evidenciado também pelas menções a Donald Trump e Benjamin Netanyahu).

Contudo, essa estratégia carrega o risco do isolamento. Ao focar excessivamente na própria bolha e adotar uma postura de confrontação institucional imediata, a candidatura afasta lideranças de centro, fundamentais para a construção de uma coalizão majoritária.

Conclusão Institucional:

Para a República brasileira, a resposta a este episódio não deve se dar no campo da retórica inflamada, mas sim da resiliência institucional. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) estabelecerem balizas rigorosas e imediatas sobre o limite da participação de entes estrangeiros nas eleições de 2026. A tolerância com a quebra de soberania diplomática durante o período eleitoral cria um precedente perigoso, colocando o futuro do país à mercê de interesses externos e paixões importadas.

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Raquel Lyra intensifica interiorização com investimentos no Sertão sob clima de disputa política

Durante a 56ª Missa do Vaqueiro em Serrita, a governadora anunciou aporte de R$ 2,5 milhões para o Parque João Câncio. A agenda, marcada por um imprevisto logístico, evidenciou o distanciamento estratégico do prefeito João Campos e pavimenta a consolidação da base governista para as próximas convenções partidárias.

Albertino Blima27 de julho de 20262 min de leitura
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Serrita, PE — A governadora Raquel Lyra cumpriu neste domingo (26) uma agenda estratégica no Sertão Central, utilizando a 56ª Missa do Vaqueiro, em Serrita, como palco para reforçar a interiorização de sua gestão. O evento centralizou anúncios de infraestrutura, mas também serviu como termômetro para o acirramento do clima político no estado.

O principal aceno administrativo da chefe do Executivo foi o anúncio de R$ 2,5 milhões destinados à requalificação do Parque Estadual João Câncio. Em seu discurso, a governadora reiterou o foco do Estado na entrega de obras hídricas, viárias e de saúde para a região sertaneja, buscando consolidar uma marca de presença governamental longe da capital.

A chegada da comitiva estadual, no entanto, sofreu alterações. Devido a problemas técnicos na decolagem da aeronave em Arcoverde — onde a governadora pernoitou após compromissos em Sertânia —, houve atraso na agenda oficial. Nas primeiras horas da cavalgada, o Executivo estadual foi representado pela vice-governadora, Priscila Krause, até a chegada de Raquel Lyra.

Termômetro Eleitoral - Além das entregas institucionais, a Missa do Vaqueiro expôs a polarização precoce para a disputa estadual. Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife, João Campos, dividiram o mesmo espaço físico, mas mantiveram distância regulamentar durante todo o evento. A ausência de cumprimentos entre os pré-candidatos foi o retrato prático do embate que se desenha para o próximo pleito.

A movimentação da governadora pelo interior neste fim de semana transcende as entregas de obras. A estratégia é pragmática: fidelizar lideranças locais, como prefeitos e deputados, em meio às articulações para a formação de sua chapa.

Toda a mobilização atual converge para um marco decisivo no calendário político de Pernambuco: a convenção estadual do PSD, marcada para o dia 2 de agosto no Recife. O evento partidário tem o objetivo de aglutinar aliados de todas as regiões e dar tração à base governista, definindo o peso das alianças da atual gestão para os desafios eleitorais que se aproximam.

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O Xadrez Incompleto do Democrata: A Aposta de Risco que Sacudiu a Política Pernambucana

O partido Democrata oficializou neste domingo (26), no bairro de Boa Viagem, no Recife, a candidatura do professor e líder sindical Jeremias Cosmo ao Governo de Pernambuco, além de Gilvan Costa ao Senado Federal. Marcada por um discurso de forte alinhamento à direita e foco irrestrito na segurança pública, a convenção revelou uma tática eleitoral pragmática: priorizar a tração de votos para uma robusta bancada proporcional de 25 candidatos, mantendo a vaga de vice-governador e a primeira suplência ao Senado como ativos reservados para negociações de última hora.

Albertino Blima27 de julho de 20263 min de leitura
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Em uma convenção marcada por discursos duros e cadeiras vazias na chapa majoritária, a legenda oficializou a candidatura do Professor Jeremias ao Governo do Estado — mas o que ficou de fora do evento diz mais sobre as eleições de 2026 do que o próprio palanque.

O Movimento Inicial: Uma Equação Fora do Padrão

No último domingo (26), os holofotes da política pernambucana se voltaram para o bairro de Boa Viagem, no Recife. À primeira vista, o roteiro parecia o de uma convenção partidária tradicional: militantes reunidos, discursos inflamados e a confirmação de nomes para a disputa eleitoral de outubro.

No entanto, por trás da formalização do Professor Jeremias (Jeremias Cosmo) como candidato ao Governo do Estado e de Gilvan Costa para o Senado Federal, o evento expôs uma estratégia calculada — e de alto risco — que reorganiza as forças da direita no estado.

Jeremias, figura conhecida por sua atuação na rede estadual de ensino, bancário e liderança no Sindicato dos Bancários da Mata Sul, traz ao pleito uma combinação atípica: origem na organização sindical associada a um discurso de rígida disciplina na segurança pública e firme alinhamento conservador.

As Peças Faltantes no Tabuleiro

O verdadeiro ponto de virada da convenção não esteve nos nomes anunciados, mas nas lacunas deixadas na ata oficial. O Democrata optou por não preencher dois postos estratégicos da disputa majoritária:

  • A vice-governança: Deixada aberta para negociações de última hora.

  • A primeira suplência do Senado: Mantida em suspenso, enquanto a segunda suplência foi ocupada por Siméia Carvalho.

O Diagnóstico Político: No pragmático mercado de alianças, lançar uma chapa "pela metade" é uma lâmina de dois gumes. Se por um lado demonstra flexibilidade para atrair dissidentes de outros blocos partidários antes do prazo final de registro, por outro revela a dificuldade imediata da legenda em costurar uma coligação encorpada logo de partida.

A Estratégia Proporcional: O Efeito de Arrastar Votos

Enquanto o topo da chapa busca definição, a base proporcional foi desenhada com precisão cirúrgica. O partido oficializou 25 candidaturas proporcionais:

Deputado Estadual: 16 candidatos

Deputado Federal: 9 candidatos

A aposta no legislativo reflete a necessidade primordial de sobrevivência partidária: garantir cláusula de barreira e tempo de rádio e TV para os próximos ciclos. A presença de uma candidatura ao Governo liderada por um perfil combativo serve como um "puxador de votos" ideológico, direcionando o eleitorado conservador para a chapa proporcional.

O Que Está em Jogo a Partir de Agora

A movimentação do Democrata em Boa Viagem estabelece três desdobramentos imediatos para o cenário político estadual:

  1. Pressão sobre a Direita Tradicional: Ao fincar bandeira com uma candidatura própria com tom enfático na segurança pública, o partido força outros pré-candidatos do mesmo campo a endurecerem o tom ou arriscarem a perda de fatia do eleitorado.

  2. O Leilão da Vice: Os próximos dias serão decisivos para observar qual grupo político aceitará compor a vaga de vice na chapa de Jeremias Cosmo, o que indicará o real poder de atração da candidatura.

  3. A Testagem das Urnas: O desempenho de um perfil sindicalista-conservador medirá a adesão do eleitorado da Mata Sul e do Recife a novos nomes fora do eixo tradicional das oligarquias locais.

O Democrata deu a largada, mas o jogo eleitoral em Pernambuco começa, de fato, na busca pelas respostas que a convenção deste domingo preferiu adiar.

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Coluna

O Tabuleiro em Ebulição: Crises Diplomáticas e a Judicialização Antecipada da Corrida de 2026

Entre o acirramento das relações com Argentina e EUA e o uso inédito de IA nas convenções partidárias, o cenário político nacional desenha uma disputa marcada por tensões institucionais e reordenamento geopolítico.

Albertino Blima27 de julho de 20263 min de leitura
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A escalada retórica do presidente Javier Milei durante a convenção do PL deflagrou uma crise sem precedentes recentes na diplomacia sul-americana, culminando na convocação do embaixador argentino pelo Itamaraty e no chamado do representante brasileiro em Buenos Aires para consultas. O impacto imediato dessa ruptura institucional transcende a retórica, ameaçando a paralisia de acordos bilaterais estratégicos no âmbito do Mercosul e afetando a previsibilidade logística da região. Como consequência, o isolamento político entre os dois maiores parceiros do bloco gera extrema insegurança jurídica para o setor exportador. A conclusão lógica aponta para um congelamento prolongado das relações em alto nível, forçando o empresariado a buscar mediações pragmáticas e canais alternativos independentes dos chefes do Executivo até que os ciclos eleitorais vigentes sejam concluídos.

No front interno, as convenções partidárias deste domingo consolidaram não apenas os palanques, mas a judicialização prematura do pleito de 2026. Enquanto o PSD tenta viabilizar Ronaldo Caiado como via alternativa e o PT lança Fernando Haddad ao governo paulista, o foco crítico reside na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, marcada pelo uso de inteligência artificial para exibir Jair Bolsonaro e contornar restrições legais. O impacto mais relevante desse evento é a imposição de um teste de estresse imediato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao STF, provocado pela pronta reação da PGR acionada pelo PT. A consequência direta será a formulação forçada de jurisprudência inédita sobre o uso de deepfakes e avatares digitais em campanhas. Conclui-se que o Judiciário continuará sendo o árbitro central e onipresente do processo político, com o contencioso eleitoral e a regulação tecnológica se sobrepondo ao debate estrito de propostas de governo.

No cenário global, a recusa de vistos a integrantes do Departamento de Estado dos EUA e a resposta contundente do governo brasileiro às sobretaxas de Donald Trump evidenciam um reposicionamento assertivo — e arriscado — do Brasil no eixo Norte-Sul. O impacto dessa fricção dupla é a deterioração acelerada da confiança mútua, um ativo essencial para a atração de investimentos diretos e cooperação tecnológica. Como consequência, o Brasil se expõe a possíveis retaliações comerciais e financeiras americanas, exigindo uma compensação diplomática agressiva para escoar sua produção. A conclusão lógica é que a defesa irrestrita da soberania eleitoral e econômica adotada pelo Planalto acelera a desvinculação estratégica de Washington, empurrando irremediavelmente a dependência comercial brasileira para uma aliança mais profunda com o mercado asiático e os parceiros do BRICS.

Por fim, o falecimento de Octavio Gallotti aos 95 anos encerra um capítulo vital da memória institucional do Supremo Tribunal Federal, marcando a perda de um dos artífices da consolidação jurisprudencial no período de transição da Constituição de 1988. O impacto de sua partida promove uma necessária reflexão sobre a evolução do papel da Corte, contrastando o perfil garantista, técnico e contido de sua gestão na presidência (1993-1995) com a atual postura proativa exigida pelas recentes crises democráticas. A consequência institucional é um resgate simbólico do debate sobre a necessidade de moderação e previsibilidade na atuação dos poderes. Conclui-se que o luto oficial não serve apenas como uma justa homenagem histórica, mas atua como um lembrete doutrinário rigoroso em um momento em que a Suprema Corte opera no limite de suas prerrogativas constitucionais para mediar uma sociedade intensamente polarizada.

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Coluna

Ouro Negro do Pajeú: Flores celebra o centenário do gênio Moacir Santos com festival histórico.

No último sábado (25), véspera da data oficial do seu centenário, a cidade de Flores, no Sertão do Pajeú, transformou-se no palco de uma grande reverência à música popular brasileira. A Rua da Igreja Matriz sediou o 1º Festival Ouro Negro do Pajeú (Festi'Ouro), evento que marcou as comemorações dos 100 anos de nascimento do maestro, arranjador e multi-instrumentista Moacir Santos, um dos filhos mais ilustres da terra.

Albertino Blima26 de julho de 20262 min de leitura
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O festival promoveu uma extensa imersão na cultura sertaneja e no legado do músico, com uma programação que incluiu desde o lançamento do livro “Rota Infinito: Moacir Santos e a composição autoral” até uma inovadora “Mesa de Glosa: Mulheres de Repente”. O ápice das homenagens ocorreu à meia-noite, com o corte de um bolo gigante e a execução monumental de "Nanã", considerada a principal obra-prima do mestre.

Entre as figuras políticas e autoridades presentes, destacou-se a participação de Marconi Santana, Ex-secretário de Governo do município e pré-candidato a deputado estadual por Pernambuco. Ex-prefeito de Flores por quatro mandatos — tendo encerrado sua última gestão com impressionantes 82% de aprovação —, Marconi prestigiou as apresentações e celebrou a memória do maestro. Sua presença no Festi'Ouro reforça seu vínculo histórico com o Sertão do Pajeú em meio às recentes articulações de sua pré-campanha rumo à Assembleia Legislativa.

De Flores para o Mundo: Quem foi Moacir Santos?

Nascido em 26 de julho de 1926 na zona rural de Flores, Moacir Santos teve uma infância marcada por extremas dificuldades, ficando órfão antes dos três anos de idade. Acolhido por famílias da região, seu talento inato começou a brilhar nas bandas filarmônicas do sertão.

Aos 14 anos, já dominava saxofone, clarinete, banjo, violão e bateria. Essa genialidade o levou da Paraíba à Rádio Nacional no Rio de Janeiro na década de 1950, culminando em sua consagração internacional quando se mudou para Pasadena, na Califórnia (EUA), no final dos anos 1960.

Conhecido como o garimpeiro do "Ouro Negro" da música brasileira, Moacir inovou ao mesclar as raízes rítmicas afro-brasileiras e a sonoridade do sertão à sofisticação do big-band jazz norte-americano.

Seu célebre álbum Coisas (1965) é considerado um divisor de águas, tendo influenciado gigantes da Bossa Nova, como Baden Powell e Roberto Menescal. A grandiosidade de sua obra foi eternizada até mesmo em versos por Vinicius de Moraes no famoso Samba da Benção (1966): "A benção, Moacir Santos, tu que não és um só, és tantos".

Um Legado Vivo

O mestre faleceu em agosto de 2006, aos 80 anos, mas nunca deixou de lado suas raízes. Os moradores mais antigos de Flores recordam com carinho de suas viagens à terra natal, sempre com a mala cheia de doces e instrumentos musicais para distribuir às crianças locais.

As comemorações deste centenário coroam não apenas a imortalidade de sua obra, mas o orgulho de um município que, com o apoio de suas lideranças locais, continua trabalhando para que o som do Sertão do Pajeú ecoe para as próximas gerações.

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Editorial

O Tabuleiro Paulistano e o Destino Nacional: O Xadrez Antecipado de 2026

Enquanto o PL aposta na radicalização e na internacionalização da direita para lançar Flávio Bolsonaro à Presidência, o PT costura uma frente ampla e pragmática em torno de Fernando Haddad ao governo paulista, transformando São Paulo no epicentro da batalha nacional de 2026.

Albertino Blima26 de julho de 20262 min de leitura
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O último final de semana transformou o estado de São Paulo no laboratório definitivo para as eleições de 2026. A realização simultânea das convenções do Partido Liberal (PL) na capital e do Partido dos Trabalhadores (PT) em Campinas não apenas oficializou candidaturas, mas escancarou as estratégias diametralmente opostas que guiarão as duas maiores forças políticas do país nos próximos meses.

No Pacaembu, o PL lançou o senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República em um evento que evidenciou uma aposta no tensionamento institucional e na consolidação de sua base mais fiel. A ausência física de aliados de centro foi compensada pela internacionalização do palanque, com a presença ruidosa do presidente argentino Javier Milei, e pelo uso de vídeos de familiares, incluindo uma mensagem de Jair Bolsonaro gerada por inteligência artificial. O tom dos discursos flertou abertamente com o revanchismo: promessas de anistia aos presos pelo 8 de janeiro, vitimização política e ataques diretos ao Supremo Tribunal Federal — exemplificados pelas ofensas de Milei ao ministro Alexandre de Moraes. Fica claro que a estratégia inicial do bolsonarismo é inflamar sua bolha, priorizando a guerra cultural e o passado recente em detrimento, até o momento, de um projeto propositivo para o futuro do país.

A cerca de 100 quilômetros dali, em Campinas, a convenção do PT que oficializou Fernando Haddad na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes revelou um cálculo político distinto, pautado pelo pragmatismo e pela realpolitik. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin sublinhou que a candidatura de Haddad transcende a política estadual: ela é a viga mestra da estratégia para garantir a reeleição presidencial no primeiro turno. Para isso, o lulismo costurou uma aliança elástica que abriga desde o PSB de Márcio França (candidato a vice) até as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet, endossadas para o Senado. O alvo central dos discursos foi o atual governador Tarcísio de Freitas, numa tentativa de colar sua imagem aos desgastes da família Bolsonaro e explorar as desconfianças sobre sua lealdade política.

A leitura atenta dessas duas movimentações oferece ao leitor um panorama claro do que está em jogo. De um lado, uma direita que opta pela purificação ideológica, blindando-se em narrativas de perseguição e buscando no extremismo o oxigênio para sobreviver às crises. De outro, uma esquerda que, ciente dos riscos, abdica do purismo para construir uma frente heterogênea, apostando no peso da máquina federal e na diluição de rejeições no interior paulista.

O xadrez de 2026 já está sendo jogado, e as peças foram movidas de forma clara. Caberá ao eleitor, com serenidade e senso crítico, decifrar além dos discursos acalorados, avaliando qual visão de Estado — e qual compromisso com a estabilidade democrática — cada palanque de fato representa.

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Opinião

O Grito no Vazio — A Campanha de Flávio Bolsonaro Troca o Futuro pelo Revanchismo

Sem apresentar um projeto de país, a oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026 aposta no radicalismo e em ataques institucionais como cortina de fumaça para mascarar seu isolamento político e as recentes crises nos bastidores.

Albertino Blima26 de julho de 20262 min de leitura
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A convenção do Partido Liberal em São Paulo não foi o lançamento de um projeto de país, mas a oficialização de uma trincheira. Ao ungir Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência para 2026, o bolsonarismo deixou cristalino que sua plataforma não será feita de propostas, metas econômicas ou visão de Estado. O cardápio oferecido ao eleitor será, quase exclusivamente, o ataque sistêmico e o revanchismo.

O palco armado para o senador foi um retrato fiel dessa estratégia. A presença ruidosa do presidente argentino Javier Milei e o vídeo de Benjamin Netanyahu serviram como um espetáculo para animar a bolha radical, funcionando como uma cortina de fumaça para a ausência de quem realmente decide eleição no Brasil: os aliados de centro. A repetição exaustiva da retórica antipetista, a vitimização e os ataques requentados ao Supremo Tribunal Federal mostram uma campanha que já nasce envelhecida, ancorada no ressentimento e incapaz de dialogar com os problemas reais da população.

Essa aposta no conflito permanente, contudo, não é apenas uma escolha ideológica; é uma tática de sobrevivência para desviar a atenção de um noticiário incômodo. O radicalismo no palanque tenta abafar as seguidas crises que encurralam o candidato. As diversas versões e as flagrantes contradições sobre a sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro expõem flancos abertos que a campanha tenta desesperadamente varrer para baixo do tapete. Do mesmo modo, as nebulosas questões recentes envolvendo o filme de seu pai mostram que o entorno do candidato continua imerso em polêmicas que implodem qualquer ponte com o eleitorado moderado.

Quando um candidato não consegue estancar suas próprias crises ou explicar suas alianças de bastidores, a saída mais fácil é gritar contra o "sistema". No entanto, o isolamento político de Flávio Bolsonaro já é palpável. Siglas fundamentais para a governabilidade e para o tempo de TV preferiram manter distância regulamentar da convenção. Paralelamente, o Palácio do Planalto atua com precisão cirúrgica para asfixiar as já escassas possibilidades de aliança do PL. Até mesmo aliados naturais demonstram um pragmatismo gélido, evitando colar suas imagens a um projeto que flerta com o desgaste institucional contínuo — como prova a insistência injustificável de voltar a atacar as urnas eletrônicas.

A conclusão é inescapável: a candidatura de Flávio Bolsonaro não busca construir uma alternativa viável para o Brasil, mas sim blindar um grupo político acuado. É uma campanha calcada em ataques simplesmente porque lhe faltam defesas. Resta saber se o eleitorado brasileiro estará disposto a pagar o preço, mais uma vez, por um projeto político que não oferece absolutamente nada além da terra arrasada.

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Política

Cultura e Liderança: Marconi Santana consolida força política no histórico 1º Festi’Ouro em Flores

Ao prestigiar o 1º Festival Ouro Negro do Pajeú, que celebra o centenário do maestro florense Moacir Santos, o ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual Marconi Santana reafirma seu compromisso com a cultura local, reforça parcerias e demonstra sua força e popularidade junto à população do Sertão.

Albertino Blima26 de julho de 20262 min de leitura
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A valorização das raízes e o resgate da memória sempre foram marcas de grandes lideranças. Neste sábado, a cidade de Flores viveu um momento ímpar não apenas para a cultura pernambucana, mas também para a consolidação de um projeto político que entende a cultura como vetor de desenvolvimento. O 1º Festival Ouro Negro do Pajeú (Festi’Ouro), em celebração ao centenário do maestro Moacir Santos, tornou-se o palco ideal para reafirmar a presença e a força do ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual, Marconi Santana.
O evento, que atraiu turistas, intelectuais, artistas e admiradores da obra de Moacir Santos, foi uma verdadeira vitrine do potencial do município — um potencial que foi amplamente estruturado durante as gestões de Marconi Santana. Foi sob sua liderança no Executivo que o nome e o legado do maestro ganharam destaque definitivo nas ações culturais de Flores, preparando o terreno para que a cidade se tornasse uma referência estadual de preservação da memória.

Proximidade com o povo e diálogo com o futuro

Ao lado de sua esposa, a atual secretária de Turismo e Eventos, Lucila Santana, e do prefeito Gilberto Ribeiro, Marconi caminhou pelo evento com a naturalidade de quem conhece cada canto da cidade. Em uma demonstração clara de capital político e carisma, o pré-candidato foi calorosamente recebido pela população.

Durante o festival, ele reencontrou amigos, conversou com visitantes e articulou com personalidades da cultura pernambucana, mostrando que seu projeto para a Assembleia Legislativa dialoga diretamente com as bases e com a intelectualidade do estado.

Os principais pilares demonstrados por Marconi no evento:

  • Visão de Continuidade: O festival evidenciou que os projetos iniciados em suas gestões continuam gerando frutos e impulsionando a cidade.

  • Apoio Institucional Forte: A sintonia com o atual prefeito Gilberto Ribeiro demonstra a coesão do grupo político local, essencial para uma campanha estadual robusta.

  • Cultura como Desenvolvimento: Ao abraçar o Festi’Ouro, Marconi reforça a pauta da economia criativa e do turismo, temas centrais para o crescimento de Pernambuco.

O orgulho do Sertão como plataforma

Neste 26 de julho, ao celebrar o centenário do filho ilustre que levou o Sertão do Pajeú para o mundo, Flores também celebrou o orgulho de suas raízes. Ao prestigiar e abraçar o Festi’Ouro, Marconi Santana projeta-se não apenas como um gestor de resultados comprovados, mas como um defensor autêntico da identidade pernambucana.

Em uma eleição onde a proximidade com as bases e a capacidade de entrega serão fatores decisivos, o evento deste fim de semana deixou uma mensagem clara: o Sertão tem uma voz forte, articulada e pronta para representar Pernambuco.

Veja as fotos do evento:

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Política

Do Pajeú para Pernambuco: A Ascensão de Marconi Santana como Força Estratégica na Alepe

Com um histórico de quatro mandatos transformadores em Flores e uma visão consolidada de integração regional, o ex-prefeito desponta no PSD como um dos nomes mais promissores para renovar a Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Albertino Blima24 de julho de 20264 min de leitura
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Há lideranças políticas que nascem de alinhamentos provisórios, e há aquelas forjadas na dureza e na realidade do território. Marconi Martins Santana pertence à segunda categoria. Contador de formação e com forte experiência no setor bancário, ele carrega para a vida pública uma característica rara na política contemporânea: o método. É essa combinação de técnica administrativa com apelo popular que está transformando o nome de Marconi em uma verdadeira revelação no tabuleiro estadual de Pernambuco para as eleições.

Seu movimento mais recente e decisivo ocorreu em março de 2026, quando assinou sua filiação ao PSD. A estratégia do partido é clara: montar uma bancada forte e competitiva na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ao lado de outras lideranças regionais de peso, Marconi chega não apenas como um ex-prefeito, mas como um articulador que compreende que o desenvolvimento do Sertão não se faz isolando municípios, mas integrando regiões.

A Base de Tudo: O Legado em Flores

Para entender o peso da candidatura de Marconi, é preciso olhar para o retrovisor. Herdeiro do capital político de seu pai, Wilson Santana, cuja trajetória já era aclamada, Marconi soube construir a própria identidade. Ele não começou pelo telhado; sua vida pública teve início no Legislativo municipal, o espaço onde as cobranças da população são mais diretas.

Como prefeito de Flores, no Sertão do Pajeú, governou por quatro mandatos (2005–2012 e 2017–2024), deixando o cargo com altos índices de aprovação — em 2020, foi reeleito com expressivos 63,14% dos votos. A gestão foi marcada por um rigor fiscal que permitiu grandes investimentos. Ele não se limitou a pagar contas; promoveu uma verdadeira revitalização urbana e abraçou a valorização cultural. Eventos tradicionais, como a famosa Festa das Rosas, foram profissionalizados, garantindo não apenas lazer, mas injeção direta na economia local. Para a população de Flores, o consenso nas ruas reflete um sentimento claro: o de um gestor que qualquer cidade gostaria de ter.

Legislativo e Base

1989–1996

Inicia sua carreira política como vereador em Flores por dois mandatos consecutivos, chegando a presidir a Câmara Municipal por duas vezes.

A Primeira Era no Executivo

2005–2012

Assume a prefeitura de Flores, liderando a cidade por oito anos com foco em ajuste fiscal e modernização da infraestrutura urbana.

O Retorno e a Consolidação

2017–2024

Volta ao comando do município por mais dois mandatos. Em 2020, consagra-se nas urnas com mais de 63% dos votos válidos, consolidando a revitalização da cidade.

Articulação no Governo

2025

Após deixar a prefeitura, assume como Secretário de Governo de Flores, mantendo ativa sua capacidade de articulação na gestão municipal.

O Salto Estadual

Março de 2026

Filia-se ao PSD ao lado de outras grandes lideranças, pavimentando oficialmente sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Visão de Bloco: O Papel no CIMPAJEÚ

O que diferencia um "bom prefeito" de um "líder estadual" é a capacidade de enxergar além das fronteiras de sua própria cidade. Foi exatamente essa transição que Marconi Santana operou ao assumir a presidência do Consórcio de Integração dos Municípios do Pajeú (CIMPAJEÚ).

Em um modelo de gestão moderna, os consórcios públicos são as ferramentas mais eficientes para atrair recursos federais e estaduais, baratear licitações e resolver problemas estruturais — como destinação de resíduos sólidos e saúde de média complexidade — que prefeituras sozinhas não conseguem bancar. À frente da instituição, Marconi atuou como um diplomata do Sertão. Ele estreitou laços entre os prefeitos da região, mostrando que o Pajeú unido negocia com muito mais peso no Palácio do Campo das Princesas do que municípios isolados.

A "Revelação" que já Nasce Grande

Chamar Marconi Santana de "revelação" no cenário estadual soa como um paradoxo para quem acompanha a política do Sertão. Ele já é uma realidade no Pajeú há décadas. No entanto, para a lógica da capital e da Alepe, a chegada de um quadro com essa densidade eleitoral e capacidade técnica é, de fato, uma novidade que altera o balanço de forças.

A população pernambucana tem exigido perfis no Legislativo que entendam na prática como a máquina pública funciona. A experiência de um ex-prefeito tetracampeão nas urnas oferece a garantia de que as leis e emendas propostas terão viabilidade real nos municípios. Marconi entra na corrida não apenas para ocupar uma cadeira, mas para ser uma voz técnica e incisiva em defesa de um modelo de desenvolvimento regional estruturado.

O Sertão do Pajeú já deu a Pernambuco grandes nomes da política. Ao que tudo indica, as eleições de 2026 estão prestes a confirmar mais um.

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Opinião

A Dívida do Discurso: O Labirinto de Contradições e a Verdadeira Face de Flávio Bolsonaro

Da negativa agressiva sobre o filme "Dark Horse" às notas fiscais milionárias, a trajetória do senador expõe um padrão. Como o desespero eleitoral fez a máscara de "moderado" cair, revelando a verdadeira face política do filho 01.

Albertino Blima24 de julho de 20263 min de leitura
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Na política contemporânea, a verdade raramente é tratada como um dado absoluto; costuma ser moldada e adaptada às conveniências do poder. Quando se observa a trajetória do senador Flávio Bolsonaro, a questão fundamental que se impõe não é o reducionismo de afirmar que "tudo o que ele diz é mentira". O mundo real não opera nesse maniqueísmo. O verdadeiro nó cego reside na crise crônica de credibilidade que o acompanha: a margem de dúvida sobre sua palavra tornou-se a regra, e o atropelo dos fatos sobre suas narrativas, uma rotina.

Durante muito tempo, o filho 01 da família Bolsonaro tentou vestir a máscara do político moderado. Nos corredores de Brasília, ele era vendido como o perfil pragmático e diplomático do clã, o oposto do tom belicoso do pai. No entanto, as últimas semanas revelaram que essa moderação era apenas uma fina camada de verniz. Quando a pressão aumenta, o que sobra é um roteiro de contradições, recuos e meias-verdades que desmoronam diante da primeira checagem de fatos.

O escândalo envolvendo o financiamento do filme "Dark Horse" — uma cinebiografia laudatória sobre Jair Bolsonaro — é o exemplo mais didático desse modus operandi. Quando a reportagem do The Intercept trouxe à tona que Flávio havia pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para bancar a obra, a primeira reação do senador foi a negação agressiva. Acusou o repórter de mentir e de ser um "militante". Apenas duas horas depois, diante do vazamento de um áudio com a sua própria voz pedindo os recursos, a versão mudou bruscamente: a captação passou a ser tratada como um "patrocínio privado e transparente".

Para tentar estancar a crise, Flávio prometeu publicamente revelar os contratos e as planilhas do filme em até 30 dias. Mais de dois meses (65 dias) se passaram e a sociedade brasileira não viu um único recibo. E a situação, que já era grave sob o escrutínio do Supremo Tribunal Federal, tornou-se insustentável com uma nova revelação: a relação com Vorcaro não se limitava ao cinema. O escritório de advocacia do senador emitiu notas fiscais milionárias — três de R$ 500 mil — para empresas ligadas ao banqueiro, desmontando, de uma só vez, a tese de que o contato era restrito ao mundo do entretenimento.

Esse padrão de comportamento de negar até ser pego em flagrante reflete o desespero de uma campanha que perdeu o rumo. Sentindo o isolamento político e a rejeição de alas mais ao centro — incluindo críticas duras de aliados como Tarcísio de Freitas —, Flávio decidiu jogar para a plateia radical. Aquele que se dizia o "Bolsonaro light" voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas diante de embaixadores estrangeiros. É a velha cartilha do pai sendo reescrita pelo filho: quando a água bate no pescoço e os apoios minguam, apele-se ao golpismo para inflamar os extremistas.

Até mesmo na esfera familiar e partidária a coerência se perde. A recente divulgação de um vídeo com um pedido de desculpas frio e protocolar à sua madrasta, Michelle Bolsonaro — lamentando vagamente por "momentos que causaram desconforto" após embates de bastidores e decisões políticas no Ceará —, soa menos como um arrependimento genuíno e mais como uma exigência de marqueteiros tentando conter a sangria junto ao eleitorado feminino.

A realidade sobre a figura de Flávio Bolsonaro é composta por essas camadas de versões. No passado, no caso das "rachadinhas" da Alerj, ele conseguiu vitórias expressivas na Justiça através de teses processuais e anulações de provas no foro privilegiado, escapando do mérito. Porém, na política, a linguagem dos tribunais não limpa a vitrine moral de ninguém.

O leitor e o eleitor não exigem a perfeição de seus representantes, mas cobram um requisito básico para a vida pública: a coerência. Quando a distância entre a versão apresentada em público e os fatos apurados nos autos (e nos áudios) se repete com tanta frequência, a confiança simplesmente desmorona. Flávio Bolsonaro pode até continuar fugindo das investigações, mas já não consegue mais fugir da própria imagem no espelho.

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Editorial

Sob a Sombra de Washington: O Brasil Pode Olhar para Outros Portos?

Diante do protecionismo agressivo de Washington, o Brasil avalia o peso de sua dependência americana e busca na multipolaridade estratégica — da Ásia aos BRICS — as rotas necessárias para blindar sua economia e expandir seu mercado.

Albertino Blima24 de julho de 20263 min de leitura
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Ilustração: tarifas dos EUA sobre o Brasil, 50% sobre exportações
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Durante décadas, os Estados Unidos venderam ao mundo a cartilha do livre mercado e da globalização. Hoje, no entanto, Washington parece ter reescrito as regras do próprio jogo. A política tarifária americana — seja sob a retórica do nacionalismo econômico ou sob o guarda-chuva retórico da "segurança nacional" — transformou-se em uma arma geopolítica que não poupa sequer aliados históricos. Diante de sobretaxas, cotas e barreiras muitas vezes arbitrárias, a pergunta que ecoa nos corredores da diplomacia e do agronegócio é inevitável: existem excessos? E, mais urgente, o Brasil consegue sobreviver sem o aval comercial do Tio Sam?

A resposta para a primeira pergunta é um sonoro sim. Há, indiscutivelmente, absurdos na política comercial americana recente. O uso indiscriminado da famosa "Seção 232", que permite aos EUA taxar importações alegando risco à segurança nacional, já foi utilizada para barrar desde o aço e o alumínio brasileiros até produtos que dificilmente representam uma ameaça bélica. Trata-se de um protecionismo disfarçado, desenhado sob medida para blindar setores internos ineficientes e agradar o eleitorado local. Quando a maior economia do mundo ignora as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) para agir de forma unilateral, o excesso deixa de ser uma falha no sistema e passa a ser a própria política de Estado.

Mas a indignação moral não paga as contas de um país em desenvolvimento. Isso nos leva à segunda questão: podemos virar as costas e sobreviver sem negociar com os Estados Unidos?

Sobreviver, sim. Mas não sem cicatrizes profundas. Hoje, os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Porém, mais importante do que o volume absoluto, é a qualidade dessa pauta. Enquanto exportamos majoritariamente commodities brutas (soja, minério de ferro, carne) para a Ásia, é para o mercado americano que enviamos produtos de maior valor agregado, como aviões da Embraer, autopeças, calçados e aço semiacabado. Romper ou negligenciar deliberadamente esse canal significaria desidratar ainda mais a já combalida indústria de transformação nacional. Não se ignora um mercado consumidor desse calibre sem pagar um preço altíssimo em empregos e inovação.

No entanto, a dependência excessiva é uma vulnerabilidade que o Brasil não pode mais se dar ao luxo de manter. Se a imprevisibilidade tarifária americana veio para ficar, Brasília precisa de alternativas robustas. E elas existem.

A primeira e mais óbvia rota é a China e o Sudeste Asiático. Pequim já é o nosso maior parceiro comercial. O desafio nesta frente não é encontrar mercado, mas forçar uma sofisticação da pauta. O Brasil precisa usar seu peso como fornecedor essencial de alimentos e energia para negociar a exportação de produtos industrializados e serviços para a Ásia, deixando de ser apenas a grande fazenda e mina do Oriente.

A segunda alternativa passa por uma integração real e agressiva com o Sul Global e o bloco ampliado dos BRICS. A Índia, com sua classe média em explosão demográfica, e o continente africano representam mercados gigantescos e ainda subexplorados para a tecnologia agrícola, engenharia e bens de consumo brasileiros.

Por fim, há a União Europeia. A eterna novela do acordo Mercosul-UE precisa de pragmatismo para chegar a um desfecho. Embora a Europa também tenha seus próprios absurdos protecionistas — operando frequentemente sob o verniz das exigências ambientais —, a formalização de um bloco de livre comércio criaria um contrapeso comercial imediato, reduzindo drasticamente a alavancagem de Washington sobre as nossas exportações.

O mundo deixou de ser unipolar há muito tempo. A verdadeira alternativa à chantagem tarifária não é o isolacionismo revanchista, mas a multipolaridade estratégica. Negociar com os Estados Unidos não deve ser um ato de submissão, mas de frio pragmatismo. O Brasil precisa continuar sentando à mesa com os americanos, defendendo seus interesses com a mesma agressividade técnica que eles utilizam. Mas, ao levantar da cadeira, nossa diplomacia comercial deve ter os olhos firmemente voltados para a diversificação.

No xadrez do comércio global, a soberania pertence a quem tem o maior número de portos abertos. É hora de o Brasil parar de lamentar as regras do jogo americano e começar, definitivamente, a jogar em múltiplos tabuleiros.

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Política

EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Jurandir Junior16 de julho de 20264 min de leitura
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O governo dos Estados Unidos oficializou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A medida foi aprovada pelo presidente Donald Trump após recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Apesar do novo tarifaço, dois dos principais produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos ficaram de fora da cobrança: café e carne, considerados estratégicos para o comércio entre os dois países.

Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação que apontou supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. Entre as críticas estão políticas relacionadas ao comércio digital, ao Pix, ao etanol, ao combate à pirataria, às patentes, a acordos tarifários preferenciais e ao combate ao desmatamento ilegal.

As autoridades americanas afirmaram que a medida busca corrigir essas distorções e alertaram que poderão adotar novas ações caso o Brasil responda com retaliações comerciais. Ainda assim, Washington declarou que permanece aberta para negociações.

Do lado brasileiro, o Ministério da Fazenda avalia retomar a aplicação da Lei da Reciprocidade, que permite ao país adotar medidas equivalentes em resposta a barreiras impostas por parceiros comerciais. Apesar da tensão diplomática, a equipe econômica considera que o impacto do novo tarifaço sobre a economia brasileira deve ser limitado.

Essa decisão marca mais um capítulo no aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e reacende o debate sobre os rumos da relação econômica entre os dois países.

Opinião | Tarifa ou pressão política?

Toda nação tem o direito de proteger seus interesses econômicos. Isso faz parte da política internacional. O problema começa quando decisões comerciais deixam de ser guiadas apenas pela economia e passam a servir como instrumento de pressão política.

O novo tarifaço dos Estados Unidos levanta exatamente essa dúvida. Se o objetivo fosse exclusivamente corrigir desequilíbrios comerciais, por que produtos altamente relevantes, como café e carne, ficaram de fora da lista? A resposta parece simples: a preocupação não é apenas econômica. Há um evidente cálculo político.

Os argumentos apresentados por Washington também chamam atenção. Colocar o Pix — um sistema de pagamentos reconhecido por sua eficiência e amplamente utilizado pela população brasileira — como um fator de concorrência desleal soa menos como uma crítica técnica e mais como uma demonstração de incômodo diante de um modelo que reduziu custos e diminuiu a dependência de grandes operadores financeiros.

O mesmo vale para outros pontos levantados na investigação. Questões como desmatamento, comércio digital, etanol e acordos internacionais são temas complexos, que merecem debate. Mas reuni-los em um único pacote para justificar novas tarifas transmite a impressão de que a motivação ultrapassa a esfera comercial.

É evidente que interesses econômicos existem. Sempre existirão. Mas também é evidente que a política internacional raramente separa economia de estratégia. Tarifas podem ser usadas como ferramenta de negociação, de influência e, muitas vezes, de pressão diplomática.

Nesse cenário, o Brasil precisa agir com equilíbrio. Nem submissão automática, nem respostas impulsivas. Defender os interesses nacionais exige diálogo firme, diplomacia e inteligência estratégica, sem transformar uma disputa comercial em um embate ideológico ainda maior.

No fim das contas, a pergunta que fica é inevitável: estamos diante de uma disputa por práticas comerciais ou de mais um capítulo da crescente utilização da economia como arma política? Os fatos parecem indicar que a segunda hipótese ganha cada vez mais força.


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Nasce o Portal Pólis: um novo espaço para quem acredita que a política precisa fazer sentido

Em tempos de excesso de informação, desinformação e discursos polarizados, surge o Portal Pólis: criado para informar, contextualizar e aproximar a sociedade da política por meio de um jornalismo sério, independente e comprometido com os fatos.

Albertino Blima11 de julho de 20263 min de leitura
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Vivemos uma época em que a informação circula em velocidade nunca antes vista. Em poucos segundos, uma notícia percorre o país inteiro, gera debates, opiniões e, muitas vezes, desinformação. Em meio a esse cenário nasce o Portal Pólis, criado para oferecer algo cada vez mais raro: contexto, credibilidade e respeito ao leitor.

Inspirado no significado da palavra grega Pólis — as cidades-estado onde nasceram a cidadania, a democracia e o debate público — este portal foi concebido para ser muito mais do que um site de notícias. Nosso propósito é transformar informação em conhecimento e aproximar as pessoas das decisões que influenciam suas vidas todos os dias.

Onde a política faz sentido

A política está presente em praticamente tudo: na saúde, na educação, na segurança, na economia, no transporte, no emprego e na qualidade de vida das pessoas. Mesmo assim, muitos cidadãos sentem dificuldade para compreender como essas decisões são tomadas e quais são seus impactos reais.

O Portal Pólis nasce justamente para reduzir essa distância. Nosso compromisso é apresentar os fatos de forma clara, organizada e contextualizada, permitindo que cada leitor forme sua própria opinião com base em informações verificadas.

"A democracia se fortalece quando a informação é clara, acessível e responsável."

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Embora utilize tecnologia de ponta, o Portal Pólis presta homenagem aos grandes jornais que marcaram gerações. Sua identidade visual foi inspirada nos tradicionais impressos, valorizando a leitura, a elegância tipográfica e uma experiência agradável para quem busca informação de qualidade.

Cada detalhe foi pensado para tornar a leitura confortável, intuitiva e envolvente. A navegação entre as matérias reproduz, de maneira sutil, a sensação de virar as páginas de um jornal, preservando a tradição enquanto abraça a inovação.

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Não buscamos alimentar conflitos ou ampliar a polarização. Nosso objetivo é contribuir para um debate público mais qualificado, fundamentado em dados, documentos, análises e fontes confiáveis.

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Redação Portal Pólis

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