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O Departamento de Estado norte-americano cancelou o visto da diplomata Maria Luiza Ribeiro Viotti em resposta ao atraso no aval brasileiro ao novo embaixador dos EUA e à recente recusa de entrada a funcionários americanos. A medida consolida o agravamento das relações institucionais e comerciais entre a administração de Donald Trump e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (4 de agosto de 2026) a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. De acordo com autoridades do Departamento de Estado citadas pela agência Reuters, a medida não configura uma expulsão formal. A diplomata poderá permanecer em solo norte-americano, porém sem um visto válido, condição que restringe severamente sua atuação diplomática oficial. O governo estadunidense indicou que o visto poderá ser restabelecido caso o equilíbrio nas relações seja restaurado.
A decisão marca o ponto mais crítico de um distanciamento progressivo entre os dois países. De acordo com o Portal JOTA, a escalada de interferências na região tem sido impulsionada por figuras centrais do governo de Donald Trump, notadamente o secretário de Estado, Marco Rubio, inaugurando uma nova era de forte pressão sobre a América Latina.
A principal justificativa oficial de Washington para o cancelamento do visto recai sobre a demora do governo brasileiro em conceder o agrément — o aval diplomático formal — para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA em Brasília.
Perez, deputado estadual pela Flórida e forte aliado de Marco Rubio, foi indicado ao cargo em junho de 2026. No entanto, de acordo com informações do JOTA, o governo Trump quebrou a prática diplomática tradicional ao oficializar a indicação publicamente antes mesmo de solicitar a autorização do país anfitrião. Em resposta a essa atropelo de protocolo, e devido ao receio de que o novo embaixador pudesse atuar politicamente nas eleições de outubro, as autoridades brasileiras sinalizaram que a aprovação só ocorreria após o pleito eleitoral.
A revogação do visto de Viotti não ocorreu em um vácuo. Há cerca de dez dias, o Itamaraty negou os vistos de dois altos funcionários do Departamento de Estado: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
De acordo com o Brasil de Fato, ambos tinham audiências marcadas com a Justiça Eleitoral brasileira. A negativa brasileira baseou-se em informações reveladas pelo jornal The Washington Post, que apontavam a viagem como parte de uma estratégia de Washington para questionar a integridade e a confiabilidade das eleições brasileiras.
O governo brasileiro reagiu de forma incisiva. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República rechaçou a decisão norte-americana, classificando as justificativas dos EUA como "falsas". De acordo com o documento divulgado pelo Brasil de Fato, o governo brasileiro afirmou que a medida faz parte de uma "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas".
Nos bastidores do Itamaraty, a revogação do visto de Viotti é interpretada como um instrumento direto de pressão para forçar o Brasil a aceitar a indicação de Perez. O cenário diplomático é agravado por recentes retaliações econômicas. De acordo com o JOTA, no último mês, os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, seguida de uma taxa extra de 12,5%, afetando quase um quinto de todas as exportações do Brasil para o mercado norte-americano.

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