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terça-feira, 11 de agosto de 2026Edição nº 11

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A tática de expansão de Marconi Santana: Aposta na pulverização e o teste de fogo no xadrez do PSD

De olho em uma vaga na Alepe com a legenda 55155, o ex-prefeito de Flores rompe o isolamento do Pajeú e lança redes no Agreste, São Francisco e Região Metropolitana; analise a viabilidade tática e os gargalos dessa engenharia de campo.

Albertino Blima11 de agosto de 20264 min de leitura
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O Rompimento das Fronteiras do Pajeú

A disputa pelas 48 cadeiras da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) impõe um imperativo rigoroso aos candidatos do interior: a limitação territorial é o caminho mais rápido para a derrota. Ciente dessa matemática, o ex-prefeito de Flores por quatro mandatos e ex-presidente do Cimpajeú, Marconi Santana (PSD - 55155), estruturou a pré-campanha "Conversando com o Povo, Ouvindo Pernambuco". A iniciativa sinaliza uma clara transição de liderança local para um quadro de projeção estadual.

Em vez de se enclausurar na base do Sertão do Pajeú — onde a concorrência por votos locais é acirrada e insuficiente para atingir a nota de corte do PSD —, Marconi iniciou uma ofensiva tática em três eixos geográficos de alta densidade eleitoral.

Bastidores da Engenharia de Campo em Três Eixos

A análise das agendas de rua promovidas pela pré-candidatura revela uma montagem minuciosa de palanques regionais e alianças de nicho:

  • Sertão do São Francisco (Petrolina): A articulação no maior colégio eleitoral do sertão foi selada por meio da parceria com a comunicadora e influenciadora Josélia Maria. O movimento busca penetração estratégica junto a vereadores, suplentes e ao empresariado local, construindo um ponto de apoio em território habitualmente dominado por oligarquias tradicionais.

  • Agreste (Polo Têxtil): Após incursões em Caruaru e Toritama, o grupo concentrou atos em Santa Cruz do Capibaribe. O foco recaiu no diálogo com lideranças comunitárias e do setor comercial, explorando a demanda regional por representação política alinhada ao desenvolvimento econômico.

  • Região Metropolitana (Cabo de Santo Agostinho e Entorno): Em ato no Bairro São Francisco, sob coordenação de João Mago e com presença do núcleo estratégico familiar (Paula Santana e Dr. Celso Cunha), a campanha costurou apoios técnicos e comunitários. A adesão de quadros da saúde e previdência — como Dr. Rafael Costa, Dr. Félix Santos e Dr. Marcos do INSS — estendeu tentáculos para bairros populosos como Cajueiro Seco (Jaboatão), além de municípios vizinhos como Escada e Ribeirão.

Essa movimentação culminou com seu reposicionamento na Convenção Estadual do PSD, no Recife, onde verbalizou a tese de transição: "Hoje eu sou do povo de Pernambuco". A declaração o consolida como um dos fiadores do municipalismo na bancada de sustentação da governadora Raquel Lyra.

Análise de Causa e Efeito: Os Diferenciais Competitivos

A tática de Marconi Santana possui virtudes claras. Ao adotar uma estratégia anti-enclausuramento, o ex-gestor reconhece que os votos de Flores não garantem mandato. A busca por "sobras" e nichos no Agreste, RMR e São Francisco confere dinamismo à pré-candidatura.

Além disso, a aproximação com lideranças da saúde e comunitárias em áreas urbanas de alta densidade (como o Cabo) permite construir votações pulverizadas, porém consistentes. Soma-se a isso a narrativa do "Deputado Gestor": o histórico de quatro mandatos no Executivo e a liderança no consórcio Cimpajeú dão sustentação ao discurso de quem domina as dores práticas das prefeituras, ativo valioso para atrair bases municipalistas.

Desafios Táticos e Movimentos Estratégicos

Para converter a mobilização de rua em vagas reais na Alepe, a campanha campanha de Marconi Santana está superando gargalos estruturais no xadrez partidário do PSD:

1. O Risco da Pulverização sem "Piso" Concentrado

No PSD, a cláusula de corte interna exigirá uma votação nominal expressiva, estimada entre 35 mil e 40 mil votos. Marconi está buscando apoios espalhados de Petrolina ao Cabo como uma estratégia válida para conseguir o volume concentrado necessário.

  • Movimento Estratégico: A campanha está fechando acordos de dobradinha que garantem uma "segunda âncora" votável (um município de médio porte onde obtenha entre 8 mil e 10 mil votos concentrados), evitando a dependência exclusiva da soma de pequenos nichos.

2. A Volatilidade de Alianças Periféricas

Apoios obtidos com suplentes e lideranças comunitárias na Região Metropolitana com forte sinal de fidelidade e amarras sólidas superam o forte assédio de parlamentares de mandato na reta final. Com essas amarras institucionais fortes, a fidelidade eleitoral dessas bases é sólida.

  • Movimento Estratégico: A campanha de Marconi tende a garantir presença constante do candidato nesses territórios, institucionalizando os comitês locais e envolvendo diretamente as lideranças regionais na formulação das propostas de campanha, blindando o grupo contra o assédio adversário.

3. O Paredão Interno no PSD

A chapa do PSD abriga deputados de mandato consolidados e com estruturas pesadas de reeleição. A margem para quem busca a primeira vaga na Casa Joaquim Nabuco é estreita.

  • Movimento Estratégico: Marconi foca na captura de prefeitos e ex-gestores descontentes com a atuação dos atuais deputados estaduais e que confiam na sua atuação por ser ex-gestor e conhecer os principais problemas dos municípios posicionando-se como uma alternativa viável de representação direta do municipalismo junto ao Palácio do Campo das Princesas.

À Decisão

O desenho tático de Marconi Santana demonstra maturidade política e leitura correta da nova matemática eleitoral da Alepe. A decisão de ir a campo no Agreste, São Francisco e RMR retira o ex-prefeito da zona de conforto do Pajeú. No entanto, o sucesso dessa engenharia dependerá estritamente da capacidade de consolidar bases concentradas e blindar apoios contra o assédio das bancadas tradicionais até a abertura das urnas e isso, Marconi sabe fazer com maestria.

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